No ano passado, 13,3% dos pacientes das consultas externas dos hospitais de Macau foram atendidos por médicos de medicina tradicional chinesa, comprovando a tendência crescente desta prática medicinal. Apesar do aumento global do número de consultas, o número de médicos e de enfermeiros por cada milhar de habitantes manteve-se inalterado.
A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) divulgou ontem os dados estatísticos relativos ao sector da saúde em 2024, onde é possível constatar que a medicina tradicional chinesa foi a vertente medicinal mais popular entre as especialidades médicas oferecidas nas consultas externas dos hospitais. Entre as 1.999.000 consultas externas registadas em 2024, 266.000 pacientes (13,3% do total) foram atendidos por profissionais de medicina chinesa, seguindo-se a medicina física e de reabilitação com 252.000 utilizadores (12,6%).
A popularidade da medicina chinesa no território segue uma tendência crescente que já tem sido verificada há, pelo menos, dois anos. Nos dados de 2023 da DSEC, o número de consultas de medicina tradicional chinesa tinha subido 8,3% em comparação com 2022 e já representava a maior fatia das consultas externas. Em 2022, recorde-se, os Serviços de Saúde implementaram um programa de diagnóstico e tratamento da Covid-19 com terapias tradicionais chinesas que alcançou milhares de pessoas.
O número total de utilizadores dos serviços hospitalares, incluindo consultas externas, foi de 2.545.000, mais 1,9% em termos anuais. Nos serviços de urgência foram atendidos 463.000 pacientes, uma ligeira subida de cinco pontos percentuais em relação ao ano de 2023. Por sua vez, o número de atendidos nos serviços de internamento subiu 4,1%, para 63.000 pacientes.
Apesar do maior número de consultas, o número de médicos inscritos manteve-se idêntico. Dos 2.030 médicos que exercem a profissão em Macau (mais 50 face a 2023), 732 eram médicos ou mestres de medicina tradicional chinesa (mais quatro), 304 eram dentistas ou odontologistas (menos dois) e 3.058 eram enfermeiros (mais 78). Estas leves oscilações não tiveram impacto no rácio de médicos por cada 1.000 habitantes, que se manteve inalterado face ao ano anterior: tal como em 2023, em 2024 existiam 2,9 médicos, 1,1 médicos de medicina tradicional chinesa/mestres de medicina tradicional chinesa, 0,4 médicos dentistas ou odontologistas e 4,4 enfermeiros por cada 1.000 habitantes.
Macau passou a ter cinco hospitais desde a inauguração do Hospital das Ilhas, em Dezembro de 2023. No ano passado, existiam na região 1.779 camas de internamento, menos 103 em termos anuais, o que a DSEC justifica com a “transferência de camas para doentes”. A taxa de utilização das camas de internamento também decresceu 2,3 pontos percentuais para 71,5%. Por outro lado, houve mais 97 camas não destinadas a internamento.
Em 2024, existiam 733 estabelecimentos de cuidados de saúde primários (como centros de saúde e os consultórios particulares), mais um em termos anuais. No ano em análise, foram atendidos 3.925.000 indivíduos nestes estabelecimentos, assinalando-se uma subida de 3,6% em relação a 2023. Destaque ainda para o número de pessoas atendidas em consultórios particulares (3.012.000) e nos estabelecimentos de saúde do Governo (913.000), com aumentos respectivos de 3,3% e 4,6%.
C.B.











