Comerciantes de restauração criticam taxas elevadas das plataformas de entrega

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

No programa de rádio “Fórum Macau” foram discutidas as preocupações dos comerciantes de restauração do território em relação às plataformas de entrega de alimentos. Representantes do sector criticaram as altas taxas cobradas pelas empresas de entrega de comida, dizendo que estão a afectar a sustentabilidade das pequenas e médias empresas locais. O debate também abordou a necessidade de regulamentações justas e a segurança dos motoristas deste serviço, destacando a urgência em promover um ambiente de trabalho mais equilibrado e sustentável para os dois sectores.

 

O debate sobre o mercado de ‘take-away’ em Macau tem merecido a atenção de diversos sectores, incluindo comerciantes de restauração, representantes do Governo e membros de conselhos consultivos. Nos últimos tempos, muitos comerciantes têm expressado a sua preocupação com as elevadas taxas impostas pelas plataformas de entrega de alimentos, bem como o impacto que estas taxas têm sobre a sustentabilidade das pequenas e médias empresas (PME) do sector. O assunto foi discutido no programa de rádio em chinês da TDM “Fórum Macau” entre três elementos da comunidade de comerciantes da área da restauração.

Um dos convidados ao programa foi Fong Kin Fu, vice-presidente da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau, que começou por salientar o dilema que os fornecedores de refeições enfrentam em aliar a produção de produtos de qualidade à necessidade de se integrarem activamente nas plataformas de ‘take-away’ para garantir a sua sobrevivência no mercado, sendo que a presença nas diferentes plataformas oferece mais competitividade e visibilidade aos restaurantes. Segundo Fong, a escolha da plataforma deve ser feita com cautela, ponderando as taxas associadas e a capacidade financeira do estabelecimento. A participação de várias partes, como o Governo e as próprias plataformas, é fundamental para a formulação de um sistema de regulamentação que promova um ambiente de negócios mais justo e sustentável, afirmou.

Outro ponto de vista, defendido por Lao Cho Chon, membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte, enfatiza que a intervenção do Governo tem limites e que é essencial que tanto os comerciantes quanto os residentes optem por apoiar as plataformas de ‘take-away’. A relação entre os comerciantes e as plataformas é simbiótica, disse Lao, onde a diminuição de estabelecimentos de restauração afectaria não apenas os proprietários, mas também a operação das próprias plataformas de entregas. Para a promoção de um desenvolvimento mútuo é necessário encontrar um equilíbrio que permita a sobrevivência das PMEs, enquanto as taxas em questão são reguladas em benefício mútuo.

“É também necessário mudar a mentalidade dos pequenos restaurantes, uma vez que é relativamente difícil confiar nas plataformas de entregas como base do negócio, pois recebem sempre uma parte e espremem os lucros, enquanto os comerciantes recebem apenas um pequeno lucro. É preciso encontrar um meio termo”, esclareceu Lao.

A proposta de uma solução “Made in Macau” para as plataformas de ‘take-away’, onde regras e directrizes seriam definidas de forma a respeitar a natureza local do mercado, foi apresentada pelo terceiro elemento do debate, Chan Ian Ian, também membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte. Esta proposta visa evitar a mera replicação dos modelos existentes na China Continental, que podem não ser adequados à realidade de Macau. A sugestão de que o Governo intervenha para regular as taxas e supervisão do mercado ganhou força entre a comunidade, embora alguns, como Lao Cho Chon, alertem para os riscos de uma regulamentação excessiva que possa sufocar a flexibilidade necessária para o funcionamento dinâmico do sector.

Além das questões económicas, há preocupações relativas à segurança dos condutores de entrega, frequentemente reportadas devido a acidentes rodoviários. Fong Kin Fu reforça a necessidade de as plataformas de ‘take-away’ melhorarem o controlo de qualidade e segurança dos seus motoristas, propondo que sejam implementadas formações e orientações que garantam não só o cumprimento das normas de segurança rodoviária, mas também uma adequada conduta profissional.

A crítica dos comerciantes às empresas de entrega de comida em Macau reflecte uma necessidade de reavaliação das relações de trabalho no sector do ‘take-away’, mercado que cresceu exponencialmente durante os tempos de pandemia, mas que ainda não sofreu as regulamentações necessárias após a recuperação da economia. A colaboração entre todos os intervenientes, a promoção da concorrência leal, a regulamentação justa e a formação adequada dos motoristas, são elementos cruciais para assegurar a viabilidade económica dos estabelecimentos de restauração, protegendo simultaneamente os direitos dos consumidores, locais e internacionais, algo que, segundo os oradores deste debate, é fundamental para o desenvolvimento sustentável deste mercado na região.