Edição do dia

Sábado, 20 de Abril, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
trovoada com chuva
26.9 ° C
26.9 °
24.9 °
89 %
2.1kmh
40 %
Sáb
27 °
Dom
27 °
Seg
24 °
Ter
24 °
Qua
25 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      InícioSociedadeProcura de ajuda devido a maus-tratos a crianças mantém-se elevada, aponta associação...

      Procura de ajuda devido a maus-tratos a crianças mantém-se elevada, aponta associação  

      A Associação de Luta contra os Maus Tratos às Crianças acompanhou 15 casos de maus-tratos de menores e 117 casos de problemas de relacionamentos familiares no ano passado, envolvendo 157 vítimas. O organismo salientou que a necessidade de serviços sociais destinados a crianças mantém-se alta durante a pandemia, e espera que a sociedade preste atenção ao comportamento das crianças com pouca capacidade de expressão, para descobrir oportunamente potenciais casos de violência infantil.

       

      Apesar de alguns serviços e actividades sociais terem sido limitados devido ao impacto da epidemia, o número de pedidos e de serviços em resposta à violência contra crianças registou um aumento no ano passado. A Associação de Luta contra os Maus Tratos às Crianças de Macau considera que a comunidade ainda regista uma grande procura aos serviços sociais relacionados com menores neste assunto.

      De acordo com o relatório anual da Associação de Luta contra os Maus Tratos às Crianças, o organismo atendeu no ano passado um total de 132 casos, sendo que a maioria dos quais foram problemas de relacionamento entre pais e filhos, seguidos de actos de violência física contra crianças. O volume de casos corresponde a um ligeiro acréscimo de 9% em comparação com o ano anterior, com 121 casos.

      Os dados mostram ainda que, entre os casos atendidos, 15 ocorrências são relacionadas com maus-tratos infantis, incluindo cinco novos casos e 10 casos de acompanhamento desde o passado, sendo a natureza dos casos a violência física (8), cuidados inadequados (4), comportamentos violentos (2) e testemunhas de violência doméstica (1). “A maioria dos agressores nos novos casos de maus-tratos infantis são o pai ou a mãe da criança vítima”, salientou a associação.

      Os outros 117 casos compreendem 65 novos casos e 52 casos de acompanhamento anterior, envolvendo 114 casos do relacionamento entre pais e filhos, dois casos sobre a relação com outros membros familiares e um caso de relacionamento interpessoal.

      Segundo a análise do relatório, registaram-se 157 vítimas em 2021, incluindo 87 menores masculinos e 70 femininos, com idades até aos 16 anos. Quanto à faixa etária, 27% dos lesados têm entre três a cinco anos e 24% são dos seis aos oito anos.

      “Diante desta situação, os pais, as escolas e todos os sectores da sociedade devem aumentar a sua sensibilidade ao comportamento das crianças, particularmente daquelas que não são capazes de se expressar ou cuja capacidade de expressão é ainda fraca. Caso descubram que os menores encontram problemas, devemos tomar uma atitude proactiva para procurar ajuda e apoio o mais rápido possível, a fim de evitar que as crianças continuam a estar num ambiente desamparado”, alertou.

      A estatística aponta ainda que a Taipa foi a zona mais frequente de casos de maus-tratos infantis e conflitos com as crianças, ocupando 39% dos casos, seguindo-se a Freguesia de Nossa Senhora de Fátima e zona da Ilha Verde, com 32% do total.

      Foi adiantado ainda que a entidade disponibilizou 3.417 atendimentos aos casos no ano passado, através de entrevistas telefónicas e presenciais e visitas domiciliares, para as investigações de situação e serviços de aconselhamento, sendo que a frequência de acompanhamento subiu 47% em relação ao ano anterior.

      Por outro lado, o Centro de Protecção das Crianças, integrado na associação, tem prestado serviços de consulta, fornecendo apoio profissional para famílias que tenham dificuldade na educação das crianças. A entidade recebeu no ano passado 150 consultas de informação, 14 pedidos relacionados com casos suspeitos de maus-tratos contra as crianças, enquanto outros foram pedidos de aconselhamento sobre relações familiares.

      As mães das crianças representaram o maior número de consultores de casos, ocupando mais de metade das consultas, sendo os outros pedidos de informação apresentados por membros familiares, assistentes sociais e vizinhos.

      “O público desempenha um papel importante na protecção das crianças, pelo que devem ser promovidas mais actividades comunitárias para reforçar a sensibilização dos residentes em pedir ajuda e a denunciar casos suspeitos”, destacou.

      O organismo disse que vai continuar a promover os trabalhos de protecção de menores e de relacionamentos positivos de família, erradicando os incidentes de maus-tratos e negligência relativamente a crianças, reduzindo também a ocorrência da violência infantil causada pela pressão emocional dos pais.