Edição do dia

Quarta-feira, 19 de Junho, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
chuva fraca
30.9 ° C
32.9 °
30.9 °
84 %
5.1kmh
40 %
Qua
31 °
Qui
30 °
Sex
30 °
Sáb
30 °
Dom
30 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      InícioCulturaNarrativas sobre Macau em texto e fotografia é a proposta de 13...

      Narrativas sobre Macau em texto e fotografia é a proposta de 13 autores

      Com a chancela da Universidade de São José, acaba de nascer um livro com mais de 350 páginas que revela fotografia e texto daquilo que são 12 histórias de 13 autores sobre Macau. “Macau – A Minha História” revela diferentes abordagens, diferentes visões do território, que juntas revelam uma única coisa: o amor por Macau. “Porque Macau é de quem a ama, de quem a sente como sua”, escreve José Manuel Simões, num dos prefácios da obra.

      O Departamento de Media, Arte e Tecnologia da Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade de São José (USJ) apresenta, na próxima quinta- feira, dia 10 de Novembro, pelas19h30, no seu Campus da Ilha Verde, na Kent Wong Exhibition Gallery, o lançamento do livro “Macau – A Minha História”, uma edição bilingue – em português e em chinês – iniciativa de quatro editores: José Manuel Simões, Pei Ding An, João M. Rato e Guan Jian Sheng.

      As 12 narrativas que constituem esta obra são compostas por 13 autores/fotógrafos de diversas nacionalidades, proveniências e quadrantes culturais, que forjaram uma ligação intensa com a cidade de Macau, e que nos oferecem a sua visão sobre esta cidade multifacetada, sob a forma de histórias contadas através das suas fotografias e textos”, pode ler-se no comunicado de imprensa enviado pela USJ às redacções.

      Os autores das 12 histórias que se espalham no livro com mais de 350 páginas – um autêntico cartapácio, diga-se – são Guan Jian Sheng, que apresenta a narrativa em conjunto com Cecília Vong, Marjolene Estrada, Ng Kin Ieng, Dinamene – nome artístico de Catarina Cortesão Terra –, Ou Tian Xing, João Monteiro, Pei Ding An, José Manuel Simões, Jin Xin, João Palla Martins, Man-Hei Ng e João M. Rato. “Macau é uma cidade de histórias. Onde quer que se vá, há sempre histórias – histórias de identidade, histórias de conexão. […] Há muito que Macau anseia por um livro assim. É preciso que estas histórias sejam contadas e que sejam contadas na linguagem das lentes”, escreveu o reitor da USJ, Stephen Morgan, no prólogo do livro.

      O resultado final é um conjunto único de lembranças visuais profundas e narrativas surpreendentes que condensam a quintessência desta terra misteriosa, desde há séculos aberta ao mundo. “Ao editar os textos escritos para este livro e ao fruir das imagens aqui dentro reveladas, a primeira palavra que me ocorre é amor. Porque é de amor que se trata. O amor de quem ama esta terra independentemente de aqui ter nascido. Porque Macau é de quem a ama, de quem a sente como sua”, afirma o professor e director do departamento de Media, Arte e Tecnologia da Faculdade de Artes e Humanidades da USJ, José Manuel Simões.

      João M. Rato
      Dinamene

      AS MUDANÇAS ABRUPTAS DE MACAU

      Numa conversa breve com alguns dos autores, Majorlene Estrada confessou ao nosso jornal que ainda não viu o resultado final do livro, mas que, ainda assim, está ansiosa para que chegue quinta-feira. “Estou intrigada para ver se os meus trabalhos são semelhantes ou diferentes da perspectiva dos outros criativos. Então sim, pode dizer-se que esteja excitada para ver o resultado final do livro”, começou por dizer.

      A fotógrafa filipina nascida em Macau admitiu que gostou “muito de ser convidada a participar”. “O meu projecto não mostra apenas o meu desenvolvimento enquanto fotógrafa, mas também as mudanças abruptas que aconteceram em Macau, antes da pandemia”, afirmou.

      O fotógrafo João Monteiro, que tem vindo a debruçar-se em fotografia de aves e também de paisagem e arquitectura, considerou o convite que lhe foi endereçado pelo editor João M. Rato. “A ideia era para participar num livro em que fotógrafos mostram a cidade que tanto amamos”, referiu ao PONTO FINAL.

      O português explicou que a sua participação versa sobre o Centro Histórico de Macau inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO. “É um passeio que começa no templo de A-Má e termina no Farol da Guia. Trata-se de um conjunto de 20 fotografias que fui buscar ao meu portfólio, que não são inéditas, acompanhadas por um texto que elaborei e narra o passeio”, explicou.

      João Monteiro explicou ainda que não conhece a maioria dos fotógrafos que o acompanham na obra, mas admite que “se trata de um livro interessante e equilibrado, com diferentes abordagens fotográficas”.

      João Monteiro

      TESTEMUNHO

      O arquitecto João Palla Martins propõe “uma reflexão sobre a condição do património Vernacular em Macau”. “Como se encontra, como poderia ser visto, os bairros históricos, as lojas antigas e o seu valor patrimonial que desaparece todos os dias”, revelou ao nosso jornal

      Fotograficamente, acrescenta o autor, trata-se de “um ensaio que acompanha o teórico, dando-nos um testemunho do quotidiano destas lojas, ora fechadas ora abertas, com as suas actividades, algumas centenárias, com as suas placas bilingues também com valor patrimonial”.

      Ao PONTO FINAL, o editor e autor João M. Rato revelou que a ideia para o livro nasceu no final de 2020, numa conversa com Pei Ding An, seu colega de trabalho. “Teria de ser um livro que fosse um ponto de convergência de pessoas de proveniências diferentes sobre Macau. E teria de ser com trabalhos de fotógrafos amadores”, acrescentando que os textos “iriam complementar dando uma profundidade e densidade” à obra.

      Após dois anos, João M. Rato considera que o projecto “estendeu-se mais do que inicialmente previsto”, mas também considera que estamos perante um livro que “é para durar”. “É um livro para se ver com calma, para ser lido. É um livro que vai amadurecendo com o tempo.”

      Com uma edição de 310 exemplares, o livro deverá ser vendido a 250 patacas – com desconto de 20% no dia do lançamento –, ficando a faltar uma exposição para projectar os projectos agora publicados. “Este é um livro que surpreende pela sua diversidade, não só de olhares, como também de temas. Este projecto, na verdade, presta-se muito a poder passar a exposição em breve, tanto em Macau, como fora do território. Tudo isto foi muito interessante e enriquecedor”, admitiu o editor, sublinhando que estamos perante “uma declaração de amor” ao território.

      A sessão de apresentação, que contará com a presença dos autores, dos editores e de José Luís Sales Marques, que apresentará a obra, será realizada em português e em chinês.

      Ou Tianxing