Edição do dia

Domingo, 21 de Abril, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
chuva moderada
25.9 ° C
26.9 °
25.9 °
94 %
5.7kmh
40 %
Dom
25 °
Seg
25 °
Ter
25 °
Qua
25 °
Qui
29 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      InícioGrande ChinaEconomistas apontam para fim da era de altas taxas de crescimento da...

      Economistas apontam para fim da era de altas taxas de crescimento da China

      A era de acelerado crescimento económico da China está a terminar, preveem analistas, à medida que baixas taxas de produtividade coincidem com o envelhecimento da população e a estratégia de ‘zero casos’ de covid-19. Um futuro com baixas taxas de crescimento entrou já na narrativa oficial chinesa.

       

      “A China enfrenta um conjunto de desafios sérios que, na nossa opinião, significam a entrada numa fase de crescimento significativamente mais lenta”, lê-se num relatório do BlackRock Investment Institute, grupo de reflexão (‘think tank’) sob alçada da multinacional BlackRock, o maior gestor de activos do mundo.

      O relatório, elaborado pelos economistas Alex Brazier e Serena Jiang, aponta que o foco nos “altos e baixos” da actividade económica da China, suscitados pelas medidas de prevenção epidémica, no âmbito da política de ‘zero casos’ de covid-19, distrai de outros problemas estruturais que vão pesar “significativamente” no crescimento chinês, ao longo dos próximos anos.

      “O factor mais importante é a população em idade activa, que depois de ter aumentado rapidamente, está agora a diminuir”, sublinham os analistas. “Menos trabalhadores significa que a economia não pode produzir mais sem gerar inflação, a menos que o crescimento da produtividade acelere”, nota o relatório. “No entanto, as restrições internacionais a nível do comércio e tecnologia, e as regulações [internas] mais rígidas sobre [o sector privado] vão prejudicar o crescimento da produtividade”, acrescenta o documento. Um futuro com baixas taxas de crescimento entrou já na narrativa oficial chinesa.

      Numa conferência de imprensa realizada no sábado, na véspera do 20º Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), o porta-voz da organização frisou que o ritmo de crescimento económico do país deixou de ser a “única coisa que importa”. “A velocidade do crescimento é de fato um importante parâmetro de desempenho económico, mas não é o único”, apontou Sun Yeli. “Vamos concentrar-nos antes em resolver os problemas de longo prazo na economia”, acrescentou.

      Desde que ascendeu ao poder, em 2012, o líder chinês, Xi Jinping, devolveu ao PCC o papel de líder político, económico e social da China, priorizando o domínio do Estado, em detrimento do setor privado – uma reversão da trajetória da China desde que o ex-líder Deng Xiaoping lançou o período de “reforma e abertura”, em 1978.

      Na leitura do relatório de trabalho que inaugurou o 20º Congresso do Partido, no domingo passado, Xi Jinping mencionou o termo “segurança” por 91 vezes, enquanto “economia” apareceu 60 vezes, sendo pela primeira vez eclipsada pelo primeiro desde que o Partido assumiu o poder, em 1949.

      O ênfase em questões de segurança surge numa altura de crescente descontentamento popular, suscitado pelos frequentes confinamentos, no âmbito da política de ‘zero casos’ de covid-19, e de agudizar das relações com os Estados Unidos e a União Europeia.

      Uma pesquisa conjunta do GeoEconomics Center, do Atlantic Council, um ‘think tank’ com sede em Washington, e da consultora Rhodium Group prevê que a China vai ter dificuldades em manter um crescimento anual acima dos 3% até 2025.

      Helge Berger, chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a China, aponta também num relatório para o “entusiasmo cada vez menor por reformas económicas baseadas no mercado”. “O potencial de crescimento da China pode ser substancialmente menor do que aquilo que estamos habituados”, nota.

      A análise do FMI estima que o crescimento médio da produtividade foi de apenas 0,6% durante a década passada, sob a governação de Xi – um declínio acentuado da média de 3,5% alcançada nos cinco anos anteriores. A instituição estima que o nível de produtividade das empresas estatais chinesas é 20% menor do que no setor privado.

      O BlackRock Investment Institute adverte para o impacto que o abrandamento económico da China vai ter no resto do mundo. “No passado, quando enfrentavam uma desaceleração [económica], os países podiam contar com os consumidores e empresas chinesas para comprarem os seus automóveis, produtos químicos, máquinas e combustível e contar com a China para o fornecimento abundante de produtos baratos”, lê-se. “Mas, isto vai deixar de ser assim”, afirma o relatório. “Uma recessão está a aproximar-se nos EUA, Reino Unido e Europa, e, desta vez, a China não virá em socorro”. Lusa

      Ponto Final
      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau