Não foi registado em Macau, até ao momento, nenhum caso de burla ou extorsões através vídeos sintetizados com troca de rosto e simulação de voz, que envolvem a tecnologia ‘deepfake’. A garantia surgiu em resposta a uma interpelação do Gabinete do Secretário para a Segurança, onde se abordou ainda o caso de extorsão com imagens íntimas manipuladas tendo como alvo os deputados de Macau. As autoridades disseram que o caso não causou qualquer perda.
O caso de extorsão contra os deputados da Assembleia Legislativa com recurso a imagens íntimas em que os rostos são trocados, que ocorreu no ano passado, não provocou qualquer perda de bens, afirmou o Gabinete do Secretário para a Segurança. As autoridades asseguraram que a Polícia Judiciária, na sequência do caso, tomou medidas de sensibilização aos residentes e emitiu imediatamente um alerta para lembrar o público na identificação e resposta a crimes relacionados.
“Nos casos comunicados à polícia não se registou qualquer perda, graças ao facto de as vítimas terem prestado atenção às informações antifraude da polícia na sua vida quotidiana, mantendo-se vigilantes e comunicado atempadamente à polícia”, frisou o Gabinete de Wong Sio Chak, em resposta a uma interpelação escrita apresentada pelo deputado Leong Sun Iok.
O esquema de chantagem com fotografias manipuladas chegou aos deputados em Dezembro do ano passado. Recorde-se que, por ocasião de uma sessão plenária, o deputado Leong Hong Sai denunciou a Wong Sio Chak que foi alvo de uma tentativa de extorsão, tendo recebido um email com imagens falsificadas do seu rosto num contexto de nudez. Vários outros deputados também receberam emails com conteúdo semelhante e disseram ter “receio de abrir o email”.
Segundo o relato dos deputados à comunicação social, o email instruiu ainda os legisladores a contactarem um indivíduo através do WhatsApp para “lidar com a situação”, caso contrário a imagem em questão seria divulgada nas redes sociais. Crime semelhante aconteceu também na cidade vizinha, visando chantagear vários membros do Conselho Legislativo de Hong Kong.
Durante a reunião do hemiciclo, Wong Sio Chak admitiu que é difícil detectar os crimes online de extorsão com imagens pornográficas com troca de rosto, e que é necessário contar com mais acções de sensibilização para que a comunidade saiba que se trata de um esquema de extorsão.
Na resposta à interpelação, o Gabinete de Wong Sio Chak indicou que o esquema de imagens manipuladas já não é um novo tipo de crime, esclarecendo que a técnica é diferente à troca de rosto e simulação de voz que consiste em conversar por vídeo em tempo real, que utiliza a tecnologia de ‘deepfake’. “Até à data, as autoridades policiais não detectaram nem receberam qualquer caso de fraude ou extorsão por vídeos sintetizados por meio da troca de rosto e simulação de voz”, garantiu.
O Executivo sublinhou estar atento às mudanças e à evolução dos crimes com recursos à Inteligência Artificial, melhorando as capacidades e técnicas profissionais de investigação e, ao mesmo tempo, reforçando a recolha de informações e o trabalho de inspecção online.
Além disso, “mantemos uma estreita cooperação com as polícias das regiões vizinhas e com a polícia internacional, trocando informações de crimes e técnicas de investigação criminal, conduzindo a investigação e combate aos grupos criminosos no âmbito do mecanismo de cooperação policial transfronteiriça”, revelou a Polícia Judiciária citada pelo Gabinete de Wong Sio Chak.
O organismo referiu ter lançado um vídeo de sensibilização sobre os crimes com recursos à Inteligência Artificial que visa alertar o público sobre a tecnologia ‘deepfake’, que contou, até ao final do ano passado, com 147.000 visualizações.
Segundo avançou na resposta o Gabinete do Secretário para a Segurança, a Polícia Judiciária organizou no ano passado cerca de 700 actividades publicitárias com tema de combate a fraudes online e telefónicas, que acolheram 120.000 participantes.











