Foram, ao todo, cinco meses de trabalhos de restauro. A Casa Garden está agora de cara lavada e arrancou ontem a programação cultural com uma homenagem ao fotógrafo Frank Lei. Catarina Cottinelli, delegada da Fundação Oriente em Macau, diz que agora há que consolidar a história da Casa Garden, promovendo-a para o futuro.
Entre Dezembro do ano passado e Maio deste ano, a Casa Garden foi alvo de obras de renovação profundas. Foram trabalhos imprescindíveis, complexos e executados em tempo recorde, afirma Catarina Cottinelli, delegada da Fundação Oriente, organismo que ocupa aquele espaço desde 1989.
O processo para a renovação do edifício começou ainda em Outubro de 2023, quando a Fundação Oriente expôs a situação ao Instituto Cultural (IC), tendo por base pareceres de engenheiros da CESL Asia, por exemplo. Um mês depois, técnicos do IC fizeram uma avaliação do estado da Casa Garden e em Abril de 2024 a delegação de Macau da Fundação Oriente recebeu resposta da parte das autoridades locais em que se comprometiam a tomar conta do processo de renovação do espaço.
As obras abrangeram sobretudo a estrutura do edifício principal. Houve reparações na estrutura do telhado para combater as infiltrações e foram também intervencionadas as portadas, as janelas interiores, o isolamento e as fechaduras, por exemplo. A Fundação Oriente aproveitou e também renovou as tubagens do ar condicionado e as canalizações.
A casa já não era alvo de obras desta envergadura há mais de dez anos. “Esperamos que depois destas obras ela fique protegida por mais outra década”, comenta Catarina Cottinelli.
A programação cultural da Casa Garden ficou em suspenso, à espera de que as obras ficassem concluídas. As actividades começaram a ser suspensas em Agosto do ano passado e no mês seguinte já estava tudo parado. Não obstante, a delegação de Macau da Fundação Oriente ainda organizou alguns eventos fora da Casa Garden, como a exposição do Salão de Outono no Parisian.
A programação cultural na Casa Garden foi oficialmente retomada ontem, com a inauguração da exposição “Quando a Ilha Projecta as Suas Sombras”, em homenagem ao fotógrafo Frank Lei.
Adquirida em 1989 pela Fundação Oriente, com o intuito de nele instalar a sua delegação em Macau, este palacete branco e cor-de-rosa foi erigido em 1770 por um comerciante português chamado Manoel Pereira. O espaço foi depois alugado à Companhia das Índias Orientais ao longo de 55 anos. Depois disso, aquele espaço serviu vários destinos, um dos quais a criação de pombos-correio, tendo ficado conhecida como Casa dos Pombos – nome ainda utilizado quando traduzido para chinês, “Pak-Kap-Chao”.
A 1885 foi adquirida pelo Estado português e teve várias utilizações: desde direcção das obras públicas, depósito de material de guerra, imprensa nacional, arquivo central da província e museu de Macau. Na década de 1960 a 1980 foi convertida num museu dedicado a Luís Vaz de Camões, tendo, em 1989, sido adquirido pela Fundação Oriente.
Parte integrante da lista de Centro Histórico de Macau, a Casa Garden foi reconhecida em 2005 como Património Mundial da UNESCO – faz agora 20 anos.
Ao PONTO FINAL, a arquitecta Catarina Cottinelli adiantou que a instituição quer agora consolidar a história da Casa Garden, em particular no que toca à sua arquitectura. Neste âmbito, está a ser pensada uma reedição revista do livro “Casa Garden”, da autoria de Rogério Beltrão Coelho, acrescentando mais um capítulo sobre a história da arquitectura do edifício. Através da colaboração com o IC, está planeada a criação de visitas guiadas virtuais pelo espaço, através de um código QR, em colaboração com o IC.












