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      Fim súbito da política de ‘zero casos’ é um desafio para Pequim, diz investigador

      O súbito desmantelamento da estratégia ‘zero casos’ de covid-19 e subsequente aumento de infecções e mortes suscitou um “desafio de credibilidade” para Pequim, admitiu um especialista chinês em políticas de saúde pública. A estratégia de ‘zero casos’ de covid-19 foi assumida pelo Presidente Xi Jinping como um trunfo político e prova da superioridade do modelo de governação chinês, após o país conter com sucesso os surtos iniciais da doença.

      “Até para a propaganda do regime é desafiante construir uma narrativa coerente sobre o que está a acontecer”, descreveu o investigador chinês Yanzhong Huang, que dirige a pesquisa em assuntos de saúde global no Conselho de Relações Externas, um centro de reflexão (‘think tank’) com sede em Nova Iorque.

      Face ao descontentamento popular e quebra dos dados económicos, as autoridades chinesas optaram por um desmantelamento acelerado da estratégia ‘zero covid’, que vigorou no país ao longo de quase três anos e incluía o isolamento de todos os casos positivos e contactos próximos, bloqueio de cidades durante semanas, a realização constante de testes em massa e o encerramento das fronteiras.

      A súbita retirada das restrições resultou numa vaga de infecções que inundou o sistema hospitalar e os crematórios do país.

      “Certamente que a situação actual está a causar um desafio de credibilidade para o governo, já que o que foi dito durante a era ‘zero covid’ é bem diferente da mensagem promovida durante a reabertura”, notou o especialista.

      Durante período em que vigorou a política de ‘zero casos’, as autoridades chinesas enfatizaram os perigos da covid-19 como um vírus “mortal” e “incapacitante”. Até Novembro passado, o epidemiologista encarregue da estratégia chinesa, Liang Wannian, continuou a frisar que a China “não podia vacilar” na contenção da doença. No mês seguinte, concluiu que, afinal, o “vírus deixou de ser perigoso”. “O mantra era que, em primeiro lugar, estava a saúde das pessoas”, apesar dos custos económicos e sociais, lembrou Huang. “Agora, nem os tratamentos para a covid-19 são subsidiados pelo Estado”, apontou.

      Dados publicados por diferentes províncias da China mostram que várias regiões gastaram, nos últimos três anos, o equivalente a dezenas de milhares de milhões no combate ao vírus. Os custos de pôr em prática as directrizes de Pequim obrigaram ao desvio de fundos destinados a outros sectores.

      Após Pequim abandonar as políticas de prevenção, pelo menos 14 cidades e províncias da China pararam de fornecer tratamento gratuito para o coronavírus, de acordo com anúncios dos respectivos governos locais, citados pelo jornal britânico Financial Times. Hospitais em Xangai e Cantão, duas das maiores cidades da China, estão agora a cobrar a pacientes com sintomas graves de covid-19 até 20.000 yuans por dia para tratamento nos cuidados intensivos.

      A importância daqueles elementos na governação do país foi frisada por Deng Xiaoping, que liderou as reformas económicas no país, nos anos 1980. O actual Presidente chinês, Xi Jinping, reverteu várias das reformas políticas lançadas por Deng, que procuraram basear a tomada de decisão num processo de consulta coletiva, afastar o Partido Comunista de órgãos administrativos do Estado e descentralizar a autoridade pelas províncias e localidades. Em Outubro passado, o governante assumiu um terceiro mandato sem precedentes, reforçando o seu estatuto como um dos líderes mais fortes na História da República Popular.

      A estratégia de ‘zero casos’ de covid-19 foi assumida por Xi como um trunfo político e prova da superioridade do modelo de governação chinês, após o país conter com sucesso os surtos iniciais da doença. “Não há dúvida de que o governo chinês tem uma forte capacidade de mobilizar a burocracia e os recursos para executar planos num curto espaço de tempo” destacou Huang. “Mas, quase quatro décadas após o início do processo de ‘reforma e abertura’, o sistema político chinês continua a ter uma organização não participativa e arbitrária, que culminou numa reabertura caótica e confusa”, afirmou.

      Lusa

      ViaLusa
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      Redacção do Ponto Final Macau