As acções da empresa tecnológica chinesa Xiaomi atingiram máximos históricos, graças ao seu sucesso no setor dos veículos elétricos e aos apoios concedidos pelas autoridades do país para a compra de produtos eletrónicos. A chinesa BYD vendeu 4,3 milhões de veículos elétricos e híbridos em todo o mundo, no ano passado, um número recorde no segmento, apesar da forte concorrência no seu mercado doméstico.
As acções da empresa na Bolsa de Valores de Hong Kong subiram 5,88%, para 36 dólares de Hong Kong por unidade, ultrapassando o anterior máximo de 33,2 dólares de Hong Kong, fixado no final de 2020.
O optimismo dos investidores disparou depois de o número dois da Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento, o principal órgão de planeamento económico da China, ter avançado com “subsídios para os consumidores” que queiram comprar telemóveis, portáteis e outros dispositivos.
Esta iniciativa faz parte do “plano de renovação”, inicialmente avaliado em cerca de 700 mil milhões de dólares (680 mil milhões de euros), que Pequim anunciou em meados de março do ano passado para incentivar a renovação de maquinaria industrial ou a entrega de bens de consumo – por exemplo, eletrodomésticos – abatendo no pagamento de modelos novos.
O impulso estendeu-se a outras empresas que também podem beneficiar deste programa, como o maior fabricante mundial de portáteis, a Lenovo (+1,43%), o grupo de componentes acústicos AAC Technologies (+6,21%) e o produtor de lentes Sunny Optical (+4,33%).
As acções da Xiaomi têm tido uma tendência ascendente nos últimos meses devido ao sucesso do seu primeiro veículo elétrico, o sedan SU7, que superou as previsões internas ao vender 135.000 unidades em 2024.
Com o lançamento do SUV elétrico YU7 – um possível rival do Tesla Model Y – previsto para meados deste ano, o fundador e CEO do grupo, Lei Jun, publicou nas redes sociais que o objetivo é vender 300.000 veículos até 2025.
BYD regista recorde de vendas em 2024
A chinesa BYD vendeu 4,3 milhões de veículos elétricos e híbridos em todo o mundo, no ano passado, um número recorde no segmento, apesar da forte concorrência no seu mercado doméstico, anunciou a fabricante de automóveis.
As vendas da maior rival da norte-americana Tesla ficaram muito acima do objetivo de 3,6 milhões de unidades que estabeleceu anteriormente, segundo os dados divulgados pela empresa. “O campeão da China, o campeão do mundo”, escreveu a BYD, numa publicação difundida nas redes sociais. Se forem contabilizados apenas carros 100% elétricos, a BYD vendeu 1,76 milhões de unidades, ficando aquém da Tesla. A empresa norte-americana disse na quinta-feira que entregou 1,79 milhões de carros, no ano passado.
As chinesas Li Auto, Leapmotor e Xiaomi também ultrapassaram os objectivos traçados, vendendo 500.000, 290.000 e 135.000 veículos eléctricos, respetivamente, durante 2024.
Analistas do sector preveem que as vendas de veículos elétricos ultrapassem as dos automóveis com motores de combustão interna na China, pela primeira vez, em 2025, num novo marco para o segmento.
Os fabricantes de automóveis chineses estão a ser apoiados pela atribuição aos compradores de 20.000 yuan (cerca de 2.700 euros) na substituição de carros antigos a gasolina por eléctricos. No entanto, uma intensa concorrência e feroz guerra de preços colocaram dezenas de fabricantes sob pressão. Dezenas de empresas como a Xpeng e a Nio ficaram aquém dos objetivos de vendas, apesar de terem registado um crescimento.
A consolidação já está a remodelar o maior mercado de veículos elétricos do mundo. No ano passado, empresas em fase de arranque, como a HiPhi e a Jidu, apoiada pelo Baidu, entraram em colapso. O conglomerado automóvel Geely combinou as suas submarcas Zeekr e Lynk & Co em Novembro para “racionalizar as operações”.
O Presidente chinês, Xi Jinping, reconheceu o sucesso da indústria no discurso de Ano Novo. “O volume de produção anual [da China] de veículos de energia nova ultrapassou pela primeira vez os 10 milhões de unidades”, afirmou Xi, num discurso transmitido pela televisão. Lusa













