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      InícioCulturaUM promove seminário sobre as representações filmadas da ex-Ásia portuguesa

      UM promove seminário sobre as representações filmadas da ex-Ásia portuguesa

      Tendo como oradora convidada a académica Maria do Carmo Piçarra, investigadora da Universidade Nova de Lisboa e docente da Universidade Autónoma de Lisboa, o evento será dividido em três dias, começando hoje. A segunda sessão, amanhã, é inteiramente dedicada a Macau. O pioneirismo de Antunes Amor e tentativas de produção local de cinema, entre outros temas, estão no programa do evento.

       

      O Centro de Investigação para Estudos Luso-Asiáticos (CIELA) do departamento de Português da Universidade de Macau (UM) promove, entre hoje e quinta-feira, inclusive, um seminário aberto online intitulado “Cinema Império – Representações filmadas da ex-Ásia portuguesa. Escassez e especificidades”, organizado e apresentado pela académicaMaria do Carmo Piçarra, investigadora da Universidade Nova de Lisboa (UNL) e docente da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL).

      Composto por três sessões em três dias consecutivos, com começo já hoje, pelas 19h (horário de Macau), o seminário irá abordar o cinema no “Oriente Português”, discutindo se a escassez de filmes sobre a ex-Índia portuguesa, Timor e Macau decorrerá de que o valor simbólico da comunidade imaginada que constituem é maior por omissão do que projectaria através da representação imagética. Em Portugal, acontecerá entre as 11h e as 13h, e no Brasil das 8h às 10h, através de ligação ZOOM no link https://umac.zoom.us/j/956 6651 2923.

      Maria do Carmo Piçarra analisará como a propaganda – e a censura – do Estado Novo português (1933-1974) determinou as representações dos países e/ou territórios que compunham a “Ásia Portuguesa”. “Discutir-se-á se a escassez de filmes sobre a ex-Índia portuguesa, Timor-Leste e Macau decorrerá de que o valor simbólico da comunidade imaginada que constituem é maior por omissão do que projectaria através da representação imagética”, pode ler-se no comunicado de imprensa do CIELA, divulgado ontem.

      A docente da UAL irá ainda analisar e discutir como é que o discurso luso-orientalista se abstraiu das especificidades locais, para afirmar, contra as evidências, que “do Minho a Timor, somos todos portugueses”. Ao longo do seminário, refere o programa divulgado pelo CIELA, procurar-se-á particularizar os casos de Goa, Damão e Diu, Macau e Timor, visionando excertos da filmografia portuguesa disponível sobre eles.

      Assim, já hoje, durante a primeira sessão, Maria do Carmo Piçarra falará do uso do cinema para fazer propaganda colonial (o caso português), bem como a “questão de Goa” e o início dos ciclos de propaganda filmada do “Oriente português” e, ainda, as especificidades do discurso luso-orientalista quanto à ex-Índia portuguesa e as persistências das representações nos filmes actuais de portugueses e indianos, com especial enfoque no cinema falado concani, língua oficial do Estado de Goa.

      A segunda sessão, a ter lugar amanhã, versará sobre Macau. A académica Maria do Carmo Piçarra falará sobre aexibição do cinema em Macau, bem como o pioneirismo de Antunes Amor e tentativas de produção local de cinema. A docente enquadrará ainda Macau na propaganda cinematográfica portuguesa e projecções internacionais como território vicioso e referirá, ainda, uma tentativa de emergência de uma produção local de cinema: o caso de Os Pescadores de Amangau (Miguel Spiguel) e Caminhos Longos (Eurico Ferreira). Não esquecendo de referir como é Macau no cinema de hoje, tanto em português, como em macaense.

      Por fim, a última sessão, a ter lugar no dia 10 de Novembro, será dedicada a Timor-Leste. A investigadora da UNL trará para a discussão o Timor filmado após a invasão japonesa, e toda a propaganda económica inerente, não se esquecendo de abordar os ciclos da propaganda portuguesa, a promoção turística e, ainda, a importância do arquivo militar e a importância dos filmes “científicos” (filmes da Missão Antropológica a Timor vs filmes de Ruy Cinatti). Maria do Carmo piçarra fechará a sessão a debater a visão contemporânea de realizadores portugueses e timorenses que perspectivaram a história e luta pela independência do território.

      Maria do Carmo Piçarra é investigadora contratada noInstituto de Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL e professora assistente na Universidade Autónoma de Lisboa (UAL). Com bolsa (2018-2020) da Fundação Oriente, investigou “Representações da ‘ÁsiaPortuguesa’ nos Arquivos Fílmicos”. É licenciada, mestre e doutorada em Ciências da Comunicação, pela FCSH-UNL, e, entre 2013-2018, desenvolveu a investigação pós-doutoral “‘Cinema Império’. Portugal, França e Inglaterra, representações do império no cinema”. É programadora de cinema e publicou, entre outros livros e artigos em revistas científicas, Projectar a ordem, Cinema do Povo e propaganda salazarista 1935 – 1954 (2020), Azuis ultramarinos,Propaganda colonial e censura no cinema do Estado Novo” (2015) e Salazar vai ao cinema I e II (2006, 2011). Coordenou, com Jorge António, a trilogia Angola, o nascimento de uma nação (2013, 2014, 2015) e, com Teresa Castro, (Re)Imagining African Independence. Film, Visual Arts and theFall of the Portuguese Empire (2017).