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      Fábrica de baterias de lítio em Sines de grupo chinês pode estar em risco

      O projecto de construção de uma fábrica de baterias de lítio do grupo chinês CALB, que poderá representar 4% do PIB português em 2028, está a ser reequacionado. Segundo noticiou o Jornal Económico, o grupo tem estado sob pressão na China, sendo alvo de uma investigação após anunciar o despedimento de dois mil jovens recém-licenciados, que justificou com a necessidade de fazer “ajustes ao negócio”.

      O projeto de construção de uma mega fábrica de baterias de lítio do grupo chinês China Aviation Lithium Battery Technology (CALB) em Sines está a ser reequacionado, avançou o Jornal Económico.

      Vários motivos estarão a contribuir para esta reavaliação. Por um lado, de acordo com fontes diplomáticas, a decisão de afastar a Huawei das redes 5G nacionais está a fazer com que vários investimentos chineses em Portugal sejam repensados, seja por retaliação, seja por perda de confiança no país.

      Por outro, o grupo CALB está a ter problemas na própria China. Em Maio, o grupo, que é o terceiro maior fabricante chinês de baterias de lítio, despediu dois mil jovens recém licenciados que tinha admitido recentemente, num volte face que causou polémica num país que tem como desafio colocar no mercado de trabalho uns estonteantes dez milhões de jovens licenciados por ano. O despedimento em massa foi justificado pela necessidade de fazer um “ajustamento do negócio” e os jovens despedidos receberam uma indemnização de três mil yuans. O governo provincial de Jiangsu abriu um inquérito ao caso e o grupo CALB tem sido fortemente criticado na imprensa e nas redes sociais chinesas.

      Outro revés foi a derrota, em Março, num processo que fora colocado pela líder de mercado do sector das baterias de lítio na China, a CATL. O CALB foi multado em 3,7 milhões de euros por ter violado as regras da concorrência.

      Ao que foi possível apurar, não houve desenvolvimentos significativos nas parcerias que o grupo CALB formalizou com empresas portuguesas aquando da assinatura do memorando de entendimento para a construção da fábrica, em novembro último.

      Porém, de acordo com as mesmas fontes, a parte chinesa ainda não notificou o governo português sobre uma eventual decisão de suspender o projeto, que foi apresentado no ano passado pelo ministro da Economia, António Costa e Silva, como um passo decisivo para a instalação em Portugal de um cluster da mobilidade elétrica. E o AICEP garantiu ao Jornal Económico, através de fonte oficial, que o projeto permanece “ativo”, mas sem dar mais pormenores sobre o avanço real do mesmo, além daquilo que já foi noticiado.

      O projecto da fabricante chinesa entrou em processo de licenciamento ambiental em fevereiro e a 1 de Março foi assinado um contrato de reserva de direito de superfície sobre 92 hectares na Zona Industrial e Logística de Sines, gerida pela AICEP Global Parques. O início da produção está previsto para 2025, com uma capacidade de 15GWh. No final do ano passado, um responsável da empresa disse à agência Lusa que, em velocidade de cruzeiro, entre 2028 e 2030, a fábrica deverá representar cerca de 4% do PIB português, superando assim o contributo da Autoeuropa, da Volkswagen.

      “Um dos grandes investimentos é de uma grande empresa internacional na área das baterias que quer sediar em Sines a fabricação das baterias. (…) Se isto acontecer, com todo o trabalho que estamos a fazer, com a Volkswagen, a Stellantis, a Mercedes e outras marcas, queremos ser um país que esteja à frente na mobilidade eléctrica. São negociações complexas, mas nós estamos a avançar”, disse o ministro durante uma audição no Parlamento, em Novembro.

      Na altura, a CALB revelou ter assinado um memorando de entendimento com a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) para a construção em Sines de uma “fábrica de ponta mundial, altamente inteligente, informatizada e automatizada, com zero emissões de carbono”. Porém, na mesma comunicação, que teve lugar na recta final do seu processo de entrada em bolsa na praça de Hong Kong, a empresa chinesa deixou a ressalva de que o acordo em causa não era ainda legalmente vinculativo, pelo que o projeto poderia avançar ou não.

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      Redacção do Ponto Final Macau