Activistas pedem ao Governo britânico mais pressão para libertar empresário de Hong Kong Jimmy Lai

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Antigos presos detidos injustamente no estrangeiro e respectivos familiares pediram ontem, em Londres, ao Governo britânico e à comunidade internacional para renovar esforços para a libertação do activista pró-democracia em Hong Kong Jimmy Lai.

 

Os antigos presos no Irão, Nazanin Zaghari-Ratcliffe e Anoosheh Ashoori, e a filha do antigo preso no Ruanda Paul Rusesabagina, Carine Kanimba, juntaram-se ao filho de Jimmy Lai, e líder da campanha internacional “Free Jimmy Lai”, Sebastien Lai, para pedir acção “antes que seja tarde demais”.

Além de estar perto dos 78 anos e sofrer de diabetes, Jimmy Lai continua em prisão solitária numa cela pequena e sem luz natural, cujas condições vão piorar, avisou o filho. “Tudo junto, isto significa que há um risco real de morte”, admitiu, lamentando a falta de mais apoio público e de maior pressão do Governo britânico sobre Pequim para obter a libertação do pai.

O empresário de comunicação social de Hong Kong Jimmy Lai está a ser julgado por sedição contra a China e arrisca ser condenado a prisão perpétua.  O julgamento, que começou em Dezembro de 2023 mas foi prolongado por múltiplos atrasos, deverá retomar dentro de semanas para alegações finais.

A equipa jurídica de Lai indicou que a leitura da sentença não deverá acontecer antes do final do ano.

O empresário foi detido em 2020, na sequência dos protestos antigovernamentais em Hong Kong em 2019, e acusado de “conluio com forças estrangeiras” e sedição, à luz da lei de segurança nacional, promulgada por Pequim no mesmo ano. Lai foi, entretanto, condenado por fraude e por participar em protestos “não autorizados” em 2019 e 2020. Em 2021, o empresário foi forçado a fechar o jornal diário Apple Daily, conhecido pelas posições críticas a Pequim.

Tanto Jimmy Lai como o filho possuem nacionalidade britânica, por Hong Kong ter sido uma colónia britânica até 1997, razão pela qual os apoiantes exigem a intervenção do Governo britânico.

Em Novembro, Sebastien Lai encontrou-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, David Lammy, mas continua à espera de ser recebido pelo primeiro-ministro, Keir Starmer.

O caso já foi levantado várias vezes por membros do Governo, incluindo Lammy e Starmer, durante reuniões bilaterais com o Presidente chinês, Xi Jinping, e outros responsáveis, pelo menos em seis ocasiões.  “O caso do cidadão britânico Jimmy Lai é uma prioridade para o Governo do Reino Unido. Continuamos a apelar às autoridades de Hong Kong para que ponham termo à perseguição politicamente motivada e libertem imediatamente Jimmy Lai”, disse um porta-voz do Governo à agência Lusa.

Anoosheh Ashoori, que esteve preso durante quase cinco anos, entre 2017 e 2022, por alegadamente ser um espião para os serviços secretos israelitas, incentivou Sebastien Lai e outros ativistas a continuar a campanha pela libertação.  “A primeira regra é lembrar que a persistência compensa. A segunda regra é nunca esquecer a primeira regra”, vincou, lamentando os dois anos que a família evitou comentários públicos a pedido da diplomacia britânica.

Richard Ratcliffe, que fez uma campanha pública muito visível para libertar a mulher, que esteve presa injustamente no Irão durante seis anos, entre 2016 e 2022, lembrou o tempo que demorou a ser recebido por membros do Governo britânico.

Ratcliffe fez várias greves de fome, uma delas enquanto acampava numa tenda em frente a Downing Street, a residência oficial do primeiro-ministro em Londres, na altura Boris Johnson.  “Para chegar ao primeiro-ministro, tive basicamente de fazer chantagem. Escrevi uma carta desagradável e dei-a à imprensa. É deprimente, mas a minha experiência foi que, para fazer o Governo mexer-se, foi preciso eu atacá-lo”, contou. Lusa