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      Patane, Barra e ilha artificial vão ter novas estações de tratamento de águas residuais  

      Esgotos com ligações incorrectas, descargas ilegais, ETAR que só conseguem tratar uma parte das águas residuais: estas são as causas do mau cheiro que alguns residentes sentem na zona costeira na Areia Preta, junto à ciclovia da Taipa, ou até no terminal marítimo do Porto Exterior. A deputada Ella Lei “torceu o nariz” à situação com uma interpelação escrita que procurou averiguar o que as autoridades têm feito em relação ao problema. Raymond Tam anunciou que, para além de se estar a modernizar a Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Coloane, este ano vão ainda ser construídas três novas estações na cidade: a DSPA está a aceitar propostas para a construção de uma nova ETAR na ilha artificial, e vão ainda ser construídos projectos provisórios na Avenida Marginal do Lam Mau, e na zona Sul do Porto Interior.

       

      “À medida que a economia recupera, Macau vai enfrentar maior pressão no tratamento das águas residuais, e prevê-se que o volume das mesmas venha a aumentar significativamente nas zonas de aterro da Península de Macau e do Cotai. Que medidas de longo prazo têm as autoridades para garantir a qualidade do tratamento das águas residuais em Macau?”. A deputada Ella Lei chamou a atenção para a situação dos esgotos numa interpelação recente, demonstrando, através de dados do Relatório do Estado do Ambiente de Macau de 2022, que os testes de monitorização da qualidade da água marítima mostram que há muitos níveis de exposição não metálica que ultrapassam os valores-padrão.

      A também vice-presidente da direcção da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) denunciou a situação das cinco ETAR, que não têm capacidade para tratar todo o volume de águas residuais que a cidade expele. “Segundo os dados estatísticos, o volume médio diário da ETAR da Península de Macau foi de 147,941 metros cúbicos, excedendo a sua capacidade máxima diária de tratamento, e cerca de 30% das águas residuais foram apenas alvo de tratamento básico”, alertou. Ella Lei fez referência ainda ao índice médio diário registado de sólidos suspensos nas águas tratadas, que excederam os padrões estabelecidos. A deputada sublinha ainda que com o crescimento do número de turistas, a ocupação das habitações localizadas nos novos aterros urbanos, e o desenvolvimento urbano, a situação só vai piorar.

      Em resposta, Raymond Tam referiu que, conforme delineado nos planos a longo prazo, em 2023 o Governo vai avançar com o “o projecto de modernização da Estação de Tratamento de Águas Residuais de Coloane, bem como iniciará o processo de obtenção de propostas da Estação de Tratamento de Águas Residuais da Ilha Fronteiriça Artificial do Posto Fronteiriço da Parte de Macau da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau”. Não foram, contudo, avançadas datas para a concretização destes projectos. Também vão ser ainda iniciados novos projectos de construção de duas instalações provisórias de tratamento de águas residuais na Avenida Marginal do Lam Mau, e a Sul do Porto Interior, adiantou ainda o director dos Assuntos de Protecção Ambiental (DSPA).

      Ella Lei abordou ainda a questão do odor nauseabundo que muitos residentes se têm queixado de existir em várias zonas costeiras da cidade. “Ao longo da orla costeira da Zona Norte e da Areia Preta, bem como em algumas partes da pista de bicicletas ao longo da costa do Cotai, o mau cheiro das águas residuais mantém-se, perturbando os moradores”. A deputada na assembleia recordou que o assunto já tinha sido abordado por outro deputado, e na altura as autoridades justificaram a situação com as ligações incorrectas de esgotos domésticos, as descargas ilegais, e o facto de “os colectores de intercepção da rede de drenagem terem estado muito cheios durante muito tempo, o que levou a que as águas residuais não pudessem entrar na ETAR para tratamento, e tenham caído directamente nas águas costeiras”. Ella Lei quer saber os resultados da investigação, e as medidas que vão ser implementadas para gerir o nauseabundo problema.

      O responsável dos Serviços Ambientais disse que depois de analisados os resultados das investigações, o seu departamento em coordenação com os serviços relevantes prosseguiu com vários trabalhos de melhoria na Avenida Norte do Hipódromo, na Areia Preta, e junto ao Terminal Marítimo do Porto Exterior, no NAPE. Estes trabalhos de “tratamento” foram essencialmente de nivelamento do leito marinho e separação das águas fluviais das águas residuais, já que anteriormente estes dois tipos de descargas se misturavam, levando a uma incapacidade de tratar as águas residuais de forma adequada. “A DSPA irá continuar a inspeccionar as saídas de drenagem das zonas costeiras de Macau, e caso sejam detectadas anomalias, irá, em coordenação com os serviços relevantes, acompanhar a situação, de acordo com o respectivo mecanismo”, prometeu o dirigente.

       

      SEPARAR ÁGUAS RESIDUAIS DAS FLUVIAIS

       

      Na mesma resposta à deputada, foi também dado o parecer o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), que é a entidade responsável pela gestão da canalização dos esgotos. O problema da confluência e ligação incorrecta dos esgotos, e também das descargas ilegais, tem estado a ser supervisionado e corrigido, partilhou Raymond Tam: está-se melhorar gradualmente as águas pluviais e residuais dos esgotos dos bairros antigos através das obras de optimização dos esgotos, como, por exemplo, em Julho se fez no bairro San Kio, perto do Hospital Kiang Wu, onde se demoliu o gasoduto de confluência original e se instalaram novos tubos de desvio das águas pluviais e residuais. Ao mesmo tempo, o IAM está a iniciar a obra de construção da estação elevatória das águas pluviais e residuais da Bacia Norte do Patane e box-culverts. Esta estação cumpre duas funções: a essencial, de drenagem de águas pluviais nestas zonas, mas também uma função secundária de intercepção de águas residuais, explicou Raymond Tam, algo que ajuda a resolver o problema de poluição da água ao longo da Bacia Norte do Patane, do Fai Chi Kei.

      Relativamente à poluição das águas ao longo da ciclovia da Taipa, o responsável avançou ainda que já se terminou a construção da estação elevatória de intercepção de águas residuais dos Jardins do Oceano, “encaminhando as águas residuais envolvidas e as descargas ilegais dos esgotos de águas pluviais no sistema de drenagem de águas residuais, a fim de resolver o problema do mau cheiro”.

      Raymond Tam recordou ainda que, quanto à manutenção da rede de canalização pública, o funcionamento desta é inspeccionado através sistema de gravação de CCTV, e que o IAM irá continuar a combater as descargas ilegais, reforçando em particular “a fiscalização das câmaras retentoras de gorduras dos estabelecimentos de comidas e bebidas, e o tratamento de águas residuais provenientes da execução da obra nos estaleiros de obras, controlando a poluição a partir da fonte e evitando que as águas residuais entrem no sistema público de águas pluviais”.