A exposição “Dreamscape Macao”, da artista Alice Im, será inaugurada a 11 de Abril, nos Shoppes at Parisian, no Cotai. Este evento marca o início da série “Ephemera – Women Narratives in Contemporary Images”, promovida pela Macau Art For All Society (AFA), e estará aberta ao público até 28 de Junho. As obras embarcarão os visitantes numa jornada visual que explora as nuances da identidade, do espaço urbano e da solidão em um mundo em rápida transformação.
A Macau Art For All Society (AFA), sob orientação da curadora Alice Kok, apresentará a série “Dreamscape Macao” de Alice Im. Uma colecção cuidadosamente elaborada ao longo de cinco anos e que é composta por 45 obras que abordam a complexidade da experiência feminina na cidade. Com a cerimónia de abertura marcada para o dia 11 de Abril, a exposição será aberta ao público geral a partir do dia seguinte, em sintonia com a galeria vizinha que irá expor obras fotográficas da associação Halftone, sob o tema “Spirit of China”.
Numa direcção mais abstracta e minimal, as duas Alices trabalharam em conjunto para apresentar um projecto íntimo e pertinente ao tema das narrativas femininas na imagética contemporânea. Anteriormente, os trabalhos de Alice Im foram exibidos em festivais internacionais, como o Pingyao International Photography Festival e o Dali International Photography Festival, recebendo grande elogio da crítica especializada. A nova exposição representa um retorno significativo à sua terra natal, sendo a primeira exibição local da sua obra, especialmente notável pela sua localização no Shoppes at Parisian.
Alice Im não se limita a documentar a cidade; a sua obra é uma projecção do seu mundo interno, uma reflexão sobre a vulnerabilidade da vida frente a forças naturais, bem como a relação entre sobrevivência e morte. Segundo a descrição da artista, a força de “Dreamscape Macao” reside na ousadia de ela própria se inserir nas composições, envolta em roupões e toalhas de hotel, que funcionam como símbolos da efemeridade e da anonimidade. Esta presença, embora etérea, evoca uma tensão entre o individual e o colectivo, o local e o turista, revelando a complexidade de ser uma mulher num ambiente repleto de paradoxos.
A figura imersa na brancura do roupão aparece em espaços contrastantes, desde edifícios abandonados a casinos reluzentes e praias tranquilas. Como menciona a curadora Alice Kok, “neste espaço fronteiriço entre a existência e a ausência, pertencimento e alienação, ‘Dreamscape Macao’ emerge como uma meditação visual profunda sobre identidade e lugar”. A artista transforma-se numa observadora que captura a cidade com um olhar sóbrio, ao mesmo tempo que busca um sentido de protecção contra a ansiedade das suas interacções na vida urbana.
Através da exploração sistemática de locais contraditórios, Alice Im constrói um panorama psicológico de Macau que dificilmente é percebido pelos turistas. A sua figura encoberta simboliza não apenas os trabalhadores dos serviços, frequentemente invisíveis na cidade turística, mas também as dinâmicas de identidade que afectam locais em meio à crescente comercialização. Segundo o texto da curadora, as imagens questionam o que significa viver num espaço onde cada canto e cada rua carregam memórias e histórias de uma sociedade em constante mudança.
“Dreamscape Macao” também se insere na teoria da “psicogeografia”, que sugere que as cidades são mais do que ambientes físicos; são domínios para uma projecção emocional e psicológica. Ao reinterpretar Macau como um espaço não apenas geográfico, mas também mental, Alice Im convida o público a ver a cidade como um mapa de emoções – um conceito que desafia as limitações da vida diária. A sua exploração dos espaços urbanos, conforme destaca a curadora, transita entre o real e o ilusório, permitindo que o público vislumbre “as nossas próprias sombras dentro dos espaços urbanos”.
O uso do contraponto e a simetria nas suas composições transmitem uma sensação de estagnação e solidão, enquanto a distância a que captura as suas imagens enfatiza a pequena dimensão do ser humano em relação às vastas estruturas urbanas. Muitas dessas fotografias foram tiradas durante a noite, num momento em que “a qualidade da luz parece pairar entre vários estados”, conferindo uma qualidade onírica que aprofunda ainda mais a experiência. A travessia de Alice Im pela cidade, vestida de roupão, desafia o espectador a reexaminar não só Macau, mas também a própria relação com o espaço que habitam.
Em última instância, “Dreamscape Macao” não é apenas uma exposição de arte, mas um convite à introspecção e ao diálogo sobre as nossas próprias experiências e percepções. Ao reflectir sobre a alienação e a confusão de identidade que muitos sentem, Alice Im propõe um caminho de redescoberta das relações que mantemos com as cidades que habitamos. Através de um olhar crítico e sensível, a artista transforma o familiar em algo extraordinário, desafiando-nos a observar o mundo à nossa volta de uma nova forma. Como disse Guy Debord: “Quando a liberdade é praticada num círculo fechado, desvanece-se num sonho, torna-se uma mera imagem de si mesma”. A exposição “Dreamscape Macao” estará patente até 28 de Junho e a entrada é livre.












