China e Walmart em conversações após pedido de corte de preços a fornecedores

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A China iniciou conversações com a cadeia de hipermercados norte-americana Walmart, que pretende preços mais baixos dos fornecedores chineses para amenizar o impacto das taxas alfandegárias impostas por Washington, noticiou ontem a imprensa chinesa.

Uma conta na rede social Weibo afiliada à televisão estatal CCTV indicou que “o Ministério do Comércio e outros departamentos relevantes mantiveram conversações com o Walmart, na terça-feira. “A razão para estas trocas de impressões foi um pedido do Walmart a vários fornecedores chineses para que façam cortes significativos nos preços, procurando transferir o ónus das taxas alfandegárias norte-americanas para os fornecedores e consumidores chineses”, avançou a mesma fonte.

No início de março, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou em 20% as taxas sobre todos os produtos oriundos da China, depois de anteriormente as ter fixado em 10%. Trump considera que Pequim está a fornecer aos Estados Unidos fentanil, um poderoso opiáceo responsável por dezenas de milhares de mortes no país, todos os anos.

A China retaliou com a imposição de taxas até 15% sobre uma série de produtos agrícolas norte-americanos, incluindo soja, frango e carne de porco.

De acordo com a conta afiliada à CCTV, a exigência do Walmart de preços mais baixos “pode violar os contratos comerciais”. “Se o Walmart persistir com esta postura, as consequências para a empresa irão muito além de uma discussão”, antecipou a mesma fonte.

O Ministério do Comércio chinês não confirmou imediatamente as trocas com o retalhista norte-americano. A Câmara de Comércio de Importação e Exportação de Têxteis da China apelou aos retalhistas norte-americanos para “resolverem de forma justa e razoável os problemas relacionados com o comércio internacional”, num comunicado divulgado ontem.

A organização afirmou ter sido recentemente informada de que grandes empresas norte-americanas solicitaram aos fornecedores chineses uma descida dos preços. “Continuamos a avaliar a situação. Se [a situação] for verdadeira, tomaremos medidas positivas para proteger os interesses legítimos das empresas membros da Câmara”, acrescentou, no mesmo comunicado.

A instituição disse ter tomado nota da troca de impressões entre Pequim e o Walmart e esperar que “as empresas dos dois países possam resolver questões relacionadas com preocupações comuns através de consultas amigáveis”.