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      Entradas de turistas podem voltar aos 40 milhões, se Macau ficar mais “inteligente” e “amigável”  

      Durante as palestras de ontem na Asian IR Expo, no Venetian, peritos do sector do turismo defenderam que Macau está no bom caminho para recuperar o número de entradas da pré-pandemia, mas para tal precisa de melhorar a experiência de quem visita a cidade, porque o turista actual prefere cidades mais “inteligentes”, com guias virtuais pela cidade, e informação personalizada em tempo real, algo que contrasta com a situação actual das paragens de autocarro que não são em inglês, ou dos táxis, que não são suficientes.

       

      Macau pode vir a recuperar o mesmo número de visitantes que tinha em 2019, mas isto não “deve ser encarado com ligeireza”, alvitrou Ben K. Goh, presidente da Assembleia Geral da Secção de Macau da Pacific Asia Travel Association (PATA). Foi durante uma das palestras da Asian IR Expo, que está a decorrer no Venetian, que o também director da Faculdade de Hospitalidade e Gestão Turística da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST), baseando-se em dados da PATA, proferiu a opinião de que até 2025 Macau vai possivelmente recuperar os 40 milhões de turistas, mas para isso é necessário reunir as condições certas para fazer face à competitividade do mercado asiático. “Actualmente, não são muitos os viajantes chineses que se deslocam ao Japão e à Tailândia, mas estes estão entre os cinco principais destinos dos viajantes chineses (Hong Kong, Macau, Coreia, Japão e Tailândia, por esta ordem)”, mencionou, citado pelo Macau News Agency.

      A inovação tecnológica e uma experiência de viagem “sem problemas” podem vir a ser um factor decisivo, alerta Ben K. Goh. “Hoje em dia, o padrão de viagem é muito diferente do da era pré-epidemia: os viajantes gostam de viajar com calma e preferem o planeamento e a reserva de viagens sem problemas, ou seja, utilizam agências de viagens online para fazer reservas, pelo que se recomenda que a indústria utilize aplicações móveis para fornecer actualizações e personalização em tempo real, bem como um sistema de pagamento integrado para garantir que as transacções são seguras e convenientes”, referiu o especialista.

      Argumentando que, actualmente, um dos critérios de escolha dos viajantes são as chamadas cidades ‘inteligentes’, muitas cidades asiáticas estão agora a adoptar sistemas de transporte inteligentes, guias inteligentes e orientação digital pela cidade. “As infra-estruturas inteligentes melhoram a segurança, a sustentabilidade e a gestão de recursos”, sublinhou Ben K. Goh. Enumerando aplicações práticas de certas tecnologias de Realidade Virtual (RV), este referiu-se às visitas virtuais, que possibilitam que os viajantes explorem os locais turísticos antes da chegada, ou às informações interactivas no local, sobre locais históricos e marcos culturais. Outro ponto a desenvolver seria o turismo aliado à informação personalizada e Inteligência Artificial (AI): “por exemplo, os ‘chatbots’ alimentados por Al fornecem aos viajantes recomendações e apoio personalizados, e os assistentes virtuais fornecem serviços de tradução em tempo real para uma comunicação eficiente”.

      Este cenário urbano “inteligente” e de contornos futurísticos, em que o turista teria acesso imediato à informação que procura, contrasta com a realidade dura de Macau que, na opinião de Rutger Verschuren, “não é muito amigável”. Durante outra palestra da cimeira de resorts integrados asiáticos, o vice-presidente da Associação de Hotéis de Macau defendeu que “em termos de experiência de viagem, Macau não é muito amigável. Por exemplo, em termos de transportes públicos, as paragens de autocarro não estão em inglês e o número de táxis não é grande, o que é inconveniente para os viajantes”, alertou.

      Contudo, o especialista da área de turismo disse que a qualidade dos serviços turísticos de Macau “é elevada e, do ponto de vista dos hotéis, o Guia de Viagens Forbes 2023 mostra que 22 hotéis de Macau ganharam o Prémio Forbes de Hotel de 5 Estrelas este ano, o que mostra que os principais hotéis fizeram grandes esforços na formação do pessoal”, recorda. Alertando para o facto de que houve uma grande rotatividade de pessoal em 2022, “espera-se que o Governo ajude a indústria a resolver o problema de como manter a qualidade do serviço”, equaciona.

       

      Recorde-se que em 2019 Macau recebeu 40 milhões de visitantes, 60 vezes o número de pessoas que vivem na cidade. Com o começo da epidemia, os valores caíram para 5,8 milhões em 2020, 7,7 milhões em 2021, e 5,7 milhões em 2022. Este ano, só na primeira metade do ano já entraram 11,6 milhões de turistas em Macau, ultrapassando os valores registados em cada um dos três anos de restrições pela Covid-19.

      A responsável dos serviços de Turismo (DST), Maria Helena de Senna Fernandes, prevê que, ao todo, Macau venha a receber 24 milhões de visitantes em 2023. Para que se consiga fazer face aos novos visitantes que estão para chegar na segunda metade do ano, e porque actualmente 90% dos 47 mil quartos de hotéis já estão reservados este Verão, o sector vai poder contar com mais quatro hotéis “de classe internacional”, anunciou esta semana a directora da DST. No segundo semestre do ano, estes novos estabelecimentos vão disponibilizar mais 2.300 quartos de hotel, que se vão juntar a outros 5 mil quartos que ficaram disponíveis no primeiro semestre de 2023.