A Guarda Costeira da China anunciou ontem que devolveu a Taiwan quatro tripulantes de um navio de pesca taiwanês interceptado em Julho, quando navegava perto das ilhas Kinmen, que estão sob controlo de Taipé mas perto do continente chinês.
A embarcação, com cinco tripulantes e 1.335 quilogramas de produtos da pesca a bordo, foi detida por suspeita de “pesca ilegal”, disse a guarda costeira, em comunicado. Após uma investigação preliminar, verificou-se que quatro dos cinco membros da tripulação cometeram infrações menores e não vão ser alvo de acusações criminais, referiu, na mesma nota.
Estes quatro indivíduos foram agora repatriados para Taiwan. No entanto, um dos membros da tripulação continua sob investigação.
O navio navegava a 2 de Julho a cerca de 23,7 milhas náuticas (43,89 quilómetros) a nordeste da baía de Liaoluo quando foi “abordado e detido” por dois navios da Guarda Costeira chinesa, indicou um comunicado da Guarda Costeira de Taiwan (CGA).
Taiwan enviou então três dos navios da Guarda Costeira para tentar resgatar a embarcação, que transportava dois taiwaneses e três indonésios, e emitiu avisos via rádio a exigir a “libertação imediata”, mas o homólogo chinês respondeu para “não intervirem” no processo.
As ilhas Kinmen, um dos principais focos de conflito entre Taipé e Pequim desde o fim da guerra civil chinesa em 1949, situam-se a apenas 10 quilómetros da cidade chinesa de Xiamen e a 180 quilómetros da ilha principal de Taiwan. As tensões em torno deste arquipélago, onde vivem cerca de 100.000 taiwaneses, aumentaram em 14 de Fevereiro, quando uma lancha chinesa – sem certificado, nome ou número de registo portuário – entrou nas águas ao largo de Kinmen e dois dos quatro tripulantes morreram após uma perseguição pela Guarda Costeira de Taiwan. Na sequência deste incidente, a China anunciou patrulhas para “proteger as vidas e os bens dos pescadores” nesta zona.
Líder de Taiwan quer reforçar cooperação com EUA
Taiwan quer reforçar a cooperação com os Estados Unidos “face à expansão do autoritarismo”, anunciou ontem o líder do governo da ilha, William Lai. “Taiwan continuará a esforçar-se, juntamente com os Estados Unidos, para proteger a democracia e a liberdade, permitindo que a luz da democracia em Taiwan continue a brilhar no mundo”, disse Lai a quatro congressistas democratas norte-americanos de visita a Taipé.
“A segurança do Estreito de Taiwan é crucial para a estabilidade e a prosperidade globais”, disse Lai aos congressistas norte-americanos, citado pela agência espanhola EFE. “Como membro responsável da comunidade internacional, Taiwan manterá o ‘status quo’ com dignidade”, acrescentou.
Lai, considerado um independentista por Pequim, reiterou ainda o empenho na reforma das forças armadas taiwanesas e na cooperação com os parceiros de Taiwan para salvaguardar a “paz e a estabilidade” no estreito.
A congressista do estado de Washington Marilyn Strickland afirmou que a relação entre os Estados Unidos e Taiwan é inquebrável por partilharem muitos valores democráticos. Referiu a existência de “forças hostis em todo o mundo que procuram minar a democracia, utilizando a desinformação para influenciar as eleições nos países democráticos” e prejudicar as relações com os aliados de Washington. “Os Estados Unidos não ficarão de braços cruzados e estarão ao lado de Taiwan e de outros países democráticos para promover os valores da democracia e da liberdade”, afirmou.
A delegação de congressistas chegou a Taiwan no domingo, em mais uma visita de representantes norte-americanos que desagrada à China. As visitas regulares continuaram após a crise entre Pequim e Washington provocada pela viagem a Taipé, em Agosto de 2022, da então presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, que enfureceu a China.
O Ministério da Defesa Nacional de Taiwan disse ontem que 16 caças chineses atravessaram de manhã a bacia hidrográfica do estreito e entraram na autoproclamada Zona de Identificação de Defesa Aérea de Taiwan (ADIZ). Lusa













