A presidente da Comissão Europeia criticou ontem a concorrência de “atores estrangeiros fortemente subsidiados” na União Europeia (UE), numa alusão aos carros eléctricos chineses vendidos mais baratos que os europeus, prometendo acabar com “práticas desleais”. “No que respeita à concorrência desleal, as nossas empresas europeias enfrentam com demasiada frequência a concorrência de atores estrangeiros fortemente subsidiados. Pensemos na indústria automóvel. […], mas ao mesmo tempo os mercados mundiais são inundados por carros eléctricos chineses baratos e o seu preço é mantido artificialmente baixo graças a enormes subsídios estatais”, declarou Ursula von der Leyen. Intervindo na Cimeira sobre o Pacto Ecológico europeu, na capital checa, em Praga, a líder do executivo comunitário justificou que, por essa razão, a UE está a avançar com a investigação contra os subsídios aos veículos eléctricos provenientes da China, anunciada em meados deste mês. “As empresas europeias estarão sempre prontas para a verdadeira concorrência – a concorrência em termos de custo-eficácia e qualidade -, mas esta tem de ser justa e nós protegeremos as empresas europeias da concorrência desleal”, prometeu.
Estas declarações de Ursula von der Leyen surgem quando termina a viagem do vice-presidente executivo da Comissão Europeia com a pasta do Comércio, Valdis Dombrovskis, à China, ocasião na qual o responsável pediu cooperação a Pequim na investigação aberta por Bruxelas sobre subvenções chinesas, alegadamente ilegais, ao setor dos carros eléctricos, de acordo com fontes europeias. De momento, existem tensões comerciais entre Bruxelas e Pequim, já que há duas semanas a presidente do executivo comunitário, Ursula von der Leyen, anunciou a abertura da investigação, no seguimento da recolha de provas durante um ano por parte dos serviços da instituição. No dia seguinte ao anúncio da investigação, a China manifestou “sérias preocupações e forte insatisfação”, acusando a UE de “um flagrante ato de protecionismo em nome da concorrência leal”. Segundo dados da Comissão Europeia, os carros eléctricos chineses, que entraram recentemente na UE, já representam 8% do mercado total, sendo 20% mais baratos face à concorrência europeia.
A China, que tem emergido como potência económica, tem avançado com uma robusta estratégia de investimento estatal, que a UE contesta por afectar a concorrência. Em causa estão avultadas subvenções a empresas chinesas a investir no estrangeiro, principalmente em setores estratégicos. Dados da Associação de Fabricantes de Automóveis da China indicam que as exportações de veículos eléctricos pela China mais do que duplicaram (+110%), entre Janeiro e Agosto. No ano passado, foram vendidos na China quase seis milhões de carros elétricos – mais do que em todos os outros países do mundo juntos. A dimensão do mercado chinês e fortes apoios estatais propiciaram a ascensão de marcas locais, incluindo a BYD, NIO ou Xpeng.













