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      Criatividade e luxo intemporal: Galaxy apresenta a filosofia de Bruno Moinard

      O Galaxy abriu esta quarta-feira as portas de uma exposição dedicada a Bruno Moinard, designer de interiores francês cujas mãos moldaram as lojas da Cartier – e do hotel Capella, prestes a estrear em Macau. Reunindo mais de 300 pinturas e esboços, a mostra revela ao público as inspirações e o processo criativo de um mestre mundialmente aclamado, desde a centelha de inspiração à criação de projectos luxuosos.

       

      O Galaxy Entertainment Group levantou esta quarta-feira o véu da exposição “In The Mind of Bruno Moinard”, uma reflexão sobre as três décadas de carreira do designer de interiores francês que permanecerá patente ao público até ao final do ano. Entre as mais de 300 peças em exibição no GalaxyArt, haverá talvez uma que ressalta de imediato à vista: um tríptico de tinta guache azul-cobalto vertida sobre papel branco. O nome: “Macau Blue”. Porquê a escolha do azul para representar Macau, frequentemente associado ao verde da bandeira ou ao simbolismo auspicioso do vermelho e dourado? “Por nenhuma razão em particular: foi onde a inspiração me levou”.

      A resposta de Bruno Moinard é fiel ao seu estilo. Como afirmou várias vezes em declarações aos jornalistas, numa sessão de perguntas e respostas no final de uma ‘tour’ guiada à exposição, o seu processo criativo não segue regras ou moldes pré-definidos. As ideias vão surgindo à medida que cria, num processo flexível em que a ideia base poderá acabar amparada ou até substituída por novos devaneios artísticos. Conciliar a criatividade com os padrões estabelecidos pelo cliente nem sempre é fácil, como sublinha Moinard: “Na minha posição, é preciso ser flexível e adaptável, ouvir o cliente, esclarecer as suas dúvidas e, ao mesmo tempo, ser criativo. É preciso ser tudo ao mesmo tempo”.

      Mas o artista não trabalha sozinho. Os projectos concebidos no estúdio Bruno Moinard Éditions ou assinados pela Moinard Bétaille (inicialmente conhecida como 4BI) têm por trás uma equipa composta por 50 dos melhores artesãos franceses, a quem é incumbida a meticulosa tarefa de desenvolver modelos 3D com base na visão do artista francês e da sua parceira criativa Claire Bétaille. Se a indústria criativa fosse uma orquestra, Bruno Moinard seria o maestro: “Sou um arquitecto de conceitos. Dirijo e dou orientações à minha equipa, que depois dá vida ao projecto. São eles os arquitectos de execução: pegam nos planos e concretizam-nos, sempre sob a nossa supervisão para garantir que tudo está em conformidade”.

      O seu toque minimalista e sofisticado concedeu-lhe a imortalidade no mundo do design de luxo, onde o requinte se quer discreto e intemporal. O portefólio de Moinard acumula uma longa lista de marcas, ‘boutiques’ e hotéis, merecendo particular destaque as mais de 500 lojas criadas em parceria com a prestigiada joalharia Cartier. Apesar de o seu nome ser indissociável ao design, a sua expressão artística estende-se ao mundo do desenho e da pintura, que o artista assume proporcionar-lhe uma liberdade criativa inigualável.

      Naturalmente, a criação de interiores e a pintura são mundos diferentes – um é mais focado na utilidade e nos requisitos do cliente, enquanto o último pode dar-se ao luxo de preferir uma auto-expressão irrestrita. No entanto, as duas dimensões partilham uma base comum: a necessidade de ser flexível e de “sonhar”. “Quando começo a pintar, não sei qual será o resultado final. O mesmo acontece quando os clientes me apresentam um orçamento fixo. Ao início, ignoro o orçamento que foi definido e foco-me apenas em criar ideias, para que as limitações não afectem a minha criatividade. No final, quando o projecto ganhar vida, é que me asseguro de que não ultrapassa o orçamento”. Se o público extrair apenas uma mensagem da exposição, que seja esta: tanto na arte como na vida, “é preciso sonhar, é preciso criar algo extraordinário, é preciso alargar os limites”.

      INSPIRAÇÃO E ESPONTANEIDADE

      “Está prestes a entrar no universo criativo de Bruno Moinard. Para lá destas telas, existe um mundo onde a arquitectura, a pintura e o design se unem num diálogo constante entre luz, material e gesto. Entre. Deixe que a sua curiosidade o guie até à mente de um dos criadores franceses mais renomados e multitalentosos do mundo”. É com estas palavras quase místicas, dignas de prefácio de uma odisseia, que a exposição do Galaxy Art tem início.

      As várias facetas criativas de Moinard são apresentadas ao longo de um espaço dividido em 11 secções, começando com aquela que será provavelmente a mais íntima: o pintor que permite que o pincel ganhe vida própria, numa dinâmica que a organização descreve como um “acto de conexão física com a imagem em evolução”. Predominam aqui os azuis fortes que o artista associa à China, em pinceladas fortes e vívidas sobre branco que lembram a porcelana chinesa.

