Macau quer lançar vistos de curta duração para atrair inovadores tecnológicos de Portugal e do Brasil  

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FOTOGRAFIA GONCALO LOBO PINHEIRO

 

O reforço da cooperação com Portugal e mais países de língua portuguesa está na agenda de trabalhos do Governo de Macau nos próximos anos, abrangendo a tecnologia de ponta, o turismo, a cultura e a arte, o ensino, a finança e até a medicina chinesa. O documento sobre o plano da diversificação da economia de Macau, que está agora em consulta pública, propõe atrair as melhores equipas de inovação tecnológica de Portugal e do Brasil a instalarem-se em Macau, e em Hengqin, através da criação de um visto de curta duração para as mesmas. Além disso, o Executivo pretende ainda introduzir o Festival da Lusofonia na Grande Baía.

 

O Governo de Macau está a planear atrair, até 2028, pelo menos 20 das melhores equipas de inovação tecnológica de Portugal e do Brasil para se instalarem em Macau e em Hengqin, ou a cooperarem com as equipas das cidades da Grande Baía. Além disso, as autoridades ponderam ainda emitir vistos de curta duração à inovação tecnológica que abrange Portugal e Brasil, como forma de impulsionar a cooperação com os países lusófonos.

Estas são algumas das metas para os próximos anos em termos da diversificação económica de Macau, previstas no documento do Plano de Desenvolvimento da Diversificação Adequada da Economia da RAEM 2024-2028, divulgado na sexta-feira e que se encontra em consulta pública até dia 2 do próximo mês.

“Iremos estudar a autorização de uma adequada permanência de curta duração (visto de negócios ou visto de empreendedorismo) destinada às equipas de inovação tecnológica do exterior (incluindo o Brasil e Portugal) para a criação de negócios em Macau e Hengqin, facilitando-lhes a procura de parcerias locais e do interior da China”, pode ler-se no documento.

Em termos da indústria da tecnologia de ponta, sendo uma das quatro indústrias principais da estratégia do Governo da chamada “diversificação adequada da economia”, as autoridades estão de olho da integração na rede internacional de inovação, e vêem a plataforma de Macau entre a China e os Países de Língua Portuguesa como um papel activo para essa integração.

Macau pretende alargar a influência do concurso de inovação e empreendedorismo para empresas tecnológicas do Brasil e de Portugal, com o objectivo de “transformar o concurso numa actividade de marca no intercâmbio científico e tecnológico entre a China e os países lusófonos”, ajudando equipas e empresas dos dois países a conhecerem o desenvolvimento de Macau, e Hengqin e até da Grande Baía.

O Governo tem também vontade de construir, em conjunto com Zhuhai, o Centro de Intercâmbio e Cooperação de Ciência e Tecnologia entre a China e os Países de Língua Portuguesa, o que servirá como um “canal preferencial” para o intercâmbio e a cooperação no âmbito científico e tecnológico entre a China e os países lusófonos.

Ao longo de quase 200 páginas do documento de consulta, a cooperação com Portugal é mencionada por várias vezes e envolve-se em diferentes vertentes, como na estratégia de desenvolvimento “1+4”, com apostas na indústria de turismo e lazer integrado, na indústria de ‘big health’ de medicina tradicional chinesa, financeira moderna, na tecnologia de ponta e na indústria de convenções, exposições e comércio, e de cultura e desporto.

 

TURISTAS, ALUNOS E ARTISTAS PORTUGUESES

 

A terra lusa é também referida no âmbito da exploração de mercados turísticos internacionais, que visa reduzir a dependência de uma única fonte de visitantes – do interior da China. “No que diz respeito à exploração de mercados de visitantes, para além da expansão dos mercados do Sudeste e do Nordeste Asiático, serão explorados gradualmente mercados como a Índia, o Médio Oriente, a Europa e os Estados Unidos, e realizar-se-ão, em Portugal e Espanha, actividades de promoção turística de Macau”, indicou.

O documento prevê ainda uma relação mais estreita com Portugal a nível de educação, afirmando que “serão, ainda, fomentados os programas para o prosseguimento de estudos em Portugal, aprofundando-se a cooperação entre as instituições do ensino superior de Macau e as de Portugal, com vista à formação de quadros em língua portuguesa”.

Para o ensino superior, as autoridades vão intensificar a cooperação com as escolas internacionais e aumentar o número de inscrição de estudantes do exterior, nomeadamente de alunos dos Países de Língua Portuguesa e dos países da Associação das Nações do Sudeste Asiático. As autoridades revelam ainda que, através da organização de actividades de intercâmbio académico, Macau será transformada num destino turístico dos estudantes e turistas jovens da Grande Baía e dos Países de Língua Portuguesa.

O Governo, por outro lado, ambiciona desenvolver uma marca da Exposição de Livros Ilustrados para Crianças em Chinês e Português, aumentando a sua influência e transformando Macau numa “plataforma de cooperação editorial de livros ilustrados para crianças em chinês e português”.

Já a arte é igualmente um aspecto que o documento dá ênfase para diversificar a economia, no qual consta o alargamento do nível de cooperação artística e cultural entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Segundo o plano, Macau irá aproveitar a sinergia dos eventos artísticos e culturais entre a China e os países lusófonos “para reforçar o intercâmbio e a cooperação artística entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, incluindo o Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa, a Exposição Anual de Artes entre a China e os Países de Língua Portuguesa e a Festival da Lusofonia, entre outros.

Planeia-se introduzir no território mais projectos de exposições e espectáculos que promovam o intercâmbio cultural entre a China e os países estrangeiros, por um lado, e, por outro lado, realizar mais exposições e actividades com características culturais de Macau, promovendo-se a respectiva apresentação nos Países de Língua Portuguesa. Além disso, o Governo quer introduzir o Festival da Lusofonia na Grande Baía, impulsionando assim a cooperação das indústrias culturais e criativas transfronteiriças.

 

SECTOR DE JOGO SÓ COM 40% DO PIB

 

O documento de consulta pública propõe principalmente aumentar gradualmente o peso das quatro indústrias para “reforçar a competitividade geral” de Macau. “A promoção do desenvolvimento da diversificação adequada da economia constitui o ponto-chave para resolver os conflitos e os problemas profundos surgidos no decurso do desenvolvimento socioeconómico de Macau, tratando-se de um desígnio obrigatório para alcançar a prosperidade e a estabilidade a longo prazo”, assinalou.

Nesse sentido, o Governo espera que o peso do sector não-jogo ocupe, até 2028, cerca de 60% do Produto Interno Bruto. Já a percentagem dos empregados não relacionados com o jogo mantém-se em cerca de 80%, e o grau de dependência das receitas correntes em relação às receitas do jogo de fortuna ou azar poderá chegar a uma percentagem mais baixa em comparação com o ano de 2019.