Macau registou 90 casos de suicídio o ano passado – o maior número em mais de uma década 

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25 pessoas tiraram a própria vida no último trimestre de 2024. Há pelo menos 11 anos que o número de suicídios não era tão elevado, agravando aquela que tem sido uma tendência crescente e particularmente expressiva após o levantamento das restrições pandémicas.

 

Foram registados 25 casos de morte por suicídio no quarto trimestre do ano de 2024, elevando para 90 o número total de casos no ano passado. Este é o número mais alto de mortes por suicídio registado em Macau desde, pelo menos, 2013.

O quatro trimestre de 2024 foi o que assinalou mais vítimas mortais por suicídio, comparado com os restantes três: os dois primeiros contabilizaram 22 casos, individualmente, e o terceiro 21.

Os dados disponibilizados pelos Serviços de Saúde apontam para um número de vítimas do sexo masculino bastante superior ao do sexo feminino (17 e 8, respectivamente) neste último trimestre, confirmando uma incidência maioritariamente masculina nas mortes por suicídio ocorridas em Macau. As vítimas pertenciam a diferentes faixas etárias, com idades compreendidas entre os 13 e os 75 anos, e a maioria (20 pessoas, ou seja, 80%) era residente de Macau.

As estatísticas mais recentes esboçam um retrato pessimista da última década e evidenciam uma tendência crescente no número de suicídios cometidos na RAEM: se o ano de 2023 já se tinha destacado por atingir o número mais elevado da última década, 88, o total de vítimas de 2024 ultrapassa-o e chega aos 90. Não obstante, importa relevar que os dados disponibilizados pelos Serviços de Saúde e pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos apenas remontam a 2013 e não permitem uma análise mais ampla de como este fenómeno tem evoluído ao longo do início do século XXI.

Em comunicado, os Serviços de Saúde revelam que os dados recolhidos permitem concluir que “as possíveis causas de suicídio são principalmente resultantes de doenças mentais e de problemas emocionais, financeiros ou relacionados com o jogo”. Advertem, porém, que as causas do suicídio são “complexas” e que poderão dever-se a uma combinação de múltiplos factores, como “doenças mentais, factores psicológicos, socioeconómicos, familiares, de relações humanas e factores genéticos biológicos”.

A autoridade de saúde salienta que “a prevenção eficaz do suicídio requer a atenção de todos”, sendo indispensáveis a empatia e a conexão com o próximo. “Para reduzir a incidência de suicídio, os residentes devem contactar, comunicar e preocupar-se mais com as pessoas que estão ao seu redor, com as suas vidas diárias e incentivar aquelas que estão com problemas emocionais a procurar activamente ajuda profissional”, lê-se na nota de imprensa.

Os Serviços de Saúde referem ainda que, face a este problema, têm atribuído mais recursos, aumentado a acessibilidade dos serviços de saúde mental e apoiado as associações sem fins lucrativos na criação de instituições de aconselhamento psicológico comunitário. O Governo da RAEM tem, de resto, e como refere a nota de imprensa, “dado grande importância à saúde mental dos residentes”, nomeadamente através do alargamento das redes de apoio social e da mobilização de toda a sociedade.

Em simultâneo, também o número de pedidos de ajuda tem vindo a aumentar. Só no passado mês de Dezembro, a Caritas recebeu um total de 1.406 chamadas para a linha de apoio “Esperança de Vida”, sendo que 56 delas estavam relacionadas com pessoas que planeavam colocar termo à vida. Estes números mostram um aumento exponencial em relação a Dezembro de 2023, quando a linha de apoio da organização recebeu apenas 788 telefonemas.

Em declarações ao PONTO FINAL, no final do ano passado, Paul Pun, o secretário-geral da Caritas, indicou que eram os jovens quem mais recorria à linha de apoio, sobretudo devido a problemas familiares e pessoais. Outra causa para o aumento dos pedidos de ajuda – e que poderá ajudar a contextualizar os números do último trimestre de 2024 – relaciona-se com as festividades de Dezembro: “As festividades também afectam as relações interpessoais entre a família, por exemplo”.

A linha aberta da Caritas pode ser contactada através do número 28525222 e oferece apoio 24 horas em língua chinesa, inglesa e até portuguesa. Para mais informações sobre saúde mental, os Serviços de Saúde aconselham a consulta da “Página Electrónica de Informações sobre Saúde Mental”, disponível no website da instituição.

 

C.B.