China revela plano para “impulsionar vigorosamente” gastos dos consumidores

0
75

A China anunciou ontem um plano para revitalizar o consumo interno, numa altura em que Pequim luta para inverter a débil confiança dos consumidores e pressões deflacionistas na segunda maior economia do mundo.

 

O Governo vai “impulsionar vigorosamente o consumo” e “expandir a procura interna em todas as direções”, apontou a agência noticiosa oficial Xinhua, fazendo eco do apelo do Presidente chinês, Xi Jinping, no final do ano passado, para que os decisores políticos passassem a apoiar a procura, na sequência de um impulso sustentado para impulsionar a indústria.

O plano do Conselho de Estado (Executivo) centrar-se-á no aumento dos rendimentos, na estabilização do setor imobiliário e do mercado bolsista e na melhoria dos serviços médicos e de pensões, embora os responsáveis políticos tenham fornecido poucos pormenores sobre as despesas fiscais, durante uma conferência de imprensa em Pequim.

Durante a conferência, as autoridades repetiram em grande parte os números publicados no orçamento anual na semana passada durante a sessão plenária da Assembleia Popular Nacional, onde os delegados reafirmaram o consumo como prioridade máxima.

O índice Hang Seng de Hong Kong subiu 0,8%, enquanto os futuros do petróleo Brent, a referência internacional do petróleo, subiram 0,6% para 71 dólares por barril.

O índice CSI 300 da China continental, que reúne as maiores empresas cotadas em Xangai e Shenzhen, encerrou com uma queda de 0,2%.

Os gastos dos consumidores na China permanecem fracos desde o fim da pandemia da covid-19, há mais de dois anos, uma vez que as famílias se mantêm cautelosas com as despesas. Os preços no consumidor registaram deflação em fevereiro, embora a leitura tenha sido afetada pelo feriado do Ano Novo Lunar.

O abrandamento do vasto setor imobiliário da China, em parte impulsionado por uma iniciativa de desalavancagem do Governo e que já vai no seu quarto ano, também reavivou os apelos dos economistas para o reforço da procura interna.

Os dados do Gabinete Nacional de Estatística da China mostraram que as vendas a retalho aumentaram 4% em janeiro e fevereiro em relação ao ano anterior, superando o aumento de 3,7% em dezembro. Os preços médios das casas novas caíram face ao mês anterior.

Em setembro passado, os decisores políticos revelaram um pacote há muito aguardado para apoiar a economia, mas as medidas centraram-se sobretudo nos mercados bolsistas.

O novo plano de consumo inclui promessas de aumento do salário mínimo, reforço do apoio à educação e criação de um sistema de subsídios para a guarda de crianças, uma questão premente, uma vez que a população da China está a diminuir há três anos consecutivos.

Lynn Song, economista-chefe do banco holandês ING para a Grande China, escreveu que o plano coloca “uma ênfase considerável no aumento da capacidade e da vontade de consumo das famílias” e poderá “ajudar a transição económica da China para um modelo de crescimento orientado para o consumo”.

Os dados divulgados na segunda-feira também mostraram que a produção industrial cresceu 5,9% em termos homólogos nos primeiros dois meses de 2025, abrandando em relação aos 6,2% registados em dezembro, mas superando as expectativas dos analistas de um aumento de 5,3%. O novo pacote de medidas irá também promover o consumo “interno”.

Pequim alargou a isenção de vistos a dezenas de países no ano passado, num esforço para relançar o turismo internacional após a pandemia. Lusa