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      Secretário diz que “é inconveniente” comentar fim da associação que organizava vigília por Tiananmen

      A União de Macau para o Desenvolvimento da Democracia (UMDD), que organizava anualmente a vigília pelas vítimas da repressão de 4 de Junho de 1989 em Tiananmen, encerrou as suas actividades recentemente as suas actividades por receio de vir a ser um dos alvos da nova lei de segurança do Estado. Questionado na conferência de imprensa sobre se há realmente motivos para receio da nova lei, o secretário para a Segurança limitou-se a dizer que em Macau “há liberdade de associação”. “Há liberdade para constituir uma associação e também há liberdade para encerrar associação”. “É inconveniente comentarmos [o encerramento da UMDD]”, disse Wong Sio Chak, reiterando que a RAEM “garante liberdade de associação”.

      Na conferência de imprensa de ontem, o secretário foi também questionado sobre a presença policial no Largo do Senado no passado dia 4 de Junho – onde se realizava habitualmente a vigília – , mas Wong Sio Chak não quis revelar números. “Diariamente fazemos o planeamento, mas não podemos divulgar [o número de agentes destacados], o que acontece com todas as autoridades policiais de todo o mundo”, referiu. Segundo o jornal South China Morning Post, a polícia de Hong Kong destacou 5.000 agentes para o Victoria Park de forma a evitar que houvesse vigília pública na região vizinha.

      Em Macau, entre 1989 e 2019, os democratas de Macau reuniam-se no Largo do Senado na noite de 4 de Junho em memória das vítimas de Tiananmen. A iniciativa era organizada pela UMDD, associação dos antigos deputados Au Kam San e Ng Kuok Cheong, que entretanto encerrou.

      Em 2020, as autoridades policiais negaram a realização da iniciativa sob o pretexto da prevenção da pandemia. Em 2021, o Corpo de Polícia de Segurança Pública também negou a vigília e o Tribunal de Última Instância rejeitou o recurso dos democratas, dizendo que a vigília de Macau dava palco a um “planeado e deliberado ataque e insulto” à República Popular da China e que isso é “claramente inadmissível e de necessário repúdio”. Em 2022, a UMDD já nem tentou organizar a iniciativa e em 2023 a associação extinguiu-se por receio da nova lei de segurança nacional. Assim, tal como aconteceu no ano passado, a homenagem às vítimas de Tiananmen passa das ruas para a esfera privada, com Au Kam San a publicar informações históricas no Facebook.