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      Associação dos Arquitectos de Macau promove conversa com fotógrafo Virgile Simon Bertrand  

      O francês, que vive na Ásia desde o final dos anos de 1990, estará no território para falar da sua experiência como fotógrafo de arquitectura na Ásia. Virgile usará exemplos do seu próprio trabalho para clientes como Herzog & de Meuron, Zaha Hadid Architects e Kohn Pedersen Fox Associates. “Quando bons arquitectos estão no comando, a arquitectura antiga e a nova podem coexistir muito bem”, afirmou ao PONTO FINAL.

       

      O fotógrafo Virgile Simon Bertrand está de visita ao território, a convite da Associação dos Arquitectos de Macau (AAM), onde virá dar uma palestra sobre fotografia de arquitectura amanhã, dia 26 de Abril, pelas 18h30.

      O francês, que vive na Ásia desde o final dos anos de 1990, discutirá sobre processos criativos, interacção com arquitectos e designers, equipamentos usados tanto para filmagem e captura digital quanto iluminação. Ao mesmo tempo, Virgile usará exemplos do seu próprio trabalho para clientes como Herzog & de Meuron, Zaha Hadid Architects e Kohn Pedersen Fox Associates. “Falarei sobre a minha experiência como fotógrafo de arquitectura na Ásia nos últimos 20 anos”, começou por dizer ao PONTO FINAL o palestrante.

      FOTOGRAFIA: VIRGILE SIMON BERTRAND

      E a arquitectura evoluiu positivamente na Ásia nos últimos anos, questionámos Virgile Simon Bertrand. “Espero que sim. Há muitos novos projectos a serem lançados após a pandemia de Covid-19 e será um ano agitado. No entanto, em geral, a minha percepção é que as considerações ecológicas podem ser frequentemente deixadas de lado. Não deve ser sempre uma grande arquitectura icónica, mas também apenas garantir que o nosso ambiente permaneça habitável, tanto para nós como para todos os animais ao nosso redor, que temos o dever de proteger. Mudanças simples e não excessivamente caras, como o uso de vidros duplos de alta qualidade, por exemplo, podem ter um impacto enorme na nossa pegada de carbono. Mudanças discretas e trabalhos de melhoria em edifícios existentes podem ter um impacto positivo a longo prazo no nosso planeta”, afirmou o fotógrafo, dando como exemplo que, em Hong Kong, “vastos parques rurais são protegidos e, como resultado, as cidades cresceram verticalmente”. “Infelizmente, foi o contrário em Malta, o país mais densamente povoado da União Europeia, onde foi permitido que construções de padrões variáveis se espalhassem horizontalmente em detrimento do ambiente natural”, lembrou.

      Virgile Simon Bertrand é da opinião que é possível criar-se novos projectos arquitectónicos na RAEM sem prejudicar o actual Património Mundial da UNESCO. O fotógrafo considera que, para isso, “usar o que temos deve ser a prioridade número um para qualquer coisa”. “Obviamente, isso é ainda mais evidente para locais de valor histórico e cultural excepcional. Por exemplo, alguns escritórios de arquitectura como Snøhetta (Musée Carnavalet, em Paris) ou Purcell (Tai Kwun, em Hong Kong) desenvolveram uma perícia específica que lhes permite, e aos seus clientes, revitalizar estruturas antigas de uma forma totalmente relevante para o século XXI. Uma das tarefas mais agradáveis e significativas que fiz no passado foi documentar a reforma de Béthanie em Pokfulam, em 2005, para a Academy of Performing Arts em Hong Kong. Quando bons arquitectos estão no comando, a arquitectura antiga e a nova podem coexistir muito bem”, constatou.

      FOTOGRAFIA: VIRGILE SIMON BERTRAND

       

      “NÃO TER MEDO DE DOCUMENTAR O QUE ESTÁ PRESTES A SER SUBSTITUÍDO”

      O fotógrafo francês enfatiza que, nesta questão da salvaguarda do património, a fotografia “pode realmente desempenhar um papel importante”, apesar de o considerar “o mais modesto”, mas talvez o mais importante, sendo “apenas” de documentação. “Algumas imagens que eram apenas fotografias casuais anos atrás podem tornar-se incrivelmente valiosas com o passar dos anos, pois são os únicos vestígios do passado. Muitas vezes tentei aceder a edifícios que deveriam ser demolidos, mas a maioria dos proprietários tem relutância em conceder acesso. Uma maneira de fazer a diferença, porém, é não ter medo de documentar o que está prestes a ser substituído, para que as gerações futuras tenham a oportunidade de ver de onde viemos”, notou.

      E Macau, é um território apelativo à fotografia? Ao nosso jornal, o francês não tem qualquer dúvida em considerar que sim, “muito mesmo” até. “A Taipa com o seu icónico Morpheus, de Zaha Hadid Architects, é inigualável em qualquer parte do Mundo. A cidade velha com um tecido urbano incrivelmente denso oferece constantemente novas perspectivas. Gostaria muito de fotografar sistematicamente locais de culto no território ou qualquer arquitectura historicamente significativa de facto. Voltando às considerações ambientais, muito poderia ser feito para libertar a cidade de veículos particulares que infelizmente estão a obstruir uma boa parte da cidade. A experiência visual só poderia ser melhorada se todos os atritos urbanos, ruído e poluição, fossem drasticamente reduzidos”, admitiu.

      FOTOGRAFIA: VIRGILE SIMON BERTRAND

      A palestra, dada em língua inglesa, terá a duração de duas horas e far-se-á em modo híbrido (presencialmente e em Zoom Webinar). Todos os participantes tiveram de pagar uma taxa de participação, sendo que associados da AAM pagaram 200 patacas e não associados pagaram 250. O preço inclui a emissão de certificado. O link do Zoom Webinar será enviado para o e-mail do participante um dia antes do evento.

      Virgile Simon Bertrand é um fotógrafo francês que vive na Ásia desde o final dos anos 1990. Estudou Artes Aplicadas na Ecole Boulle, em Paris, de 1988 a 1991, Design Gráfico na Ecole Duperre, também em Paris, e Fotografia na Ecole Nationale de la Photographie em Arles, durante 1993. Começou a sua carreira a auxiliar o fotógrafo Abbas, da Magnum, e a trabalhar como fotógrafo para a Ópera Nacional de Paris. O interesse de Bertrand na relação entre o indivíduo, o espaço e a escala permeia tanto a sua fotografia ‘fine art’ quanto o seu trabalho comercial, e começou com os seus primeiros grandes projectos para a Ópera e para Donald Byrd/The Group em Nova Iorque. Depois de completar o seu trabalho no Service Photographique des Armƒees, Virgile mudou-se para a Ásia, estabelecendo uma prática comercial. Trabalhou para a Zaha Hadid Associates, Office for Metropolitan Architecture, Cesar Pelli e RMJM, entre outros, e publicou em revistas como a Qvest, a Interni, a ID, a Vogue, a Forbes, a Wallpaper, a Intramuros e a Mark. Em 2004, foi premiado com a Fotografia do Ano do Clube de Correspondentes Estrangeiros de Hong Kong pelo retrato do Cardeal Zen e foi finalista na categoria de Melhor Retrato Comissionado para o Prémio AOP de 2009. O seu trabalho fotográfico já foi exibido em Taipé, Hong Kong, Paris, Arles e em Londres. Foi também foi seleccionado como um dos dez finalistas na Categoria de Arquitetura do Hasselblad Masters Competition 2009. Também nesse ano, uma retrospectiva do trabalho de Bertrand sob o título Proxemics foi realizada na Artistree e reconhecida como a melhor exposição pelo jornal South China Morning Post.

      FOTOGRAFIA: VIRGILE SIMON BERTRAND