      A exposição não se limita a mostrar passivamente as obras: transporta o público para o atelier na Normandia onde as pinturas ganham forma, traço a traço, embaladas pelo fundo bucólico do campo. O GalaxyArt recria o estúdio de Moinard com pinturas posicionadas no chão, amparadas na parede ou repousadas em cavaletes de madeira, como se o público tivesse interrompido Moinard em pleno momento de criação.

      “Aqui, rodeado pela energia da Natureza, a inspiração ganha raízes”, lê-se, na entrada da secção. “Mais do que um local de trabalho, este é um mundo de isolamento, silêncio e concentração – um refúgio onde o tempo desacelera e as ideias emergem. Para além do jardim inspirador, o atelier revela as fontes mais profundas que alimentam a imaginação [do artista]: o mar próximo, as falésias, o vento, os céus em mudança – os quatro elementos em diálogo constante”.

      As linhas entre a pintura como meio de auto-expressão e o design de interiores como profissão começam a esbater-se cada vez mais à medida que se avança pelas diferentes secções. Uma das salas dedica-se a uma comparação entre os desenhos preliminares de Bruno Moinard e Claire Bétaille – referentes a lojas, hotéis e resorts de luxo – e os projectos já terminados, posicionando lado a lado 136 desenhos de linhas geométricas e o produto final materializado.

      Para além dos esboços arquitectónicos, a mostra reúne também uma colecção de rascunhos criados espontaneamente, com canetas de feltro coloridas, ao longo das suas viagens pelo mundo – incluindo Macau. A Galaxy explica que o espaço foi concebido para ser “circular como um mapa-múndi”, recolhendo testamentos vívidos de pessoas, paisagens e atmosferas em linhas simples, incisivas e carregadas de significado. Nas palavras do próprio autor: “Muitas pessoas escrevem diários de viagem; eu faço desenho diários de viagem”. Alguns dos projectos da dupla Moinard Bétaille nasceram destes desenhos feitos em movimento, como revelado durante a visita guiada. À primeira vista incompreensíveis, com traços “absolutamente expressivos, ou não, mas sempre espontâneos”, estes conceitos preliminares são depois processados e transformados em realidade pela equipa de artesãos.

      A CHAVE DE OURO: O HOTEL CAPELLA

      A exposição culmina num espaço aberto onde o público tem acesso privilegiado aos esboços que deram origem ao hotel de marca Capella, integrado no Galaxy, ainda em fase final de polimento e com abertura prevista para este ano. Enquanto guiava o grupo de jornalistas pelos ‘sketches’ emoldurados na parede, Moinard explicava que a concepção dos interiores foi um processo de cerca de cinco anos, em que o projecto pôde “maturar” e encontrar a sua direcção.

      A par dos tons de dourado que caracterizam a Galaxy, o Capella bebe também dos verdes plácidos da “selva” e das “colinas verdejantes de Macau”, numa liberdade poética que é possível ler no ‘website’ do hotel. O designer corrobora esta intenção de criar um oásis natural no meio do Cotai, uma das áreas mais cosmopolitas de Macau. “O hotel está colocado sobre uma árvore – a árvore da vida, que irá extrair energia da água e do solo para o local. Entramos nos elevadores como se estivéssemos debaixo de uma rocha, numa gruta. Assim que acedemos à entrada, estamos na selva”.

      As imagens já disponíveis do Capella são fiéis aos rascunhos de Moinard e Bétaille, incorporando elementos visuais de folhas e plantas tropicais nas suítes e ‘penthouses’ que, em breve, estarão disponíveis para reserva. Cada detalhe, dos quartos ao bar de ‘whiskey’, foi pensado como uma cena de filme, conforme descreve Moinard. A palete de cores varia em sintonia com os diferentes estilos – uns mais ousados, outros mais sóbrios – ao mesmo tempo que os artistas se esforçam por manter uma conexão temática entre as várias divisões. “Há sempre uma narração, uma história, um fio comum a todos os espaços”.

      A inauguração de “In The Mind of Bruno Moinard” contou com a presença de vários nomes do Galaxy e do sector cultural de Macau, como Cheang Kai Meng, vice-presidente do Instituto Cultural (IC), e Philip Cheng, director do Galaxy Entertainment Group. No seu discurso, Cheang Kai Meng vincou que a mostra oferece uma oportunidade exclusiva de “descortinar” os interiores do “muito antecipado” Capella, agradecendo a Bruno Moinard e a todos os que permitiram a concretização “desta celebração artística e cultural de nível internacional”. Philip Cheng acrescentou que a colaboração “com o mundialmente famoso” mestre de design de interiores revela as intenções da Galaxy de “continuar a enriquecer as bases artísticas e culturais de Macau”.

      Tomando a palavra, Bruno Moinard usou a língua materna francesa para agradecer a Francis Lui, presidente do Galaxy Entertainment Group, pela sua “confiança absoluta”, “curiosidade” e “compromisso inabalável em apoiar o desenvolvimento da arte contemporânea, em Macau e internacionalmente”. “Esta exposição é uma tentativa modesta, mas sincera, de convidá-los a entrar neste espaço invisível, uma alegoria do meu mundo criativo, onde as disciplinas dialogam – pintura, design, arquitectura de interiores, cenografia – e juntas contam uma história, uma forma única de ver o mundo”.