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      Empresário pede seguro para exportação

      O macaense Humberto Rodrigues, proprietário da firma F. Rodrigues, confessou ao PONTO FINAL que gostaria muito de poder apostar em produtos de Angola, Moçambique, Brasil ou outros países de língua portuguesa, mas lamenta que, ao contrário da China continental e Hong Kong, Macau ainda não tenha criado um seguro para exportação que transformaria, de facto, o território numa plataforma entre Pequim e a lusofonia.

      O empresário macaense Humberto Rodrigues, recentemente agraciado pelo Governo da RAEM com a medalha de Mérito Industrial e Comercial, depois de em 2016 o título ter sido entregue à empresa que gere, a F. Rodrigues, lamentou ao PONTO FINAL que Macau precisa “urgentemente” de criar um seguro de exportação. “Nós, nas inúmeras reuniões que temos com departamentos públicos, inclusive com os sucessivos Chefes do Executivo, já abordámos o tema e pedimos que seja criado esse mecanismo. Sem isso, tudo se tona mais complicado”, apontou.

      Quando confrontado sobre porque é que produtos alimentares de Angola, Moçambique ou até mais diversidade vinda do Brasil, teimam em não chegar a Macau, Humberto Rodrigues sublinhou que isso só poderá ser uma realidade quando houver esse tal seguro de exportação. “Por mais que acredite que haja mercado para produtos vindos dos países de língua portuguesa, é sempre um risco investir em coisas que, mesmo sendo boas, são desconhecidas e apenas um nicho as consome. Pessoalmente gostaria de trazer esses produtos que enunciou [cerveja Laurentina, de Moçambique, cerveja Cuca de Angola e doce de leite do Brasil], mas nas condições actuais, não”, notou.

      Humberto Rodrigues mostra-se ainda mais agastado com a situação, numa altura em que todos pedem diversificação económica, sem que se libertem todos os mecanismos possíveis para que isso suceda, “ajudando até as empresas locais”. “A China continental e Hong Kong têm esse seguro. É uma incógnita, e ninguém me consegue explicar o porquê de Macau não ter. O país não está a agir em conjunto neste particular”, lamentou.

      Macau tem aproveitado para promover os produtos e serviços dos países de língua portuguesa, nomeadamente na PLPEX, uma exposição criada para o efeito, no âmbito da Feira Internacional de Macau (MIF). Mais, o território possui o Centro de Serviços Comerciais para as Pequenas e Médias Empresas da China e dos Países de Língua Portuguesa, o Centro de Distribuição dos Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa e o Centro de Convenções e Exposições para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa todos criados há diversos anos, sob a alçada do Fórum de Macau e do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM).

      Muitos são os residentes lusófonos que, durante as suas viagens aos seus países de origem, trazem consigo produtos alimentares e não só. No Tap Seac existe uma montra de produtos oriundos dos países de língua portuguesa que, muito provavelmente, são apenas para serem exportado para o continente ou para Hong Kong ou outros países na Ásia, porque a maioria desses produtos, constatou o PONTO FINAL, muito raramente vão parar às prateleiras de supermercados ou aos armazéns de revendedores.

      Recorde-se que, desde a sua abertura em 2016, o Centro de Exposição dos Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa tem vindo a promover diversos produtos dos países de língua portuguesa e, a partir de Novembro de 2020, passou a integrar uma zona de exposição de produtos característicos de Macau. Humberto Rodrigues considera que é preciso fazer mais.