A subida substancial do número de suicídios e de tentativas de suicídio cometidos pelos jovens está a preocupar Ron Lam. O deputado aponta que o problema de saúde mental é o principal factor que faz aumentar os casos de suicídio, mas lamenta que o mecanismo de resposta actual em Macau não está a actuar eficazmente como previsto. Numa interpelação escrita, o legislador revela também a dificuldade nos últimos anos de intervenção obrigatória aos casos suspeitos de alto risco de cometer suicídio e de perturbações emocionais.
O deputado Ron Lam solicitou às autoridades planos de solução práticos e específicos para travar o aumento contínuo dos jovens que cometem suicídio ou pretendem cometer suicídio, pedindo uma revisão abrangente do mecanismo em vigor, de forma a implementar uma melhor identificação dos grupos alto risco de suicídio e, eventualmente, uma intervenção obrigatória.
Macau registou no segundo trimestre 24 casos suicídio, perfazendo um total de 47 casos nos primeiros seis meses deste ano. Segundo Ron Lam, as estatísticas do secretário para a Segurança indicam que o número de mortes por suicídio no ano passado subiu mais de 30% em relação ao ano anterior.
“O número de tentativas de suicídio tem vindo a aumentar e têm sido cada vez mais jovens. Houve, em 2021 e 2022, respectivamente, 186 e 234 casos de pessoas que cometem suicídio e acabam por se salvar representando um aumento significativo de 40% e 25% em termos anuais”, apontou, numa interpelação escrita encaminhada para a Assembleia Legislativa.
Descrevendo que a situação está muito “preocupante” e “em deterioração”, o deputado frisou ainda que o número de tentativas de suicídio no primeiro trimestre deste ano foi de 68, subindo 35% face ao mesmo período do ano passado, sendo que mais de 55% das vítimas são jovens com menos de 24 anos de idade. “A tendência para o problema do suicídio se tornar extremamente grave na idade mais jovem”, afirmou.
Ron Lam revelou ainda que alguns professores, assistentes sociais, profissionais de saúde da linha da frente e agentes de corpos disciplinares relataram que, nos últimos anos, muitas vítimas têm tentado repetidamente suicidar-se. Nesses casos, embora tenham sido tratados com mecanismo interdepartamental existente, as autoridades não dispõem de meios de intervenção obrigatória se as pessoas em causa e os seus familiares não aceitarem ou não cooperarem com o apoio de acompanhamento prestado.
“O mecanismo actual foca-se na resposta à posteriori e não consegue identificar os casos problemáticos para uma intervenção precoce e activa, com o facto de o Governo não ter recursos e meios de intervenção suficientes para garantir um apoio contínuo emocional e psiquiátrico. Isso reflecte que o mecanismo de resposta ao suicídio em Macau não consegue desempenhar a sua função de prevenção e de contenção do comportamento suicida”, criticou.
Além disso, o legislador salientou que os problemas emocionais e mentais, bem como a crescente prevalência de doenças mentais como a depressão, são “precisamente as principais razões” para o rápido acréscimo da ocorrência de suicídios em Macau.
O Governo criou há alguns anos o mecanismo de prevenção conjunta de quatro níveis, com o primeiro nível de serviços comunitários, seguido por serviços específicos para instituições sem fins lucrativos e serviços prestados nos Centros de Saúde, e o quarto nível refere-se aos serviços do Serviço de Psiquiatria do Centro Hospitalar Conde de São Januário.
Na opinião de Ron Lam, no entanto, os casos de suicídio no território não pararam de crescer apesar da coordenação entre as autoridades sanitárias, educacionais e de assuntos sociais, pelo que o Governo deve rever as insuficiências do sistema em pôr em prática a coordenação.
Relativamente à “Equipa de prestação de serviços psicológicos comunitários”, que o Governo lançou em 2016, o deputado perguntou se há pessoal e recursos suficientes para o serviço a acompanhar os diversos casos de problemas emocionais e mentais na comunidade que não recebem apoio e tratamento regular há muito tempo.
O deputado recordou, por outro lado, o caso de suicídio de uma ‘youtuber’ local, o levantou a preocupação da sociedade sobre o sofrimento emocional e ‘bullying’ no local de trabalho. Segundo o mesmo, alguns grupos de jovens referiram que, nos últimos anos, se verificaram alterações nas formas de assédio moral, que vão desde a comportamento verbal, físico e de boicote, a ‘ciberbullying’, como ‘photoshop’ de fotografias ou divulgação de rumores nas redes sociais.
“O Governo vai providenciar medidas específicas correspondentes para lidar com a situação de ‘bullying’ e promover a formulação de directrizes sobre a prevenção do ‘bullying’ nas escolas e organizações públicas?”, questionou Ron Lam, solicitando mais serviços de aconselhamento emocional e psicológico para as vítimas de ‘bullying’.











