A Escola Portuguesa de Macau (EPM) confirmou que o uso de telemóveis no interior do estabelecimento de ensino vai sofrer restrições no actual ano lectivo de 2025/2026, em conformidade com orientações emanadas pela Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). Os aparelhos electrónicos deverão ser deixados num cacifo à entrada da escola, onde será disponibilizado um telefone fixo para casos de emergência. As únicas excepções à regra são “situações excepcionais” comunicadas atempadamente pelos pais ou a utilização do telemóvel para “fins pedagógicos”.
A Escola Portuguesa de Macau (EPM) vai passar a proibir a utilização de telemóveis no interior do estabelecimento de ensino já a partir de hoje, com o início do novo ano lectivo na instituição. A medida surge no seguimento de um longo processo de auscultação entre a EPM e os encarregados de educação e a comunidade educativa.
Num comunicado publicado esta quinta-feira na página electrónica da escola, endereçado aos pais e encarregados de educação, o director Acácio Azevedo de Brito informa que os alunos da EPM devem desligar os telemóveis à entrada na escola e colocá-los em cacifos “que lá se encontram para esse efeito”. Os aparelhos só podem ser retirados dos cacifos na pausa do almoço e aquando do regresso a casa, permanecendo inacessíveis durante os intervalos. Em caso de emergência, os alunos devem utilizar um telefone fixo disponibilizado à entrada da escola, junto do porteiro.
O comunicado prevê ainda “situações excepcionais” em que os estudantes necessitem de utilizar o telemóvel durante o período de aulas, alertando que, nesses casos, o encarregado de educação será responsável por informar “atempadamente” o Director de Turma por escrito. Outra excepção é aberta para “fins de aprendizagem”, em que a eventual utilização do telemóvel poderá ser feita sob a orientação dos docentes.
Na mesma nota, lê-se que as medidas foram definidas em cumprimento das orientações emanadas pela Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) – que, recorde-se, no início do ano já tinha anunciado a intenção de restringir o uso de telemóveis e de dispositivos electrónicos nas escolas de ensino secundário em Macau. As orientações agora publicadas pela EPM não revelam, porém, sanções ou medidas disciplinares para os alunos que as desrespeitem.
MEDIDAS SURGEM APÓS PROCESSO DE “AUSCULTAÇÃO” E “SENSIBILIZAÇÃO”
Em Janeiro, a EPM enviou questionários aos encarregados de educação com o propósito de recolher opiniões e sugestões anónimas sobre a proibição dos telemóveis na escola, exceptuando situações de emergência ou actividades pedagógicas.
No documento, a escola questionava os pais quanto à fundamentação para a posição escolhida (“concordo”, “discordo”, “indiferente” ou “não tenho opinião formada”), pedia que explicitassem as preocupações relevantes (por exemplo, dificuldade acrescida em acompanhar as actividades escolares ou o impacto na socialização dos alunos) e abria espaço a sugestões alternativas para a “gestão responsável” e “uso controlado” dos telemóveis nas instalações escolares.
Mais tarde, em Março, Acácio Azevedo de Brito revelou à TDM que a direcção da escola se encontrava em reuniões com as autoridades de Macau e de Lisboa e que a decisão seria tomada em articulação com a comunidade de pais e a comunidade educativa, após a “auscultação” e a “sensibilização” das mesmas. Referiu, porém, que “os telemóveis [actualmente] também servem fins pedagógicos” e que a sua utilização poderia ser permitida nestas situações – o que veio agora a confirmar-se com o anúncio das novas medidas.
No passado mês de Maio, Kong Chi Meng, director da DSEDJ, afirmou em declarações ao canal chinês da Rádio Macau que, no ano lectivo de 2025/2026, seriam introduzidas directrizes sobre o uso de telemóveis nas escolas. Segundo o responsável, a medida abrangeria todas as escolas de Macau e tinha como objectivos a redução do tempo de ecrã entre os alunos e a eliminação de distrações e conteúdos não relacionados com as actividades pedagógicas.
De acordo com dados avançados por esta fonte, cerca de 50 escolas já teriam sido equipadas com os instrumentos necessários à gestão dos telemóveis (como cacifos), sendo que as medidas específicas de restrição ficavam ao critério de cada escola. “Cada escola pode ter práticas diferentes. Para as escolas que têm restrições de espaço e não podem instalar os cacifos para telemóveis, podem adaptar-se às suas condições para escolher uma forma diferente de gestão, como malas para guardar o telemóvel instaladas na parede. Não temos uma exigência fixa para a implementação”, vincou, na ocasião.











