Xi Jinping diz ser “retrocesso histórico” ameaças de Trump sobre importações

0
43

 

O Presidente chinês, Xi Jinping, considerou como um “retrocesso histórico” a ameaça do futuro governante norte-americano Donald Trump de impor tarifas às importações do gigante asiático, tal como aconteceu durante o seu primeiro mandato presidencial na Casa Branca.

 

“Bloquear a cooperação económica sob vários pretextos e dividir um mundo interdependente representa um retrocesso histórico”, de acordo com um discurso escrito por Xi e proferido sábado pelo ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, no Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), em Lima, citado pela agência Bloomberg.

Para Pequim, “o mundo entrou num novo período de turbulência e mudança” e a “globalização económica enfrenta sérios desafios” face à “expansão do unilateralismo e do protecionismo”, bem como à “intensificação da fragmentação da economia mundial”.

Neste discurso foi afirmada a “total confiança” no cumprimento do objetivo de crescimento da China para 2024 (cerca de 5%), depois de os dados de outubro terem mostrado que a economia começou a recuperar após a implementação de medidas de estímulo.

Relativamente às nações emergentes do chamado Sul Global, Xi Jinping apelou a que estes países tenham uma voz mais ativa nos assuntos mundiais e que todos gozem de direitos e oportunidades iguais no seu desenvolvimento, cita ainda a agência Bloomberg. “Temos de orientar o desenvolvimento da globalização económica na direção certa e abandonar o velho caminho em que alguns países exercem a hegemonia”, considerou o responsável chinês, que defendeu ainda a necessidade de “impulsionar a globalização económica para desencadear mais efeitos positivos e entrar numa nova fase que seja mais dinâmica, mais inclusiva e mais sustentável”.

Quando Xi Jinping felicitou Trump pela vitória nas eleições presidenciais norte-americanas do passado dia 05 de novembro apelou a um entendimento entre os dois países, após anos de tensões bilaterais, informou na ocasião a imprensa oficial. “Uma relação sino-americana estável, saudável e duradoura está em conformidade com os interesses comuns dos dois países e com as expectativas da comunidade internacional”, sublinhou Xi.

Donald Trump e a rival democrata Kamala Harris prometeram durante a campanha eleitoral conter a ascensão da China, tendo o republicano prometido impor taxas de 60% sobre todos os produtos chineses que entram nos Estados Unidos da América (EUA).

Washington e Pequim devem “reforçar o diálogo e a comunicação, gerir adequadamente as suas diferenças, desenvolver uma cooperação mutuamente benéfica e encontrar a forma correta de a China e os Estados Unidos se entenderem nesta nova era, para benefício de ambos os países e do mundo”, acrescentou o governante chinês.

Xi Jinping e Donald Trump já se encontraram quatro vezes e o futuro Presidente dos EUA, que assumirá funções em janeiro de 2025, gabou-se recentemente da sua “relação muito forte” com o líder chinês. Mas a vitória de Donald Trump abre um período de incerteza para as relações económicas sino-americanas, que foram fortemente abaladas durante o primeiro mandato do republicano na Casa Branca (2017-2021), quando este desencadeou uma guerra comercial e tecnológica contra Pequim.

A China já está a braços com uma recuperação difícil pós-pandemia covid-19, sobrecarregada por fracos níveis de consumo interno e uma grave crise imobiliária, com muitos promotores endividados e preços a cair a pique nos últimos anos. Muitos analistas acreditam que a vitória de Donald Trump poderá levar os dirigentes chineses a aplicar um programa de reformas, nomeadamente para compensar as futuras taxas aduaneiras prometidas pelo líder republicano.

 

CAIXA

 

Xi diz a Biden que China está pronta para trabalhar com novo Governo

 

O Presidente chinês, Xi Jinping, disse ao homólogo norte-americano, Joe Biden, que “a China está pronta para trabalhar com um novo Governo” dos Estados Unidos, quando o Presidente eleito, Donald Trump, assumir o cargo, em janeiro próximo. Os dois líderes reuniram-se sábado à margem da cimeira anual da Cooperação Económica Ásia-Pacífico, em Lima, no Peru, e esperava-se que Biden exortasse Xi a dissuadir a Coreia do Norte de aumentar o seu apoio à Rússia na guerra contra a Ucrânia, em curso desde Fevereiro de 2022. Biden declarou-se orgulhoso do trabalho que os dois países realizaram desde a sua última reunião, que decorreu no ano passado, à margem da conferência realizada em São Francisco. “Nos últimos quatro anos, as relações entre a China e os Estados Unidos sofreram altos e baixos, mas com nós os dois ao leme, também nos envolvemos em diálogos e cooperação frutuosos e, em geral, alcançámos estabilidade”, sustentou Biden. É a última vez que os dois líderes se encontram, com Biden como chefe de Estado, uma vez que este está prestes a deixar o cargo para a dar lugar a Trump, a 20 de janeiro de 2025. Há muita incerteza sobre o que está por vir na relação EUA-China sob a Presidência de Trump, que fez campanha prometendo cobrar 60% de tarifas aduaneiras sobre as importações chinesas.

 

CAIXA

 

Xi e Biden concordam em não ceder controlo nuclear a Inteligência Artificial

 

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o homólogo chinês, Xi Jinping, concordaram em não ceder o controlo das armas nucleares à Inteligência Artificial (IA). “Com base num diálogo franco e construtivo sobre a IA (…), os dois líderes afirmaram a necessidade de manter o controlo humano sobre a decisão de utilizar armas nucleares” e sublinharam “a necessidade de considerar cuidadosamente os riscos potenciais e desenvolver a tecnologia de IA no domínio militar de forma prudente e responsável’, referiu um comunicado da Casa Branca. No início do encontro entre os dirigentes norte-americano e chinês em Lima, capital peruana, no encerramento da reunião de líderes do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), Xi Jinping garantiu que está pronto para trabalhar com o futuro presidente dos EUA, Donald Trump, que toma posse em 20 de janeiro. Xi Jinping notou ainda que EUA e China devem “ter em mente o bem-estar dos dois povos e o interesse comum da comunidade internacional, tomar decisões sensatas, continuar a explorar a melhor forma de as duas grandes nações se entenderem e alcançarem uma longa coexistência pacífica”. “Os Estados Unidos concluíram recentemente as suas eleições. O objectivo da China de uma relação estável, saudável e sustentável China-EUA não mudou”, acrescentou. Joe Biden falou sobre as “muitas horas” que passou nos quatro anos de mandato a falar com Xi e os progressos alcançados desde a última reunião em Woodside, Califórnia, no ano passado, em matéria de controlo de narcóticos, como o fentanil, e de comunicação militar. “Nem sempre estivemos de acordo, mas as nossas conversas foram sempre honestas e francas”, disse Xi Jinping.