Numa tentativa de continuar a promover a alimentação saudável, os Serviços de Saúde (SSM) anunciaram diversos ajustes à já existente campanha “Restaurante Alimentação Saudável” nas plataformas de entrega de refeições ao domicílio. As refeições saudáveis “versão 2.0” agora passam a ter de incluir cereais integrais, uma maior quantidade de legumes e frutas, e deixam de ser aceites ingredientes processados ou com alto teor de açúcar, sal, gordura, como os noodles instantâneos ou alimentos fritos.
Recordando que actualmente existe um número cada vez maior de pessoas que recorrem regularmente aos chamados serviços de ‘take away’ para fazerem as suas refeições diárias, e ontem, o director dos Serviços de Saúde (SSM), em conferência de imprensa, destacou a importância desta colaboração entre as plataformas de entrega de comida ao domicílio, os restaurantes, e os SSM, e o contributo que esta tem para a melhoria da qualidade de vida e adopção de hábitos saudáveis da parte dos cidadãos.
“O objectivo é criar um ambiente de alimentação saudável nos bairros comunitários, proporcionando aos residentes escolhas de alimentação saudável, elevando a sua qualidade de saúde”, referiu. Explicando que o seu departamento actualizou os critérios já existentes para aumentar a eficácia do programa que já existe desde 2018, Alvis Lo anunciou que a nova “versão 2.0” vai continuar a colaborar com as três plataformas de entrega ao domicílio MFood, Aomi e Tikbee. Dos cerca de três mil restaurantes disponíveis nestas plataformas, 42 conseguiram ter o título de restaurantes de alimentação saudável, mas agora o nível de exigência das refeições providenciadas aumentou, e os estabelecimentos terão que ajustar a sua oferta.
Wong Weng Man, chefe de divisão de promoção da saúde dos SSM, começou por relembrar que uma alimentação saudável deve ter uma boa quantidade de legumes e frutas, uma selecção de cereais integrais, e ainda pressupõe uma redução do consumo de sal, açúcar e gordura. Depois, partilhou as três áreas que foram alvos de ajustes: simplificou-se o processo de candidatura dos restaurantes, aumentou-se o nível de exigência das regras de avaliação dos pratos saudáveis e também se melhorou a cooperação com as plataformas de ‘take away’.
A responsável esclareceu que antes, apenas podiam fazer parte deste programa os restaurantes licenciados pela Direcção dos Serviços de Turismo, mas que agora, com a nova actualização, todos os estabelecimentos de comidas e bebidas, e todos os estabelecimentos de ‘take away’ licenciados pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) vão passar a poder candidatar-se a fazer parte do programa dos restaurantes “saudáveis”.
“As autoridades colaboraram com as plataformas e daqui para a frente todos os estabelecimentos interessados poderão entrar em contacto com os serviços de saúde para aderir a este programa. Nós providenciamos um formulário para ser preenchido pelos estabelecimentos e o boletim de candidatura será analisado pelos nossos nutricionistas e serão comunicados se reunirem os respectivos requisitos”, esclareceu a responsável ao nosso jornal.
Quanto aos critérios exigidos aos restaurantes, os SSM alteraram os requisitos a nível quantitativo e também nutricional, indicou Wong Weng Man. Quantitativo no sentido de passar a exigir a estes restaurantes que nos seus menus coloquem não apenas um prato, mas no mínimo cinco pratos de alimentação saudável, e que o façam de forma regular e contínua. Relativamente aos requisitos nutritivos, as autoridades vão passar a pedir aos restaurantes que fazem ou querem fazer parte deste programa que as suas refeições contenham uma selecção de cereais integrais. Os restaurantes têm de pelo menos confeccionar as suas refeições com cereais inteiramente integrais, ou então pelo menos aumentar em 30% a percentagem desse tipo de cereais. As refeições que tiverem pelo menos 60 gramas (cerca de quatro colheres) de, por exemplo, arroz castanho, também preenchem os novos requisitos do programa, esclareceu a responsável.
Quanto ao nível de exigência dos legumes e frutas, os novos requisitos exigem que a quantidade destes “aumente em 30% em relação à receita original”, ou que pelo menos 30% de um prato que antes só continha carne, passe a incluir vegetais. “Um prato que antes só era de fatias de carnes fritas, deve passar a ser um prato de carne salteada com legumes”, esclareceu.
FRITOS BANIDOS
Os níveis de sal, açúcar e gordura, assim como os alimentos processados, foram dos pontos que mais ajustes tiveram, com as autoridades a exigirem que estas refeições saudáveis sejam inteiramente confeccionadas sem qualquer alimento processado, salgado ou instantâneo, como é o caso dos pacotes de ‘noodles’ instantâneos que contêm altos níveis de sódio. Também qualquer produto alimentar processado com alto teor de açúcar, qualquer alimento frito ou congelado com níveis elevados de gordura foram banidos. Os restaurantes devem “remover a pele e a gordura visível dos ingredientes durante a preparação dos pratos”, sugeriram ainda as autoridades.
Outra grande alteração é a dos molhos, que passam a não poder ser colocados directamente na comida, dos condimentos e da forma de confecção. Passa a ser obrigatória a redução em 30% no sal ou condimentos com sódio, açúcar ou óleos alimentares com gordura transgénica, como é o caso da gordura e manteiga vegetal. Deixa também de ser possível preparar as refeições fritando os alimentos, mergulhando-os em óleo quente, fervendo em sopa picante ao estilo da cozinha de Sichuan, ou através de estufados.
As plataformas de ‘take-away’ vão passar a exibir as informações destes restaurantes de forma diferente, numa alteração que as autoridades acreditam ser benéfica para os utilizadores destas plataformas, por possibilitar um acesso mais rápido a estas refeições, já que agora vão passar a haver símbolos da campanha de “Restaurantes de Alimentação Saudável” no menu inicial, e não apenas dentro da página de cada restaurante. “Assim, os residentes passam a poder percorrer a lista de opções disponíveis e a ter informações mais claras sobre as refeições saudáveis que podem seleccionar”, acrescentou a chefe de divisão de promoção da saúde dos SSM. Ao selecionarem as refeições pretendidas, e antes de efectuarem o pagamento, as pessoas podem ainda escolher a quantidade de sal ou açúcar que pretendem, recordou. Pela primeira vez também vai ser possível consultar os níveis calóricos das refeições, o que também vai auxiliar os consumidores na adopção de uma alimentação mais saudável e com menos calorias.
O PONTO FINAL perguntou às autoridades se havia alguma forma de controlo e fiscalização contínua destes novos requisitos, mas Alvis Lo frisou que o papel dos SSM é apenas “de orientação, de fomento, para que os estabelecimentos, conjuntamente com o Governo, se esforcem para criar um ambiente de alimentação saudável”, e que nesse sentido conta com “o apoio de todos os interessados do sector e também com a população”.










