O balanço da criminalidade foi feito pelo secretário para a Segurança, que atribuiu a queda da criminalidade à pandemia de Covid-19, que criou um impacto restritivo no território. Wong Sio Chak, no entanto, demonstrou apreensão com o “aumento óbvio” do “abuso sexual de menores através da Internet”.
As actividades de índole criminosa em Macau desceram quase 14% no ano passado. Esta é a grande conclusão do balanço da criminalidade de 2022 apresentado, na passada sexta-feira, pelo secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, em conferência de imprensa.
No entanto, e apesar de um balanço positivo, o Governo revela alguma preocupação com o “aumento óbvio” do “abuso sexual de menores através da Internet” no ano passado. De acordo com dados divulgados, foram detectados um total de 27 casos de abuso sexual de menores, o que representou mais nove casos do que em 2021.
Wong Sio Chak admitiu aos jornalistas não ter dados concretos sobre quantos casos de abuso sexual de menores envolveram a Internet, nomeadamente redes ou plataformas sociais, mas considerou que é “provável que a suspensão de aulas ou o ensino online” tenham dado aos jovens “mais tempo para usar as redes ou plataformas sociais online para fazerem amigos”.
Devido a esse aumento, o governante deixou um apelo e desafio a toda a população do território. “É importante o reforço da educação sexual e a prevenção, uma vez que osmenores são facilmente enganados e prejudicados por malfeitores. É uma questão social, tem de obter atenção de toda a sociedade, dos pais, das escolas”, referiu.
O secretário para a Segurança acrescentou ainda, sobre o mesmo assunto, que a Polícia Judiciária (PJ) “desvendou vários casos de disseminação de vídeos pornográficos relacionados com menores através da Internet” desde que aderiu em 2020 a um projecto internacional da Interpol de combate a crimes sexuais contra menores de idade.
No ano passado foram iniciadas 9.799 investigações criminais, um valor considerado pelas autoridades de segurança como o mais baixo desde 2019. Devido, essencialmente, à pandemia de Covid-19, “os crimes tradicionais de burlas e extorsão também passaram a ser praticados através da internet”. As autoridades policiais do território registaram 1.315 casos de burla, mais oito do que em 2021, e 138 casos de extorsão, mais 39. “Durante os anos de 2019 a 2022, a polícia de Macau instaurou, respectivamente,14.178, 10.057, 11.376 e 9.799 inquéritos criminais. Referiu que a criminalidade de 2022 é a mais baixa, comparativamente com os anos de 2021, 2020 e 2019, apresentando, respectivamente, quedas de 13,9%, 2,6% e 30,9%”, sublinhou.
Referiu também o secretário para a Segurança que “os criminosos começaram a tirar proveito do pânico do público para criar várias burlas relacionadas com a pandemia”, assim como, desde Junho passado, burlas com a encomenda de alimentos ou produtos alimentares. Wong Sio Chak afirmouainda que ocorreram 92 crimes de extorsão por ‘nude chat’ e 67 casos de pessoas enganadas pelo chamado “falso ‘enjo kosai’”, jovens acompanhantes com possibilidade de serviços sexuais, explicou.
Wong Sio Chak admitiu, no entanto, que as forças de segurança preveem “o ressurgimento de burlões da troca de dinheiro”, assim como “um certo aumento do número de crimes dos casos em geral”, com a retoma do turismo.
Em 2022, e em comparação com 2021, verificou-se uma tendência de descida dos principais tipos de crimes relacionados com o jogo e, de entre estes, o número de crimes de burla é o mais alto, e na maior parte dos casos respeita a actividades de troca ilegal de dinheiro, seguindo-se os casos de desobediência e de apropriação ilegítima.
Na conferência de imprensa, o governante apresentou também um novo documento destinado a avaliar o impacto da situação actual do sector do jogo na criminalidade em Macau. O número total de crimes relacionados diminuiu de forma significativa em 2022, e muito por culpa de não existirem muitos turistas em Macau, sugeriu Wong Sio Chak.
Ainda relativo ao sector do jogo, o responsável máximo da tutela afirmou que, com a conclusão dos trabalhos do novo concurso para atribuição de concessões para a exploração de jogos de fortuna ou azar “não foi detectado nenhum movimento anómalo referente a várias actividades ilegais e criminosas relacionadas com o jogo”.
O secretário congratulou-se pelo facto de que, graças a um mecanismo de alerta para suspensão de transacções suspeitas e cessação de pagamento, a polícia conseguiu recuperar cerca de 3,7 milhões de patacas em 26 casos, mas lamentou a consumação de um crime de burla, numa denúncia directa à PJ, no valor de mais de sete milhões de patacas em transacções fraudulentas, cujo as autoridades locais nada puderam fazer para impedir. “Face a estas situações, as autoridades da segurança continuam a manter uma elevada atenção, a persistir no conceito da execução de lei sobre a investigação criminal orientada pelas informações e policiamento activo, a empenhar-se na orientação policial de melhoria do trabalho com recurso à tecnologia, e ao mesmo tempo continuarão a reforçar a troca de informações e a cooperação com os departamentos homólogos das regiões vizinhas”, concluiu.











