O Presidente sul-coreano defendeu ontem o plano controverso do Governo de compensar trabalhadores escravizados por empresas japonesas durante a Segunda Guerra Mundial, argumentando que é fundamental para o futuro.
Durante uma reunião do gabinete, o Presidente sul-coreano Yoon Suk-yeol descreveu o plano como resultado dos esforços do Governo para “respeitar as posições das vítimas, ao mesmo tempo que procurava formas de se alinhar com os interesses comuns e o desenvolvimento futuro tanto da Coreia do Sul como do Japão”.
O plano visa resolver um impasse de um ano com o Japão e solidificar a cooperação em matéria de segurança entre Seul, Tóquio e Washington para melhor enfrentar as ameaças nucleares da Coreia do Norte e contrariar a influência regional da China. Mas tem encontrado uma oposição feroz das vítimas de trabalhos forçados, de apoiantes e de políticos liberais da oposição, que apelidaram este projeto de “rendição diplomática” e exigiram pagamentos diretos e um novo pedido de desculpas do Japão sobre o assunto.
Anunciado na segunda-feira, o plano visa oferecer reparações, através de uma fundação estatal, a um grupo de vítimas de trabalhos forçados. Este grupo já tinha ganho processos contra os antigos empregadores japoneses.
O Japão insistiu que todas as questões de compensação foram resolvidas pelo tratado de 1965, que normalizou as relações entre os dois países. Tóquio colonizou a península coreana durante 35 anos e até ao final da Segunda Guerra Mundial.
O dinheiro para compensar as vítimas do trabalho forçado deverá vir das empresas sul-coreanas que beneficiaram desse acordo de 1965, acompanhado por centenas de milhões de dólares em ajuda económica e empréstimos deTóquio a Seul, utilizados em projetos de desenvolvimento realizados por aquelas empresas, incluindo o gigante siderúrgico POSCO, que afirmou já que vai considerar contribuir para o fundo se tal lhe for pedido.
Embora o plano possa ser uma aposta política para Yoon em casa, especialistas disseram acreditar que o Presidente sul-coreano vai continuar a pressionar para melhorar as relações com o Japão, uma vez que procura reforçar a defesa da Coreia do Sul, tendo em conta a aliança com os Estados Unidos para fazer face ao crescente programa de armamento da Coreia do Norte.
Yoon disse ser fundamental para a Coreia do Sul reparar os laços com o Japão, deteriorados nos últimos anos devido a queixas ligadas ao brutal domínio japonês sobre a Coreia de 1910 a 1945.
Centenas de milhares de coreanos foram mobilizados como trabalhadores forçados para empresas japonesas, ou escravas sexuais nos bordéis militares de Tóquio durante aquele período.
“O Japão mudou de um agressor militarista para um parceiro que partilha connosco valores universais e coopera connosco em matéria de segurança, economia, ciência e tecnologia, e agendas globais”, disse Yoon. “É evidente que a cooperação orientada para o futuro entre a Coreia do Sul e o Japão irá preservar a liberdade, a paz e a prosperidade não só para os dois países, mas também para o mundo inteiro”, sublinhou.
As tensões com o Japão intensificaram-se depois de o Supremo Tribunal da Coreia do Sul, em 2018, ter confirmado as sentenças dos tribunais inferiores e ordenado à Nippon Steel e à Mitsubishi Heavy Industries que compensassem os trabalhadores forçados coreanos. O Japão reagiu furiosamente, colocando controlos de exportação sobre produtos químicos vitais para a indústria de semicondutores da Coreia do Sul em 2019, citando a deterioração da confiança bilateral.
O anterior Governo liberal da Coreia do Sul ameaçou pôr termo a um acordo de partilha de informações militares com Tóquio, um símbolo importante da cooperação de segurança tripartida com Washington. Seul acabou por recuar e manteve o acordo depois de ter sido pressionada pela administração de Donald Trump. Horas depois de Seul divulgar os planos para compensar as vítimas de trabalhos forçados, os Ministérios do comércio sul-coreano e japonês anunciaram simultaneamente planos de conversações para restabelecer as relações comerciais. O Ministério do Comércio da Coreia do Sul disse que decidiu suspender os procedimentos de disputa com a Organização Mundial do Comércio sobre as restrições comerciais japonesas. Lusa











