Cabo Verde agradece “contributo valioso” de Macau na aproximação entre a China e a Lusofonia

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O 50.º aniversário da independência de Cabo Verde foi assinalado também em Macau. Vários governantes do país africano deslocaram-se à região para participar em actividades comemorativas e reunir com responsáveis locais. Paulo Rocha, ministro da Administração Interna de Cabo Verde, agradeceu à RAEM pelo “contributo valioso que tem dado na aproximação entre a China e os países de língua portuguesa”.

 

Vários dirigentes do Governo cabo-verdiano estiveram em Macau para assinalar os 50 anos da conquista da independência por parte do país e também para encontros com responsáveis locais. Na sexta-feira, realizou-se uma palestra no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, coorganizada pela Embaixada de Cabo Verde na China e pelo Secretariado Permanente do Fórum de Macau. Na ocasião, Paulo Rocha, ministro da Administração Interna de Cabo Verde, agradeceu à RAEM pelo “contributo valioso que tem dado na aproximação entre a China e os países de língua portuguesa”.

No seu discurso, Paulo Rocha destacou que Cabo Verde “tem uma diáspora de sucesso, que se destaca na ciência, na medicina, na academia, na tecnologia, na política, nos negócios, no desporto, na cultura, e que muito contribuem para o país”. O ministro lembrou ainda que o país é um “membro empenhado do Fórum de Cooperação China-África e do Fórum de Macau, e tem vindo a trilhar este caminho para o contínuo estreitamento dos laços de amizade e cooperação com o interior da China e Macau, num quadro de entendimento mútuo e de colaboração estratégica mutuamente benéfica, trazendo novas contribuições”.

Além do ministro, também Ji Xianzheng, secretário-geral do Fórum Macau, Arlindo do Rosário, embaixador cabo-verdiano na China, e Helena de Senna Fernandes, directora dos Serviços de Turismo (DST) da RAEM, também proferiram discursos nesta palestra.

Ji Xianzheng manifestou “admiração pelas grandes conquistas de Cabo Verde ao longo dos últimos 50 anos”, assinalando que “a concretização da parceria estratégica entre a China e Cabo Verde marcou um novo capítulo nas relações bilaterais”. O secretário-geral do Fórum salientou também que Cabo Verde e a China têm “vontades convergentes sobre a plena utilização das oportunidades de cooperação no âmbito do Fórum de Macau, esforçando-se por impulsionar a cooperação pragmática entre os dois países, elevando a sua qualidade e eficácia, no sentido de imprimir um maior dinamismo no seu próprio desenvolvimento”.

O responsável assegurou que o Fórum de Macau “continuará, em consonância com o Plano de Acção, a tirar o melhor proveito do papel de Macau enquanto plataforma sino-lusófona, contribuindo para fomentar o intercâmbio e a cooperação em diferentes domínios entre a China e Cabo Verde”.

Arlindo Nascimento do Rosário afirmou que “o presente momento não significa apenas uma data histórica” para o país, mas também “uma oportunidade para Cabo Verde mostrar ao mundo a força de uma nação que, apesar das dificuldades, persevera, reinventa-se e prospera”. O evento de comemoração em Macau deverá, então, representar “uma oportunidade única para reflectir sobre o percurso de Cabo Verde desde a sua independência, uma notável trajectória marcada por esperança, resiliência e crescimento”.

O embaixador assinalou ainda que “Cabo Verde e China são dois países amigos e no próximo ano celebrarão o 50.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas”. Arlindo Nascimento do Rosário frisou que “o Governo de Cabo Verde valoriza a relação com a China, especialmente com a RAEM, e a diáspora”. “Macau ocupa um lugar especial no coração do povo cabo-verdiano, a diáspora cabo-verdiana em Macau e as suas associações não só fortalecem os laços de amizade entre os povos, como também promovem a integração social e económica da comunidade cabo-verdiana na RAEM”, vincou o embaixador.

Helena de Senna Fernandes, que estava na palestra em representação do secretário para a Economia e Finanças, referiu que Macau e Cabo Verde são “territórios aliados desde sempre, por laços históricos, prosseguindo unidos pela vontade de se aliarem para trabalhar em prol da criação de mais e diversas oportunidades de desenvolvimento para as suas gentes e economias”.

A directora destacou também que “o Fórum de Macau tem-se empenhado na ligação dos governos, o sector privado e as demais instituições em prol da implementação dos consensos alcançados no Plano de Acção para a Cooperação Económica e Comercial”. No âmbito do desígnio do Governo Central atribuído a Macau como “um centro, uma plataforma, uma base”, Helena de Senna Fernandes disse esperar que Macau “continue a proporcionar uma plataforma de alta qualidade e oportunidades para Cabo Verde para a sua mostra em Macau, na Grande Baía, no Interior da China, e a nível internacional”.

Esta palestra contou ainda com a participação de Álvaro dos Santos Rodrigues e José Costa, que partilharam as suas perspectivas sobre o papel da diáspora no desenvolvimento nacional e suas experiências, indica a nota de imprensa divulgada pelo Fórum Macau.

 

Cabo Verde quer “mais e melhor” investimento chinês

 

À margem da palestra em Macau, o ministro da Administração Interna de Cabo Verde disse que Cabo Verde quer atrair investimento da China, que descreveu como “um dos principais parceiros” no desenvolvimento do país desde a independência. “Nós, neste momento, já temos uma comunidade chinesa em Cabo Verde, essencialmente de pequenos e médios empresários”, afirmou Paulo Rocha em entrevista à Lusa. O ministro disse que o próximo alvo é “atrair mais e melhor investimento [chinês] em diferentes sectores”, para diversificar a economia de Cabo Verde, muito dependente do turismo. O mar é uma prioridade e o Governo “procura parcerias” para implementar a Zona Económica Especial Marítima de São Vicente, cujo estudo foi feito com o apoio da China, recordou Rocha. Também em Macau, em Março, o presidente da agência cabo-verdiana para o investimento externo, José Almada Dias, desafiou a empresa estatal chinesa Shaanxi Construction a aproveitar os 20 mil hectares que o país colocou ao serviço do turismo. Paulo Rocha disse que seria “perfeitamente realista” a Cabo Verde querer atrair turistas da China e de outros países asiáticos, sublinhando a presença forte de visitantes chineses na Europa e “ainda mais longe”. “Continuamos a fomentar investimentos neste domínio, crescem o número de hotéis em construção, o número de resorts, particularmente nas duas ilhas mais turísticas, do Sal e da Boavista”, disse o ministro. Rocha defendeu que a China é, “sem dúvida, um parceiro confiável” de Cabo Verde e que tem sido “essencial no processo de desenvolvimento em diferentes setores” ao longo dos 50 anos de independência. Cabo Verde beneficiou de múltiplos perdões de dívida por parte da China – nomeadamente cerca de 1,18 milhões de euros em 2007 e mais 1,39 milhões de euros em 2016. Nas últimas décadas, a China consolidou a sua presença em Cabo Verde através de investimentos em obras públicas, incluindo o Estádio Nacional e a nova sede da Assembleia Nacional. “Já nos próximos meses, iremos inaugurar uma importante maternidade na ilha de São Vicente, feita com o apoio do Governo da China, estruturante” para toda a região do Barlavento”, defendeu o ministro. A cooperação estende-se à área da educação, com mais de uma dezena de bolsas atribuídas anualmente pelo Governo chinês. Desde 2010, centenas de estudantes cabo-verdianos frequentaram instituições de ensino superior na China.