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      BNU duplica resultados no terceiro trimestre e pode chegar aos 600 milhões no fim do ano

       

      O Banco Nacional Ultramarino (BNU) gerou, nos primeiros nove meses do ano, um resultado líquido de quase 460 milhões de patacas, ou seja, sensivelmente o dobro em comparação com o mesmo período do ano passado. A cifra advém em grande parte do aumento das taxas de juro. São resultados “francamente bons”, mas “o ideal seria que os resultados surgissem do aumento do negócio e não apenas fruto das taxas de juro”, comentou Carlos Cid Álvares ao PONTO FINAL. O presidente da comissão executiva do banco indicou ainda que o resultado líquido pode chegar aos 600 milhões de patacas no fim do ano.

       

      De Janeiro a Setembro deste ano, o Banco Nacional Ultramarino (BNU) alcançou um resultado líquido não auditado de 459,9 milhões de patacas, verificando-se um aumento de 231,7 milhões de patacas, ou seja 102%, em relação ao mesmo período de 2022.

      Segundo uma nota de imprensa enviada ontem às redacções, este desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento das receitas líquidas de jogos, que adveio do aumento das taxas de juro. Neste campo, as receitas de juros cresceram 205,2 milhões de patacas, ou 38%, em comparação com o mesmo período do ano passado. No entanto, as receitas líquidas de taxas e comissões caíram 13,1 milhões de patacas, ou 16%, em relação ao ano anterior, reflectindo as incertezas no crescimento económico.

      Ao PONTO FINAL, Carlos Cid Álvares, presidente da comissão executiva do banco, descreveu os resultados dos primeiros três trimestres deste ano como “francamente bons”. Contudo, “infelizmente, não advêm de novos negócios, mas advém fundamentalmente do aumento da taxa de juro”, comentou, explicando: “Quando as taxas de juro sobem, isso é positivo para os bancos, é positivos para os aforradores, mas não é tão positivo para quem utiliza crédito”.

      “Se as taxas de juro continuarem a subir, isso acaba também por não ser bom para os bancos porque os indicadores de [crédito] malparado surgem”, ressalvou. Cid Álvares salientou que o BNU está com indicadores de crédito malparado “muito inferiores à média do mercado”. Na nota de imprensa, o banco diz também que nos primeiros nove meses deste ano foi registado um montante líquido de imparidade em crédito e aplicações financeiras de 21,8 milhões de patacas, o que representa uma diminuição face aos 85,2 milhões de patacas registados no ano anterior.

      O responsável reforçou que esta situação é idêntica à que acontece com outros bancos noutros países: “Os bancos estão a apresentar resultados bastante favoráveis, mas que não advêm do crescimento da actividade económica, mas sim da variação das taxas de juro”.

      “Gostávamos de ver mais confiança por parte da população de Macau, que começasse novamente a investir em activos fixos, e isso podia fazer aumentar o crédito à habitação e o crédito para PME, mas isso não se está a verificar”, referiu Carlos Cid Álvares.

      No final de 2023, o BNU poderá chegar a um resultado líquido na ordem dos 600 milhões de patacas, “o que é francamente melhor do que o que estava orçamentado”, sublinhou Carlos Cid Álvares. O banco tinha previsto para este ano um resultado de cerca de 500 milhões de patacas.

      O comunicado do BNU explicita que, neste período, as despesas operacionais aumentaram 2% em relação ao mesmo período de 2022, “uma vez que as iniciativas de redução de custos apenas compensaram parcialmente o aumento das despesas com a digitalização para melhorar a experiência do cliente e aumentar a eficiência interna”.

      Por outro lado, o banco “mantém o seu robusto rácio de solvabilidade de 24% e aumentou dois pontos percentuais em comparação com o terceiro trimestre de 2022, bem acima do requisito regulamentar mínimo de 8%, e fortes níveis de liquidez”.

      É referido também na nota que a agência do BNU em Hengqin “continua a atender às necessidades financeiras de investidores de Macau e Hong Kong, incluindo indivíduos e empresas, visando o crescimento e a integração financeira da Grande Baía e da Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau em Hengqin”. “A agência visa reforçar a conexão entre a China continental, Macau e países de língua portuguesa, fornecendo vários produtos financeiros e ajudando a construir um ambiente de economia mais diversificada em Macau e na Grande Baía”, pode ler-se na nota de imprensa.