Saúde mental e doenças crónicas entre as principais preocupações no Plano de Acção para Macau Saudável

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

O Governo publicou ontem o Plano de Acção para Macau Saudável, que estabelece 20 objectivos específicos e 52 indicadores de avaliação que têm de ser atingidos em 2030. As metas abrangem factores como risco na saúde, a saúde mental e as principais doenças crónicas e infecciosas. As autoridades esperam popularizar um estilo de vida saudável e diminuir o número de óbitos prematuros relacionados com doenças crónicas. Segundo o plano, o Executivo pretende incorporar a saúde mental nos serviços de cuidados de saúde comunitários, aumentando a taxa de consciencialização de doentes de hipertensão para um valor superior a 70% e a dos diabéticos para mais de 80%.

 

São 20 objectivos específicos e 52 indicadores de avaliação relacionados à saúde na comunidade que o Governo de Macau estabelece, no Plano de Acção para Macau Saudável, para serem concretizados até 2030. Estes objectivos e indicadores de avaliação abrangem os factores de risco na saúde, a saúde mental e as principais doenças crónicas e infecciosas, prevendo-se que, em seis anos, Macau consiga atingir a popularização de um estilo de vida saudável e melhoria da literacia dos residentes em matérias de saúde.

Além disso, o Executivo espera ainda controlar os principais factores de risco que afectam a saúde dos residentes, diminuir o número óbitos prematuros relacionados com as principais doenças crónicas e gerar uma “melhoria contínua” na qualidade de vida dos residentes. “Com o desenvolvimento urbano de Macau, o envelhecimento da população e a mudança dos estilos de vida, doenças crónicas como a hipertensão, a diabetes, as doenças cardiovasculares e o cancro, constituem os principais desafios em matéria de saúde em Macau. Isso resulta numa procura cada vez maior de serviços de saúde e na principal causa de morte dos residentes de Macau”, salientou Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde (SSM), numa conferência de imprensa realizada ontem.

Alvis Lo apontou que a maioria das doenças crónicas é evitável, ou seja, deve-se prevenir a ocorrência e o desenvolvimento de doenças crónicas através da formulação de políticas saudáveis e da criação de um ambiente saudável para a população. O responsável adiantou que o Plano de Acção para Macau Saudável articula-se com os recursos das áreas da saúde, educação, cultura e desporto, integrando elementos de saúde em todas as políticas públicas e colaborando com o desenvolvimento de ‘Big Health’ de Macau.

Segundo explicou o também médico, o referido plano de acção propõe três orientações políticas, nomeadamente mudar o paradigma numa transição de cuidados de saúde para gestão da saúde; descentralizar os recursos do hospital para a comunidade; e mudar a mentalidade dos residentes e incentivar a mudança de uma atitude passiva para uma gestão activa da saúde.

Nesse sentido, as autoridades vão apostar mais no tratamento precoce das doenças, colocar mais recursos médicos na comunidade, incluindo as associações de serviços comunitários, bem como incentivar os residentes a procurar serviços de cuidados de saúde no âmbito da prevenção e a realizar auto-gestão de doenças crónicas.

 

VIDA MAIS SAÚDAVEL

 

No que diz respeito aos objectivos específicos constados no Plano de Acção para Macau Saudável, quanto a factores de risco na saúde, o Executivo sugeriu baixar o consumo nocivo de álcool, conter o aumento da inactividade física, diminuir o rácio de pessoas com consumo insuficiente de frutas e legumes e diminuir a taxa de consumo de tabaco, particularmente atingindo uma descida de 30%, face a 2010, na taxa de consumo de tabaco entre pessoas com 15 anos ou mais.

A saúde mental também surge em destaque no documento. O Governo pretende elaborar e implementar regulamentos relacionados e reforçar e alargar os serviços comunitários, para desenvolver uma rede de apoio que satisfaça a procura da população.

“Ao nível de ambiente saudável, a sensibilização do público para a saúde mental será reforçada para reduzir a discriminação de pacientes com problemas de saúde mental e criar uma atmosfera social de apoio. Ao nível de comportamentos saudáveis, os conhecimentos dos residentes sobre a saúde mental serão reforçados através de educação e formação, sendo os residentes encorajados a procurar activamente o apoio psicológico e os serviços de saúde, conduzindo com eficácia a uma prevenção e controlo dos problemas de saúde mental, melhorando o nível global da saúde da sociedade”, realçou.

Para as doenças crónicas, foram criados objectivos para prevenir e controlar a hipertensão e a diabetes, bem como conter o aumento da prevalência da obesidade. Em concreto, é proposto manter a taxa de consciencialização de todas as pessoas com hipertensão em valor igual ou superior a 70%, tanto como uma taxa de tratamento igual ou superior a 60%. Sugere-se ainda uma taxa de consciencialização de todos os diabéticos igual ou superior a 80%.

Foi estabelecida a meta de acelerar a erradicação do cancro do colo do útero, com uma taxa igual ou superior a 90% na percentagem de jovens do sexo feminino que terão recebido a segunda dose da vacina contra o papilomavírus humano (HPV) antes dos 15 anos de idade e, além disso, 70% ou mais de mulheres que realizaram o primeiro rastreio do cancro do colo do útero antes dos 35 anos, e com um novo rastreio entre os 35 e os 45 anos.

Outros objectivos consistem em baixar a taxa de mortalidade do cancro da mama, baixar o número de mortes causadas pelas principais doenças crónicas por cérebro- cardiovasculares, cancros, diabetes ou doenças crónicas do sistema respiratório, erradicar a hepatite B crónica e a hepatite C crónica, acabar com a epidemia do VIH/SIDA e acabar com a tuberculose.

 

DESAFIOS NA ACTUALIDADE

 

O documento do plano de acção divulgado ontem abordou ainda os principais desafios em matéria de saúde, alertando para as práticas de vida saudável inadequadas entre os residentes. Segundo o relatório, os residentes de Macau passam a maior parte do seu tempo de lazer em vários comportamentos sedentários, especialmente a navegar na internet num computador ou telemóvel. Ou seja, 90% dos adolescentes não atingem o nível recomendado de actividade física diária.

“No que respeita à alimentação, cerca de 40% dos residentes não consomem a quantidade recomendada de frutas e legume, especialmente os jovens. Pelo menos 30% dos residentes consomem mais carne vermelha e sal do que o recomendado”, destacou.

Além disso, cerca de 25% dos residentes sofrem de doenças crónicas, como hipertensão, diabetes, doenças cardíacas e tumores. Mais de 80% dos casos de morte registados em Macau em 2023 foram causados por doenças crónicas.

Os dados dos SSM mostram que 26% da população sofre de hipertensão, mas apenas sete em dez doentes sabem que têm esta doença. Oito em dez destes sabem que são hipertensos e recebem o tratamento e só 50% conseguem um bom controlo do nível da pressão sanguínea.

É de salientar ainda que a utilização dos serviços de saúde, compreendidos pelos serviços especializados hospitalares de ambulatório, urgência e internamento, bem como os serviços de cuidados de saúde comunitários, revelou um crescimento notório entre 2009 e 2019, tendo a produção global nos serviços de saúde em Macau crescido cerca de 60%. Ao mesmo tempo, a procura de serviços de internamento entre os idosos de Macau é seis vezes superior à de outros grupos etários, “o que realça a importância de investir recursos em medidas preventivas e estratégias de tratamento precoce, especialmente entre populações de alto risco como a população idosa”, referiu ainda o documento.