Grupos da resistência no Myanmar acusam Junta Militar de decapitar oito pessoas

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Grupos da resistência no Myanmar acusaram ontem a Junta Militar no país de decapitar oito pessoas – três civis e cinco membros da oposição armada – durante uma série de operações em Chaung U, na região de Sagaing (centro).

Um destacamento de 80 soldados invadiu ontem um campo de treino das Forças de Defesa Popular (FDP) e um mosteiro adjacente, depois de ter ocupado sexta-feira a aldeia de Kyi Kone, nas proximidades, segundo o portal de notícias The Irrawaddy.

As vítimas mortais encontram-se entre os mais de 100 residentes que tiveram de abandonar o mosteiro na sequência do ataque, precedido por uma série de confrontos entre as forças da resistência e os militares. “Os nossos camaradas tiveram tempo suficiente para evitar a operação da junta, mas decidiram ficar para trás para ajudar a retirar os civis do mosteiro. Foram capturados juntamente com dois outros civis quando ainda procuravam por mais residentes”, reporta-se no portal das FDP.

A este respeito, o portal adiantou que todos os detidos foram “esfaqueados no pescoço e no abdómen antes de serem decapitados”.  “Os seus torsos decapitados ainda estavam a sangrar quando chegámos. Temos de cremar os corpos sem as cabeças”, sublinhou as FDP, acusando as tropas birmanesas de terem cometido atrocidades. “Ver as atrocidades da Junta [Militar] tornou os meus camaradas mais determinados na sua luta até que o regime seja deposto. Não podemos permitir que o exército cometa assassínios e violações para poder governar”, afirmou.

A crise no Myanmar foi desencadeada na sequência do golpe de Estado militar de 1 de Fevereiro de 2021, com uma forte repressão do novo poder sobre a população e com a detenção de Aung San Suu Kyi, vencedora das eleições legislativas de novembro de 2020 e prémio Nobel da Paz em 1991.

Desde a independência de Myanmar em 1948, vários grupos étnicos têm estado em conflito com o Governo central por mais autonomia, acesso aos muitos recursos naturais do país ou parte do lucrativo comércio de drogas. A situação no Myanmar tem suscitado a condenação da comunidade internacional e desencadeado sanções visando a junta militar birmanesa.

Os Estados Unidos, que suspendeu também um acordo comercial de 2013, Reino Unido (antiga potência colonial) e a União Europeia (UE) decretaram sanções visando altas patentes das forças armadas birmanesas.