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      Palestra sobre arquitectura da antiga Escola Comercial Pedro Nolasco na Fundação Rui Cunha  

      O edifício da autoria de Raúl Chorão Ramalho, onde se situa a actual Escola Portuguesa de Macau, é um exemplo da arquitectura moderna que se construiu no território nos anos 60. A Docomomo prossegue com mais uma palestra dedicada à exploração do legado arquitectónico de Macau, e figuras marcantes associadas, como esta, de Raúl Chorão Ramalho, modernista “universal” que preservou a “memória cultural”.

       

      A Docomomo Macau, que se tem dedicado à promoção de debates em torno da arquitectura do séc. XX e se assume como entidade de salvaguarda da memória urbana da cidade, está a organizar mais uma palestra na Fundação Rui Cunha agendada para esta quarta-feira, às 18h30. Intitulada “Construir o Século XX – Raúl Chorão Ramalho e a Escola Pedro Nolasco: Síntese de uma Obra Universal com Memória Cultural”, a palestra será orientada por Victor Mestre e Sofia Aleixo, arquitectos com experiência na curadoria de arquivos de arquitectura, tendo sido responsáveis pela exposição “Raúl Chorão Ramalho Arquitecto” na Casa da Cerca, em Almada, e na Assembleia Regional da Madeira, no Funchal.

      Victor Mestre é arquitecto pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, mestre em Reabilitação do Património Arquitectónico e Paisagístico, Doutor em Patrimónios de Influência Portuguesa e investigador na área do Património Arquitectónico e Arquitectura Vernacular. Sofia Aleixo é arquitecta pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa e professora associada em Arquitectura na Universidade de Évora, e Doctor of Philosophy em Architectural Conservation, na School of Architecture, Faculty of Technology, Design and Equipment, Oxford Brookes University, Reino Unido.

      Os organizadores referem que a palestra irá celebrar a obra deste “importante arquitecto, caracterizado por um profundo compromisso com os princípios e valores da modernidade e uma força arquitectónica enraizada numa ética profissional inabalável, o que lhe permitiu manter a independência durante uma época de grande conservadorismo histórico”. Em Macau, Raúl Chorão Ramalho esteve à frente de vários projectos dos anos 60, como as Casas Económicas da Ilha Verde, o Conjunto de Habitações para Funcionários Superiores, a Torre para Funcionários Municipais, o desaparecido Bairro de Habitações de Emergência na ilha Verde, o Infantário Ave Maria na encosta da Guia, e claro, a Escola Comercial Pedro Nolasco, projectada em 1963 e inaugurada em 1969.

      O edifício da antiga Escola Comercial é “uma das obras‐primas da arquitectura moderna de Macau”, referiu Ana Tostões da Docomomo Macau, numa página dedicada ao Património de Influência Portuguesa. “Concebida a partir de uma organização muito clara e moderna de volumes, que se dispõem em L, formando um pátio recolhido e ajardinado e libertando o restante espaço para o campo desportivo, situado junto ao ginásio”, a Escola Pedro Nolasco aparenta ter sido elaborada na “sequência das opções construtivas feitas de acordo com a modulação estrutural”.

      No entanto, para Ana Tostões, o arquitecto “alia a este pragmatismo construtivo uma atenção especial aos condicionalismos locais, do clima às condições térmicas e ao modo de viver que descobre em Macau” depois de ter vivido e trabalhado na Madeira. “A sua visão arquitectónica centra-se na criação de espaços fluidos e luminosos, onde a funcionalidade é cuidadosamente organizada tanto a nível horizontal como vertical”, e a sua “atenção meticulosa aos detalhes técnicos contribui para a plasticidade arquitectónica reconhecida na sua obra”, defendeu ainda. Os volumes intercalados com pequenos auditórios, pátios cobertos e pátios‐jardins, relacionados entre si através de pérgolas em betão, fomentam o surgimento de espaços de lazer, convívio e estudo fora das salas de aula, resguardados do clima, acrescentou, algo que também é complementado com a adopção de técnicas regionais como as persianas, a textura dos empedrados em seixo rolado, ou a incorporação da vegetação, algo que foi pioneiro na altura.

      Os representantes da Docomomo Macau acreditam que a Escola Comercial Pedro Nolasco é um “monumento arquitectónico que importa salvaguardar e valorizar como testemunho da vanguarda da arquitectura universal do século XX”, e foi nesse sentido que organizaram esta conferência.

      O ciclo de palestras “Construir o Século XX”, organizado pela Docomomo Macau, começou no ano passado com a palestra Chui Tai Kei, seguida de outra organizada no mês passado em torno da obra de José Maneiras. A próxima palestra, “Oseo Acconci e a sua Arquitectura”, irá encerrar este ciclo de palestras no dia 6 de Dezembro.