China pede aos EUA que sejam coerentes nas relações económicas e comerciais

0
26

 

A China instou os Estados Unidos a serem “coerentes” e “respeitadores” nas relações económicas e comerciais com Pequim e a não imporem sanções contra empresas chinesas enquanto “dizem querer cooperar” com o país asiático.

 

 

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning, disse em conferência de imprensa que a China “sempre acreditou que o desenvolvimento de relações económicas e comerciais saudáveis e estáveis com os Estados Unidos beneficia ambos os países e o mundo”.

A porta-voz reagiu assim às recentes declarações da secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, que afirmou que o papel excessivo das empresas estatais na China “limita o crescimento” e que o “controlo excessivo” por parte do aparelho de segurança “impede o investimento”.

Mao acrescentou que a China está disposta a seguir os princípios do respeito mútuo e da coexistência pacífica e a promover o desenvolvimento saudável e estável das relações económicas e comerciais bilaterais entre Pequim e Washington.

A porta-voz sublinhou ainda que a China espera que os EUA sejam “coerentes” e não contradigam as suas palavras com acções, à medida que, ao mesmo tempo que reiteram a sua vontade de cooperar com a China e não procurar a ‘dissociação'”, ameaçam sancionar empresas chinesas.

Washington anunciou recentemente a inclusão de três empresas chinesas na lista de entidades sancionadas pela Lei de Prevenção do Trabalho Forçado Uigur (UFLPA), que já afectou 30 empresas desde que Biden a promulgou em 2021, e que foi fortemente criticada por Pequim.

O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que a China e os EUA têm “um enorme potencial e perspectivas promissoras” para reforçar a cooperação a nível económico e comercial, numa altura em que os dois países procuram descongelar as relações após anos de hostilidades.

Xi revelou ainda que “chegou a um importante consenso” com o Presidente dos EUA, Joe Biden, na reunião que tiveram em Novembro passado, à margem da cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), em São Francisco.

No entanto, as duas partes continuam a manter as hostilidades em relação a questões como Taiwan, o Mar do Sul da China ou o acesso das empresas chinesas à tecnologia dos EUA.

 

WASHINGTON PEDE FIM DA “POLÍTICA ECONÓMICA DIRIGISTA INJUSTA”

 

A China deve abandonar a “política económica dirigista injusta”, que penaliza a economia chinesa e as empresas dos Estados Unidos, disse a secretária do Tesouro norte-americana, defendendo uma “gestão responsável” dos desacordos entre as duas potências.

“Durante demasiado tempo, os trabalhadores e as empresas norte-americanas não puderam competir em pé de igualdade com os da China”, declarou Janet Yellen na quinta-feira, num discurso perante o Conselho Empresarial EUA-China, em Washington.

No entanto, se Pequim “se afastasse da abordagem económica dirigista em relação à indústria e às finanças, (…) seria melhor para a China”, além de ser benéfico para as empresas norte-americanas, observou.

A secretária do Tesouro de Joe Biden avisou que “um papel demasiado grande para as empresas estatais pode asfixiar o crescimento e um papel demasiado grande para o aparelho de segurança pode dissuadir o investimento”.

Os receios e as queixas das empresas norte-americanas sobre o ambiente empresarial na China foram reforçados na primavera por rusgas e interrogatórios realizados em nome da “segurança nacional” nos escritórios chineses de grupos de consultadoria norte-americanos.

“Ouço frequentemente as empresas norte-americanas falarem das dificuldades que estão a enfrentar”, advertiu a responsável pelo Tesouro dos EUA. Janet Yellen insistiu que “estas tendências devem preocupar a China” e apelou para a “continuação das reformas estruturais e o tratamento justo das empresas estrangeiras”. “Além de atrair mais investimento estrangeiro, isto ajudaria a resolver as ineficiências e vulnerabilidades resultantes das práticas económicas da China”, notou.