EUA concedem 500 milhões de dólares de ajuda à segurança das Filipinas

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Os Estados Unidos vão conceder 500 milhões de dólares de ajuda militar às Filipinas, anunciou ontem o secretário de Estado norte-americano Antony Blinken, que se encontra em Manila para reafirmar o apoio norte-americano.

 

“Vamos atribuir mais 500 milhões de dólares (…) às Filipinas para reforçar a nossa colaboração em matéria de segurança”, declarou Blinken em conferência de imprensa. Blinken destacou que este tipo de ajuda só acontece “uma vez em cada geração”.

Esta quantia que vai ser atribuída às Filipinas faz parte de um pacote de ajuda mais amplo (dois mil milhões de dólares) destinado a “territórios da região” (Ásia) e aprovado no passado mês de Abril pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e o secretário da Defesa, Lloyd Austin, visitaram o Presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., que reforçou a aliança entre Manila e Washington, numa altura em que as hostilidades entre as forças filipinas e chinesas se intensificaram no disputado mar do Sul da China.

Marcos elogiou as linhas de comunicação “muito abertas” entre os dois países, de modo a que a aliança e questões relativas ao mar do Sul da China e à região do Indo-Pacífico “sejam continuamente examinadas e reexaminadas para que sejamos ágeis em termos das nossas respostas”.

Blinken afirmou que “os compromissos de alto nível entre os países abrangem toda a gama de questões e oportunidades que os unem, não só em termos de segurança, mas também económicos”. Marcos tem sublinhado a necessidade de uma presença militar dos EUA para a estabilidade e a paz na Ásia.

Na semana passada, Filipinas e China chegaram a um acordo temporário para evitar incidentes como o violento confronto entre as respectivas forças, em 17 de junho, no Atol Segundo Thomas, disputado pelos dois países.

No sábado, as forças filipinas transportaram abastecimentos e novo pessoal da marinha para o atol, que tem sido vigiado de perto pelas forças chinesa, mas, pela primeira vez, não foram registados confrontos.

As Filipinas vão continuar a reforçar a defesa territorial com a ajuda norte-americana e de outras potências militares e a construir novas alianças de segurança, declarou o embaixador filipino nos Estados Unidos, Jose Manuel Romualdez. “O reabastecimento e a rotação sem confrontação são puramente temporários. A República Popular da China não vai parar e nós também estamos determinados a isso”, disse Romualdez, citado pela agência de notícias Associated Press.

Os 500 milhões de dólares (462 milhões de euros) em financiamento militar dos EUA a serem anunciados por Austin em Manila vão incluir fundos para vários equipamentos da marinha filipina.

Cerca de 125 milhões de dólares (115 milhões de euros) vão ser usados para construções e outras melhorias em áreas dentro das bases militares filipinas a serem ocupadas pelas forças dos EUA sob o Acordo de Cooperação de Defesa Reforçada de 2014, disse Romualdez, acrescentando que os fundos foram aprovados com apoio do Congresso dos EUA.

O financiamento militar dos EUA pode duplicar no próximo ano “dependendo da capacidade de o absorver”, indicou.

O progresso nas negociações sobre um pacto militar proposto, o Acordo de Segurança Geral de Informações Militares, também estará no topo da agenda das conversações entre Austin e o secretário de Defesa das Filipinas, Gilberto Teodoro Jr., disse.

O acordo, que Washington forjou com outros países aliados, permitiria que os EUA fornecessem às Filipinas informações de alto nível e armas mais sofisticadas, incluindo sistemas de mísseis.

No encontro com Blinken e Austin, Marcos aludiu às intensas questões políticas nos Estados Unidos antes das eleições presidenciais de Novembro. “Estou um pouco surpreendido tendo em conta o quão interessante a vossa situação política nos Estados Unidos se tornou, mas estou contente por terem arranjado tempo para nos visitar”, disse Marcos.

No ano passado, Marcos aprovou a expansão da presença militar dos EUA em mais quatro campos militares ao abrigo do acordo de 2014 e os maiores exercícios de guerra entre as forças filipinas e norte-americanas foram realizados, sob a sua administração, no país. A China afirmou que o aumento da presença das forças norte-americanas ia colocar em risco a paz e a segurança regionais.

O Governo filipino afirmou que tem o direito de agir para salvaguardar os interesses territoriais e de segurança do país. Lusa