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      Animais abandonados nas ruas de Macau não têm aumentado, mas os que existem têm-se reproduzido  

      A ideia foi transmitida ao PONTO FINAL por Fató Galvão, líder da MASDAW, quando confrontada com a pergunta se o número de cães e gatos abandonados nas ruas de Macau aumentou nos últimos tempos. No entanto, grupos nas redes sociais sobre cães e gatos revelam que, pelo menos, uma ou duas vezes por semana, alguém mostra intenção de abandonar o seu animal de estimação.

       

      Há mais cães e gatos abandonados nas ruas de Macau? A pergunta é difícil de responder, mas a Associação para os Cães de Rua e o Bem-Estar Animal em Macau (MASDAW) pensa que não. “Acho que não. O que acontece é que os animais vadios se reproduzem”, começou por afirmar ao PONTO FINAL a líder da associação.

      De acordo com o grupo no Facebook “Troca de informações sobre cães e gatos de Macau” (澳門貓狗寵物交流資訊), em língua chinesa, só na passada sexta-feira foram encontrados dois cães nas ruas de Macau e “via-se que tinham dono e nunca tinham sido deixados sozinhos na rua”, afirmou a activista dos direitos dos animais Fátima Couto Choi.

      A macaense revelou ao nosso jornal que “todas as semanas” há, pelo menos, “um ou dois proprietários a mostrarem vontade de se livrarem dos seus animais”. “Existem vários grupos no Facebook e WeChat, entre a comunidade chinesa, todos sobre cães e gatos. Há grupos mistos e há grupos só de cães. Estou em todos, porque temos quatro cães. Acho que as pessoas quando querem abandonar animais estão mais discretas. A verdade é que na passada sexta-feira aconteceram, pelo menos, dois casos de cães abandonados ou perdidos: um rafeiro, sem chip, encontrado nas Ruínas de São Paulo, e um Yorkshire terrier, com cerca de 11 anos, perdido na Areia Preta”, notou, acrescentando que “nestes grupos na Internet, em uma ou duas vezes, por semana, encontra-se alguém a publicar que pretende abandonar o cão, ou pede uma nova família para o cão”. “Existem casos de vontade de abandono e, por norma, até surge com animais de raça. A questão é que as pessoas que têm estas intenções já começam a ser mais reservadas, porque depois começam a ser atacadas por quererem livrar-se dos animais. Mas não sei se aumentou ou não esse número”.

      Mas os animais não têm de estar devidamente identificados e portadores de chip? Fató Galvão explica-nos que “é obrigatório, mas continua a haver gente que não regista os cães”. Já quanto aos gatos, “ainda não é obrigatório”.

      Questionada sobre se há mais cães rafeiros abandonados e nos abrigos do que os de pedigree, a responsável da MASDAW aproveitou para alfinetar uma associação local que, supostamente, se destina para os mesmos fins. “À excepção de uma associação que quase só salva cães de raça, todas as outras têm maioritariamente cães rafeiros”, acusou, afirmando, ainda, que não tem dados na sua posse para responder se o número de cães de raça abandonados tem aumentado.

      A MASDAW tem, neste momento, um total de 111 animais no seu abrigo, sendo que “existem alguns cães em famílias de acolhimento, referiu Fató Galvão, explicando que os gatos encontrados pela associação “são adoptados directamente do veterinário após o tratamento”.

      Fátima Couto Choi faz uma distinção muito clara entre rafeiros e de raça no que concerne à facilidade ou não de adopção para os animais. “A situação do cão rafeiro é uma situação diferente. Ninguém adopta cães rafeiros. É muito raro. Normalmente são os que ficam nos abrigos. Um cão de raça, mesmo adulto, tem facilidade em ser adoptado, arranjar uma nova família, a não ser que tenha algum problema de saúde ou comportamental”, constatou, ressalvando, que os cães que foram abandonados na passada sexta-feira à sorte são “sem dúvida, cães com dono, mas simplesmente as pessoas não querem saber, ou são idosas e já não podem tratar dos cães. Há várias situações que podem explicar isso. E é, portanto, um assunto bastante falado e de conhecimento geral na comunidade chinesa”.

       

      TAXA DE ADOPÇÃO É MUITO BAIXA

       

      Uma amiga voluntária com quem Fátima fala bastante garantiu-lhe que “a taxa de adopção de cães rafeiros adultos é muito baixa”. “O último que arranjou família foi no ano passado, e o penúltimo há quatro anos, portanto, entre o penúltimo e o último demorou três anos”, notou.

      No entanto, a jovem mulher desconhece se este fenómeno que acredita ser apenas dentro da comunidade chinesa, até porque, revela, “na MASDAW da Fató, por exemplo, tem havido sempre pessoas a adoptarem cães rafeiros adultos”. Fátima Couto Choi enfatiza algo: “a nossa questão é que se alguém, uma pessoa normal, se achar um cão na rua, nenhuma associação tem espaço para os receber e dizem que estão cheios, portanto, há um desequilíbrio enorme entre os cães achados e adoptados”, considerou, admitindo que pessoas como ela, defensoras dos direitos animais, “ficam desesperadas”.

      Que mais pode ser feito para combater este problema, deixámos a pergunta no ar. Fató Galvão é peremptória na resposta.  É preciso que o Governo tenha vontade de “aumentar as multas e controlar as lojas de animais e os criadores, para além do contrabando”.

      A líder da MASDAW deixou ainda um desejo. “O nosso sonho é arranjar famílias de acolhimento ou definitivas para os cães que temos no abrigo. Se não puderem adoptar podem sempre voluntariar-se para os passearem pois perdemos o espaço exterior que tínhamos em Coloane, e por isso agora precisamos imenso de voluntários que nos ajudem a proporcionar momentos ao ar livre aos cães que temos connosco”.

      Fátima Couto Choi também alinha no mesmo diapasão. “São precisos planos e, acima de tudo, é precisa muita educação. Urge mudar certos pensamentos estereótipos de que cães rafeiros são mais agressivos em geral, que não são, bem como aumentar o conhecimento de que adoptar um cão rafeiro adulto, que já tem experiência de vida e mais calmo, é benéfico para família. Ao mesmo tempo, as pessoas precisam perceber que qualquer animal de estimação faz parte da família. Acho que estes conceitos ainda têm que se mudar na sociedade em geral aqui”, apontou, mostrando-se, no entanto, aborrecida com a sociedade em geral, que se deixou de importar com isto. “Hoje em dia há pessoas que até têm medo de encontrar um animal perdido ou abandonado, porque ninguém quer saber. Eles acabam por ir para o canil”.