A diocese católica de Macau recordou ontem as muitas viagens durante o pontificado do Papa Francisco, que não chegou a realizar o sonho de se deslocar à China.
O Papa “proclamou ardentemente a infinita misericórdia de Deus, semeou esperança entre os fiéis, percorreu muitas terras e cuidou com ternura dos mais frágeis, tornando-se um modelo exemplar de liderança pastoral”, de acordo com um comunicado divulgado no portal da diocese na Internet.
Na nota refere-se que o bispo de Macau, Stephen Lee Bun-sang, está entre os que rezam “preces fervorosas pelo eterno descanso da alma do Papa Francisco e para que seja recebido na glória do Reino Celestial”.
A diocese agradeceu as condolências expressas por “todos aqueles que, com bom coração, partilham deste momento de luto” e prometeu anunciar mais tarde os preparativos para os serviços religiosos em memória de Francisco a realizar em Macau.
Segundo estatísticas da diocese de Macau, até ao fim de 2020, o número de católicos no território era de 32.013, sendo a maioria membros da comunidade chinesa.
Ao contrário da China continental, as dioceses das duas regiões administrativas especiais chinesas de Macau e Hong Kong continuam a reconhecer a liderança do Papa e os bispos são nomeados diretamente a partir do Vaticano.
Em 1951, já com o regime comunista de Mao Zedong no poder, a excomunhão dos bispos designados por Pequim pelo papa Pio XII levou a China e o Vaticano a cortarem relações diplomáticas. A China estabeleceu então a Associação Patriótica Católica Chinesa, levando os fiéis a terem de optar entre esta, com bispos nomeados pelo regime, ou a Igreja Católica, leal ao papa, então na clandestinidade. Já durante a liderança de Francisco, deu-se uma aproximação dos dois lados, com a assinatura em 2018 de um acordo para a nomeação de bispos. Estima-se que existam cerca de 12 milhões de católicos no país.











