Reagindo às críticas sobre a fixação elevada da taxa de utilização da Residência para Idosos, o Instituto de Acção Social defende a necessidade do projecto de ter um desenvolvimento da mercantilização, a fim de fazer face ao envelhecimento da sociedade. Hon Wai, que lidera o organismo, observou que os serviços das autoridades não devem apenas ser de natureza assistencial e que os recursos devem atingir pessoas com diferentes condições de vida.
O Instituto de Acção Social (IAS) admite ser necessário que o projecto da Residência para Idosos adopte um desenvolvimento orientado para o mercado, argumentando que os serviços prestados pelas autoridades não podem assumir apenas a forma de benefícios e assistência social.
“O público está habituado a políticas de assistência social para os idosos através de apoio financeiro, mas assim não tem condições para enfrentar a futura necessidade da sociedade”, apontou Hon Wai, presidente do IAS, ao responder às críticas apresentadas pelos cidadãos sobre valores das rendas do projecto, no programa Macau Fórum do canal chinês da Rádio Macau de ontem.
“Macau está a enfrentar o agravamento do envelhecimento, a população idosa está a aumentar. Os serviços prestados não podem ser apenas realizados sob forma de benefícios, mas deve ser introduzida a mercantilização, e existem medidas semelhantes noutras partes do mundo para lidar com o envelhecimento da sociedade”, frisou.
Hon Wai enfatizou que a prestação de serviço e os trabalhos de apoio aos idosos “têm sempre de ser feitos” pela geração mais nova, e o facto da baixa natalidade e da tendência de as pessoas terem menos crianças faz com que dificulte ainda mais o apoio à velhice. “Se não introduzirmos o modelo do desenvolvimento da mercantilização, não vamos conseguir ter um serviço sustentável, o que aconteceria igualmente em todos os lugares do mundo”, indicou.
Recorde-se que o Governo anunciou esta semana a taxa de utilização dos apartamentos da Residência para Idosos, cujo preço varia entre 5.410 e 6.680 patacas por mês, consoante a zona onde se localizam as casas e os andares. O IAS explicou que a fixação da taxa teve como referência as rendas no mercado de edifícios industriais e edifícios antigos, sendo que a renda mensal por pé quadrado em edifícios industriais é de 10,85 patacas, e 10,34 patacas em edifícios antigos sem elevadores, enquanto o valor da média mensal na Residência para Idosos é de 10,56 patacas por pé quadrado.
Neste caso, um cidadão de apelido Lao criticou ontem o elevado valor das rendas. “Será que consideraram o rendimento dos idosos, cuja maioria são aposentados? Se calhar os idosos têm mais preocupações com o dinheiro do que a paisagem ou as instalações das casas”, disse.
Hon Wai, em resposta, reiterou que o Governo dispõe de diferentes serviços de apoio e cuidados aos idosos, incluindo a habitação social e económica, onde são acolhidos actualmente mais de 30 mil idosos moradores, segundo as estatísticas.
“Os idosos necessitados em termos financeiros podem ter apoio habitacional através do regime da habitação pública. Mas para os idosos proprietários das casas de prédios antigos ou que têm base financeira que não conseguem comprar uma nova casa num prédio com elevadores e têm dificuldade de subir as escadas, a Residência para Idosos é dedicada a esse grupo de pessoas”, esclareceu.
O responsável considera que existem em Macau também idosos com capacidade de consumo relativamente elevada, acrescentando que um recente estudo de avaliação do poder de compra descobriu que o consumo entre idosos era superior à média. Na sua opinião, as autoridades devem ter em conta a atribuição de recursos a serviços diferenciados para satisfazer as necessidades dos idosos.
Segundo as disposições jurídicas da Residência para Idosos, o candidato tem de ser residente permanente da RAEM, ter completado 65 anos de idade e possuir capacidade de autocuidado para viver no domicílio, sendo que cada apartamento pode ser utilizado, no máximo, por duas pessoas. A abertura das candidaturas começa no dia 6 de Novembro.











