Grupo preocupado com aumento de abandono de animais

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FOTOGRAFIA EDUARDO MARTINS_ARQUIVO

O grupo Everyone Stray Dogs Macau Volunteer Group lançou um alerta para os crescentes casos de abandono de animais, bem como a falta de espaço de abrigo para os mesmos. Considerando que a actual lei de protecção dos animais não prevê impedimento ou força de dissuasão suficientes para abandonos, o grupo solicitou uma revisão da legislação, mas também mais educação para a vida juntos aos cidadãos.

 

Mais um alerta para o abandono de animais em Macau. O grupo Everyone Stray Dogs Macau Volunteer Group revelou que a situação de abandonos de animais no território está a deteriorar-se e há cada vez mais animais que precisam de resgate e abrigo, esperando que o Governo tome medidas, através da revisão da lei e do reforço da educação, para reduzir e evitar a ocorrência deste tipo de situações.

Chan In Cheng, representante do grupo, salientou que o problema de animais abandonados persiste em Macau e continua a acontecer nos últimos tempos, tendo a associação já resgatado um total de 39 animais de Janeiro a Abril deste ano. “Entre os animais resgatados, muitos dos cães abandonados são de raças populares e não tinham registos com microchip, pelo que é provável que tenham sido contrabandeados ilegalmente para Macau para serem vendidos”, apontou.

A responsável, em declarações ao Jornal Ou Mun, revelou que recebeu recentemente um cão idoso do Canil Municipal, que foi abandonado pelo proprietário e encontra-se com várias doenças na pele, no coração e na boca, o que mostra que “o antigo proprietário nunca cumpriu a responsabilidade de cuidados”, segundo a activista para a protecção de animais.

O referido cão foi entregue ao Instituto para os Assuntos Municipais (IAM). Recorde-se que a lei de protecção dos animais estabelece o procedimento em caso de impossibilidade de criação de animais, ou seja, o proprietário de animal, que não o possa criar ou transferir para outrem, pode entregá-lo ao IAM, mediante o pagamento de um montante fixo correspondente às despesas de alimentação e alojamento.

Segundo explicou Chan In Cheng, nesse sentido, o proprietário, quando quiser abandonar o animal, é sujeito a pagar uma taxa de licença de cão de 990 patacas, se o animal não for registado com microchip, e mais um montante de despesas de alimentação e alojamento de 1.000 patacas. “Isso leva as pessoas a questionar se um custo de abandono tão baixo irá incentivar a prática”, referiu.

De acordo com os dados do Canil Municipal, nos primeiros cinco meses deste ano, 24 gatos e 30 cães foram enviados para a instituição, e 203 gatos e 293 cães vadios foram capturados. Para além disso, 204 cães e 76 gatos foram eutanasiados até Maio. Chan In Cheng realçou ainda que há falta de espaço nos abrigos para os animais permanecerem e aguardaram até serem adoptados.

Chan In Cheng espera que o Governo proceda à revisão legislativa o mais rápido possível para aumentar o custo que os donos têm de pagar por abandonarem os seus animais. A responsável do Everyone Stray Dogs Macau Volunteer Group sugeriu ainda criar uma lista negra para proibir aqueles que abandonam de adoptarem novamente animais num curto espaço de tempo.

Na opinião da activista, além das alterações na lei, deve também ser reforçada a educação, “sensibilizando, através de uma educação para a vida, mais pessoas para preciosidade da vida e para a responsabilidade de criação de animais de companhia, de modo a reduzir o abandono de animais”, defendeu.