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      Associação 10 Marias regressa com uma “Cabaret Night” de teatro, dança e música

      Depois de dois anos de “maré baixa”, a Associação Cultural 10 Marias volta a “agitar as ondas”, trazendo mais uma “Cabaret Night” a Macau. “Never Ending Waves” é o nome do evento com encontro marcado para a noite de sábado, 24 de Junho. Numa fusão de espectáculo de variedades, música, dança, teatro e declamação de poesia, Mónica Coteriano e as restantes “10 Marias voltam a apostar no talento local, convidando artistas profissionais e amadores a partilhar o palco numa noite de sensualidade, lantejoulas e glamour, mas também de muita exuberância, teatralidade e bom humor.

      Mónica Coteriano, nome de guerra “La Monique”, que habitualmente assume o papel de anfitriã destes eventos, explica em entrevista ao PONTO FINAL quecontrariamente à edição anterior, que decorreu num barco, este ano a noite de Cabaret será na Areia Preta, no Utopian Culture, um espaço privado na Avenida do dr. Francisco Vieira Machado. “É um bar privado que abre as portas para eventos especiais, e este é especial porque já há dois anos que não o fazíamos”, brinca. Quando questionada sobre a escolha do local, Mónica Coteriano revela que este tem um décor “que nos envolve”, e nos remete épocas distantes, “para um bar chinês de Xangai do século passado, estilo 1940”, e que por isso mesmo ajuda a criar o ambiente cénico ideal para um cabaret.

      Neste espaço, que terá um bar aberto, zonas distintas, mas também palco e luzes, haverá actuaçõesde dança, performance e canto pela mão de artistas locais profissionais e amadores. “Temos o Alex Dj como Dj para a abertura e para a saída, e temos participantes que voltam novamente, e pessoas novas, de estreia no cabaré”, com nacionalidades “da Colômbia às Filipinas, Moçambique a Portugal, Brasil, e Indonésia”, revela a organizadora.

      Para a representante da associação, a ideia deste evento é de “criar momentos e memórias; é a história do bandido: só quem lá esteve é que sabe o que se passou”. Como explica, para que esta experiência singular seja um sucesso, é preciso que haja conforto, e liberdade. “É importante que as pessoas saibam que não vamos encher o espaço, vamos fazer como quando foi o espectáculo no barco: a lotação era de 380 pessoas e nós só pusemos 250, porque a ideia não é encher, não é pelo dinheiro. Nós queremos que as pessoas estejam confortáveis, para ver um espectáculo, para se divertirem”.

      Juntamente com o dono do espaço, as representantes da associação chegaram à ideia de que,no máximo, o evento vai acolher 70 pessoas, para que as pessoas “estejam à vontade”. Isto porque “oespaço também não é um teatro em que te sentas e assistes”, o espaço convida a “uma liberdade de movimento que é importante o Cabaret ser, e não ser uma coisa estática em que nos dizem que temos de estar sentados e ver um espectáculo durante 1 hora e meia”, esclarece a anfitriã.

      AS ONDAS INTERMINÁVEIS DE LOCKDOWNS

      A escolha das “ondas intermináveis” como tema para esta noite de cabaret, explica Mónica Coteriano, funciona como uma espécie de “metáfora daquilo que andámos a viver, daquelas ondas todas dos lockdowns”, desabafa em tom de brincadeira. “Foi tudo um bocado inspirado nisso, e nessa repetição, que, de resto, também a arte acaba por fazer: ocabaret também é uma repetição dele próprio, com personagens diferentes, mas o padrão e o conceito continuam.

      E o cabaret em si, será para repetir? A organizadora garante que sim.Claro que é para continuar, porque é divertido, acima de tudo é uma noite diferente, para descontrair, para rir”. Esta margem para o erro, na opinião de Mónica Coteriano, é essencial. “Temos profissionais, e temos abertura para o erro, para pessoas mais amadoras que queiram experimentar o palco e acho que isto tudo é muito bonito, mas eu sou suspeita”, confessa.

      Nesta abertura ao amadorismo, os eventos nocturnos da Associação 10 Marias também acolhem a participação do público, que normalmente se veste “a rigor”, adoptando um dress code burlesco e teatral. A anfitriã diz que este ano também gostaria que as pessoas se vestissem, mas que “não é uma obrigação”, porque “há pessoas que não se sentem confortáveis”, mas que quem quiser, deve, porque é “uma oportunidade de as pessoas saírem e se sentirem diferentes, e fazerem parte do ambiente do cabaret”.

      Com abertura das portas marcada para as 21h, e início do espectáculo para as 22h, Mónica Coterianoindica ainda que haverá bar aberto “para evitar trocas de dinheiro” e snacks até ao fim da festa, às duas da manhã. Os bilhetes para a “Neverending Waves – Cabaret Night” custam 400 patacas e podem ser adquiridos através do contacto 62863409.

      BARCO DO AMOR

      Foi em Junho de 2019 que a Associação Cultural 10 Marias organizou o seu último evento nocturno: o “Love Boat”, um espectáculo num barco turístico. Para além de 13 artistas no palco do interior do barco, também havia música e uma pista de dança na parte superior do barco com vista para o Rio das Pérolas. Acolhido pelos participantes, muitos dos quais também se mascararam para se juntarem ao ambiente de festa, os bilhetes para o evento burlesco esgotaramrapidamente. Na altura, este “barco do amor” partiu do Porto Interior às 22 horas e fez um passeio cénico pela costa de Macau. Em 2018, a organização organizou o seu primeiro cabaret no já extinto LMA – Live Music Association, com mais de 100 participantes a encherem a pequena sala de concertos.

      Para o futuro próximo, Mónica Coteriano espera que a sua associação consiga voltar a pegar em projectos com participantes internacionais, que estavam a ser planeados, antes da epidemia. O ano passado fizemos projectos assim um bocado a medo porque não sabíamos se íamos abrir, mas para o ano espero que sim”.

      Na nota de imprensa, a associação recorda que foi em 2016 que “a ideia partiu de um grupo feminino que pretendia dar voz às mulheres ligadas às artes” e que,para além de “organizarem espectáculos, exposições e instalações artísticas, os convidados/autores/artistas partilham os seus conhecimentos além-palco, ou seja, em workshops ou convívios muitas vezes informais com os alunos e com o público interessado de Macau.Em nome da associação, Mónica Coteriano aproveitou ainda para agradecer o apoio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura por confiar e apoiar os projectos da associação desde o seu nascimento.