As autoridades locais acreditam que a taxa de natalidade pode voltar a aumentar, depois de uma queda contínua de quase uma década. Os centros de saúde em Macau dão nota de que o número de grávidas registou um crescimento no primeiro semestre deste ano, em cerca de 4%. Nesse sentido, deverá haver mais nados-vivos até ao início do próximo ano, ainda no Ano do Dragão, ano lunar que é tradicionalmente auspicioso para se ter filhos.
A taxa de natalidade poderá registar um acréscimo num futuro próximo, nomeadamente até ao início do próximo ano, ainda dentro deste ano lunar do Dragão, ano que é sempre marcado com mais nados-vivos em Macau devido à crença popular na cultura chinesa de ser uma altura auspiciosa para se nascer.
A previsão do aumento da natalidade é feita pelo Executivo, segundo noticiou o Jornal Ou Mun, e as autoridades de saúde avançaram que, no primeiro semestre deste ano, um total de 3.053 mulheres grávidas marcaram os seus primeiros exames pré-natais, o que representa uma subida de 4,2% em relação ao mesmo período do ano passado, com 2.929 mulheres.
De acordo com Chou Mei Fong, chefe do Centro de Saúde da Areia Preta dos Serviços de Saúde, com esses dados estatísticos, estima-se que a taxa de natalidade irá aumentar. Recorde-se que os centros de saúde em Macau são responsáveis por prestar serviços ambulatórios de cuidados pré-natais a mulheres grávidas com cuidados holísticos durante todo o ciclo da gravidez, sendo que a primeira consulta pré-natal deve ser antes das 12 semanas de gravidez, idealmente pelas oito semanas. Neste caso, as grávidas que procederam ao primeiro exame pré-natal até Junho devem dar à luz até Janeiro do próximo ano.
A taxa de natalidade da região tem sido baixa nos últimos anos com uma quebra consecutiva durante quase uma década, desde 2015. A última vez que Macau registou um crescimento da natalidade foi em 2014. Em 2012, atingiu o nível de 12,9% de natalidade, também Ano do Dragão no calendário lunar, com 7.315 nados-vivos. Na comunidade chinesa, o Ano do Dragão é associado ao aumento dos nascimentos, uma vez que se acredita que o animal do zodíaco chinês dá sorte, com representação de sucesso, coragem e vitalidade, e que os bebés do Dragão são abençoados. Por vezes, o fenómeno pode ser ainda um desafio à sociedade em algumas regiões asiáticas porque a procura de vagas nas escolas para crianças em idade escolar, nascidas no Ano do Dragão, é mais elevada do que nos outros anos.
É de salientar que houve 856 nados-vivos no primeiro trimestre deste ano, 10,9% menos em termos trimestrais. Em 2023 registaram-se 3.712 nados-vivos, uma quebra anual de 14,5%, com a taxa de natalidade a situar-se em 5,5%, enquanto que em 2022 existiram 4.344 recém-nascidos, sendo a natalidade 6,4%. Já a taxa de natalidade nos anos anteriores continuou a registar uma diminuição, de 11,8% em 2014 até 5,5% em 2023, um decréscimo anual entre 1,1 e 0,7 pontos percentuais.
O Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, foi confrontado por diversas vezes na Assembleia Legislativa com o problema de baixa natalidade em Macau. Em Abril deste ano, numa sessão plenária o líder da RAEM também falou na esperança de conseguir o tradicional “efeito do Ano do Dragão”, de modo a que a taxa de natalidade este ano “volte a ser melhor”. Ho Iat Seng assegurou ainda que o Governo está empenhado em incentivar o nascimento, mas a questão parte sobretudo da vontade do público de procriar.
Desse modo, os centros de saúde disseram agora que se estão a dedicar a prestar serviços integrados de “prevenção de doenças, exames, avaliação e rastreio” às mulheres grávidas durante todo o ciclo de gravidez, incluindo testes pré-natais, rastreio da síndrome de Down e da Talassemia, exames de avaliação do desenvolvimento fetal em várias fases da gravidez, rastreio das complicações da diabetes gestacional e da hipertensão. “São igualmente prestados serviços de apoio psicológico às mulheres grávidas que delas necessitem, a fim de garantir a prestação de cuidados físicos e psicológicos completos durante a gravidez”, afirmam.











