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      Tributo aos Beyond “porque está no sangue dos locais”  

      O baterista Luís Bento juntou músicos de Macau para prestar homenagem à banda de rock de eleição de Macau, e que marcou a cultura musical da região: os Beyond. Esta sexta-feira, no Roadhouse, seis músicos vão dar um concerto de tributo a Wong Ka Kui, falecido líder do grupo de Hong Kong, num espectáculo que promete altas emoções para quem há mais de 30 anos que canta estas canções em cantonense.

       

      Esta sexta-feira, dia 30, o bar Roadhouse na Broadway vai acolher no seu palco uma banda de tributo aos Beyond. O célebre grupo já extinto é considerado por muitos como a melhor banda de rock de Hong Kong de todos os tempos.  Numa iniciativa que partiu do músico Luís Bento, e com o apoio da smallWORLD Experience, o tributo, de entrada gratuita e início marcado para as 19h, conta com vários músicos de Macau.

      O dia 30 de Junho coincide com os 30 anos do trágico falecimento de Wong Ka Kui, líder da banda. Na página das redes sociais do evento, a organização destaca “o legado que perdura”, recordando os vários prémios recebidos pelo cantor e autor, entre estes a atribuição póstuma de membro do Corredor da Fama da RTHK pelo seu “contributo imenso à indústria musical de Hong Kong”.

      Em conversa com o PONTO FINAL, Luís Bento fala-nos da importância desta homenagem. “Música é cultura e faz parte da vida das pessoas, e os Beyond estão no sangue dos locais, ainda por mais 30 anos, é um número que tem de ser assinalado, é uma questão de respeito pelo público, para lembrar, e respeito pela família também”. Seguindo, portanto, um formato diferente do habitual, o músico explica que este tributo “não é só um concerto: no início, antes do concerto vai ser projectado um curto documentário da história dos Beyond em chinês”, depois será feito “um minuto de silêncio em honra e respeito à família, amigos e ao cantor”, prosseguindo-se de seguida com o concerto. Mencionando que também vão “haver cerimónias em Hong Kong”, Luís Bento desconhece se vão decorrer outras iniciativas em Macau, mas garante que a data será lembrada pela sua banda de tributo e “por quem estiver presente”.

      Recordando a forma como o projecto nasceu, o baterista contou que sempre que tocava com bandas locais, reparava “na força e o impacto” que as canções dos Beyond tinham no público. “Obviamente que no início não sabia quem era a banda; ao fim de algum tempo tive de perguntar aos meus colegas chineses e macaenses porque é que aquelas músicas eram tão fortes e explicaram-me a história dos Beyond, que foi uma banda muito importante do final dos anos 80 e início dos anos 90, e depois acabei por saber da história do cantor que faleceu na sequência de um acidente em palco em Tóquio em 1993”.  Recorde-se que Wong Ka Kui faleceu com 31 anos a 30 de Junho de 1993, numa fase de grande popularidade da banda em toda a Ásia. Após uma queda de um palco durante um programa de televisão, e de sofrer ferimentos graves na cabeça, o cantor acabou por entrar em coma, e falecer uma semana depois no hospital.

      E quem teve então a ideia de fazer este tributo? Luís Bento explicou que contrariamente ao que seria de esperar, a ideia partiu dele, e não dos colegas chineses. “Essa é a parte engraçada, foi de alguém que não é de cá”, brinca, acrescentando que os músicos de Macau, “para além de gostarem da ideia, disseram imediatamente que sim. Não houve qualquer hesitação”, conta. Estarão, portanto, em palco seis músicos, um de Hong Kong, um de Xangai, três de Macau e um de Portugal: o cantor Vincent, o baixista Juven, o pianista John Ku, Júlio Amaral e Johny Yau na guitarra, e Luís Bento na bateria.

       

      IDEIAS CONCRETIZADAS

       

      Da ideia à concretização, demorou algum tempo, explicando o organizador que tem o projecto “guardado há quatro ou cinco anos”, mas que com a epidemia não foi possível fazer “grande coisa”. Luís Bento indicou ainda que apenas foi responsável por juntar as pessoas, e pela parte da produção, deixando a parte musical “para quem sabe”. “Deixei o reportório ao critério dos locais, porque eles é que conhecem as músicas, conhecem a mensagem, eles é que cresceram a ouvir Beyond”.

      E como será esse reportório? “O alinhamento vai ser de 12 temas. Não queremos fazer um espectáculo muito longo, nem muito curto, acho que é o quanto basta para as pessoas ficarem satisfeitas”. Explicando que foi escolhido um “horário cedo, às 19h,” para que quem quiser venha “assistir ao espectáculo a seguir ao trabalho, ficando a jantar no Roadhouse se quiser”, Luís Bento adiantou que este é um “espectáculo para famílias: já tenho mesas marcadas para famílias com 7 ou 8 pessoas, e acho que vai encher”.

      A causa para o possível sucesso do concerto, frisa o organizador, está nas canções, e não na banda em si. “É a mesma coisa que fazer um concerto de tributo aos Xutos e Pontapés: toda a gente conhece as músicas, portanto qualquer banda que o faça, desde que o faça com dignidade, é um espectáculo de sucesso”.

      Recordando que as bandas de tributo são “moda na Europa há muitos anos”, com bandas de tributo aos Coldplay, à Tina Turner, aos Pink Floyd, ou aos Beatles, Luís Bento refere que esta é “a maneira mais económica das pessoas poderem assistir às músicas da banda, especialmente de bandas que já não existem”. Recordando a sua experiência em Portugal com a banda de tributo aos Beatles em que “encheu” dois coliseus, e tocou à frente da torre de Belém numa festa de fim de ano para 60 mil pessoas, o baterista radicado em Macau diz que por cá “ainda não há o hábito, mas pode acontecer, e há espaço para que isso aconteça”.

      Será então para continuar, este projecto de tributo aos Beyond? Luís Bento garante que sim, que “a ideia é poder levar este espectáculo a outros sítios e em outras circunstâncias, porque tem tudo para dar certo, porque as pessoas vão gostar de ouvir”. Sentindo uma “imensa obrigação” enquanto músico, o baterista antecipa que este concerto vá ser “maravilhoso para os locais”, já que é para estes, e “não para os portugueses ou os americanos”, que este concerto está a ser organizado. “É para os macaenses e a malta de Hong Kong e China continental. Como eu costumo dizer, Macau dá-me muito. Eu também tenho de dar a Macau”.

       

      Recorde-se que na altura da morte do cantor, em 1993, os Beyond estavam no topo da carreira, tendo lançado recentemente a canção extremamente popular “Boundless Oceans, Vast Skies”. A procissão fúnebre na cidade vizinha fez com que várias ruas principais ficassem bloqueadas, com diversos célebres cantores de Cantopop a também irem prestar os seus pêsames ao funeral. Conhecida por fugir um pouco ao estilo romântico que domina as letras e estética da música popular “CantoPop”, a banda Beyond possuía um estilo mais associado ao rock.  Ao longo dos anos 1990, optou por escolher temas de defesa da liberdade e protesto anti-guerra, como “Glorious Years”, ou “Amani”, de solidariedade para com a África do Sul, e dedicada a Nelson Mandela.

      Ponto Final
      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau