Governo diz que precisa de tempo para avaliar se aumento exponencial de mortos se deveu à pandemia

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FOTOGRAFIA EDUARDO MARTINS ARQUIVO

Em Dezembro de 2022 e em Janeiro de 2023, a mortalidade em Macau bateu recordes históricos, tendo sido quatro vezes superior ao habitual. Só as mortes provocadas por doenças do aparelho respiratório, em Janeiro, aumentaram quase 1.700% face ao ano anterior. No entanto, para o Governo não é claro que o aumento recorde do número de óbitos esteja ligado ao fim das restrições pandémicas. Em resposta ao PONTO FINAL, o gabinete da Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura diz que “as autoridades de Macau precisam de um longo tempo para poder avaliar, objectivamente, a mortalidade excessiva associada à pandemia”.

O aumento considerável do número de mortes nos meses de Dezembro do ano passado e Janeiro deste ano coincide com o período em que o Governo de Macau levantou as restrições pandémicas. Ainda assim, em resposta ao PONTO FINAL, o gabinete da Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura continua a não associar a mortalidade excessiva ao surto de Covid-19 que se espalhou no território na altura.

Recorde-se de que, segundo dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), em Janeiro deste ano, o número de mortes em Macau foi quase o quádruplo do normal. Nesse mês verificaram-se, no total, 798 óbitos no território. Em Janeiro de 2022 verificaram-se 206 óbitos e em Janeiro de 2021 foram 212, por exemplo. Só as mortes provocadas por doenças do aparelho respiratório, em Janeiro, aumentaram quase 1.700% face ao ano anterior. Já em Dezembro de 2022 o número de mortos também foi quase o quádruplo do habitual.

O PONTO FINAL perguntou ao gabinete de Elsie Ao Ieongse considerava este aumento exponencial na mortalidade do território uma consequência do surto de Covid-19 que se espalhou em Macau a partir do final de Dezembro. Na resposta, o Executivo começa por apontar que, tal como faz a Organização Mundial de Saúde (OMS), as autoridades de Macau contabilizam as mortes por Covid-19 tendo por base o conceito de “causa fundamental”. Ou seja: “No caso de falecimento de um doente, que sofre de outras doenças como doenças crónicas ou tumor em fase terminal, devido à pneumonia ou à degradação dessa doença causada por infecção de Covid-19, pode concluir-se que a causa fundamental da sua morte se deve à doença crónica ou tumor que o doente tinha sofrido, sendo essa definição também adoptada em Macau”.

Assim, o que é que explica o aumento de quase 1.700% no número de mortes provocadas por doenças do aparelho respiratório, em Janeiro? O gabinete da Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura responde que “as autoridades de Macau precisam de um longo tempo para poder avaliar, objectivamente, a mortalidade excessiva associada à pandemia”.

A mortalidade excessiva é a diferença entre o número de mortes registado dentro de um ano contado a partir do surgimento da pandemia e o número de mortes registado no período homólogo antes da respectiva pandemia, incluindo as mortes causadas directamente por Covid-19 e pela degradação de doença crónica, bem como as mortes relacionadas com os impactos causados pela pandemia no sistema de saúde e na sociedade, explicam as autoridades.

Na resposta, o Governo de Macau salienta ainda que, tendo em conta que a OMS ainda não declarou o fim da pandemia de Covid-19, “as autoridades de saúde estão a continuar a monitorizar, de perto, a evolução pandémica, e vão ajustar, em tempo oportuno, as políticas e medidas antiepidémicas de Macau, conforme a situação real”.