“Tremendas incertezas” sobre Trump serão “grande desafio” para a China, dizem analistas

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“As tremendas incertezas” quanto à política externa da futura administração do Presidente eleito, Donald Trump, representam um “grande desafio” para a China na sua relação com os Estados Unidos, segundo analistas do Instituto Mercator de Estudos Chineses (MERICS). Durante a conferência virtual “MERICS’ China Forecast 2025”, Manoj Kewalramani, investigador do Instituto Takshashila, afirmou que “apesar de ser difícil prever” a reação chinesa face ao novo Presidente norte-americano, empossado a dia 20, o “grande desafio” para o gigante asiático continuará a ser a manutenção da sua relação com os Estados Unidos (EUA), exacerbado pelas “tremendas incertezas” quanto à política externa da nova administração republicana. Kewalramani destacou que tais incertezas surgem devido às “divisões políticas e ideológicas no seio da administração republicana”. “A nova administração republicana tem um lado, com Elon Musk, que tem grandes interesses na China. Mas do outro lado estão os responsáveis pela segurança nacional, como o conselheiro de segurança nacional e o potencial secretário de Estado, Mark Rubio, que são mais agressivos em relação à China. Portanto, há um certo equilíbrio entre riscos e oportunidades”, afirmou Kewalramani.

Kewalramani salientou que o “último Governo de Trump foi duro com a China” no plano da segurança e da geopolítica, período durante o qual a região do indo-pacífico ganhou destaque na política externa norte-americana, através do fornecimento de armas a Taiwan e do aprofundamento das relações com a Índia, considerada por Trump como “um baluarte contra a China”. “É possível que Pequim continue a manifestar preocupação com as relações económicas com os EUA, devido às taxas alfandegárias e às restrições tecnológicas, mas também com os realinhamentos geopolíticos que a nova administração trará e o impacto que isso terá no equilíbrio de poder no indo-pacífico”, afirmou o investigador. Kewalramani destacou ainda que, ao analisar o histórico das políticas de Trump, é evidente que a “China terá pela frente um período difícil em todas as frentes”. No entanto, o especialista ressaltou que “a nova administração já segue uma direção diferente” face à seguida em 2016, o que poderá trazer “oportunidades” para Pequim. “Há potencialmente uma oportunidade para a China, uma vez que Trump afirmou não querer correr riscos quando se trata do envolvimento dos EUA em conflitos globais, o que poderá ter repercussões em Taiwan”, reiterou Kewalramani. O investigador do Instituto Takshashila sublinhou ainda que os próximos quatro anos serão marcados por “uma China confiante e assertiva”, que tentará “reduzir o desequilíbrio militar com os EUA e que procurará explorar quaisquer tensões entre os EUA e os seus aliados durante a era de Trump”.

No bloco europeu, a diretora executiva da organização não-governamental (ONG) Atlantik-Brücke, Julia Friedlander, defendeu que Donald Trump trará vantagens para a Europa e incentivará o continente “a adotar reformas que têm sido postas de lado”. “Do ponto de vista da regulamentação europeia, os fatores externos e o impulso adicional vindo do outro lado do Atlântico vão, na verdade, incentivar a Europa, em termos competitivos, a adotar reformas que têm sido postas de lado”, afirmou Friedlander, durante a sessão intitulada ‘O que é que a política europeia em relação à China tem pela frente, tendo em conta a evolução da dinâmica transatlântica?’.