A campanha de vacinação a idosos gera esperança de que a China pode reverter as rígidas restrições anti-Covid que resultaram em protestos em várias partes do país contra as medidas.
Os mercados de acções responderam positivamente depois de a Comissão Nacional de Saúde ter anunciado, na terça-feira, a esperada campanha de vacinação.
A baixa taxa de vacinação é um dos maiores obstáculos para acabar com as restrições que confinaram milhões de pessoas em casa, causaram efeitos nefastos na economia e mantiveram o turismo num nível baixo.
As autoridades de saúde não deram nenhuma indicação de quanto tempo esta campanha de vacinação poderá demorar, mas levará meses e a China também precisa de construir os seus hospitais e elaborar uma estratégia contra a Covid-19 a longo prazo, alertam especialistas em saúde e economistas citados pela agência Associated Press (AP). Os especialistas antecipam que a politica “zero Covid” deverá permanecer em vigor até meados de 2023 e possivelmente até 2024.
“A China não está em condições de mudar a sua política “zero Covid” para uma política “viver com a Covid” pela fraca capacidade de atendimento de saúde, sublinhou Mark Williams, economista-chefe da Capital Economics para a Ásia.
A autoridade de saúde vai incentivar a vacinação a pessoas com mais de 60 anos. Muitos não se vacinaram devido a preocupações com segurança e porque com baixos níveis de infecção o risco era baixo.
Nove em cada dez chineses foram vacinados, mas apenas 66% das pessoas com mais de 80 anos receberam uma injecção, enquanto 40% receberam um reforço, segundo dados oficiais, que apontam que 86% das pessoas com mais de 60 anos estão vacinadas.
Em comparação, 93% dos norte-americanos com 65 anos ou mais estão totalmente vacinados e outros 2% têm pelo menos uma dose, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, em inglês).
A China, onde o vírus foi detectado pela primeira vez no final de 2019 na cidade de Wuhan, é o último grande país a tentar interromper completamente a sua transmissão. Outros estão a relaxar o controlo, procurando conviver com o vírus que matou pelo menos 6,6 milhões de pessoas em todo o mundo e infectou quase 650 milhões.













