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      PR timorense diz que é preciso “fazer muito mais” para melhorar sector do café

      O Presidente timorense disse ontem que é preciso “fazer muito mais” para melhorar as condições dos produtores de café mais pobres do país, defendendo mais investimento para melhorar a quantidade, qualidade e rendimentos do sector.

       

      “É preciso fazer muito mais, a nível do Governo e do setor privado. Um investimento que inclua um estudo sério sobre todas as áreas de produção, não apenas com a parte da ciência, mas com terras e propriedades, leis, reabilitação das plantações e árvores de sombra e depois aumentar significativamente a área de produção”, disse José Ramos-Horta à Lusa.

      Neste âmbito, defendeu, o Estado deve “intervir na questão dos preços e mecanismos comerciais para que os produtores pobres tenham mais rendimentos, não apenas os intermediários”. “Quero ver alterar este desequilíbrio, que vem de muitas gerações, não apenas em Timor-Leste como noutros países em que o pequeno produtor de café continua pobre e os grandes latifundiários e os que vendem o café no mundo é que ficam ricos”, afirmou.

      Dados do Ministério da Agricultura e Pescas indicam que há atualmente quase 60 mil hectares dedicados em Timor-Leste à produção de café, com cerca de 60 mil cafécultores’, tendo o país exportado cerca de 92 mil toneladas nos primeiros oito meses deste ano.

      Apesar de mais de um quarto da população do país depender da cultura do café, a grande maioria das famílias vive com muito poucos rendimentos, devido à fraca qualidade e quantidade de muitas das produções.

      O Governo começou já a implementar a revitalização de 10 mil hectares de cafezais, no âmbito de um programa de cerca de 6,4 milhões de dólares que abrange a revitalização, renovação e expansão de cafezais e a plantação de árvores de proteção.

      José Ramos-Horta falava depois de testemunhar a entrega de um apoio de 70 mil dólares da Associação de Amizade da Província de Yunnan, na China, à Associação Café Timor (CAT), que reúne produtores em todo o país. “Este foi um pequeno gesto da embaixada da China, mas não corresponde às verdadeiras necessidades de um grande investimento na área do café”, disse.

      O chefe de Estado já se tinha referido ao setor do café na semana passada no discurso que marcou no Parlamento Nacional a abertura da quinta e última sessão legislativa da actual legislatura. “Uma grande preocupação minha, do governo, e que deveria ser de todos nós, é o café, o nosso principal produto agrícola cujos inícios remontam a muitas gerações. Uma das grandes causas da minha Presidência é precisamente a promoção do café como parte da identidade e cultura de Timor-Leste”, disse. “Inspiro-me na forma como o povo japonês aprecia o arroz japonês, que faz parte do seu tesouro cultural. Temos de abraçar o café da mesma forma. E temos de investir seriamente na renovação das velhas árvores de sombra e dos velhos cafeeiros, expandindo a área de cultivo do café”, afirmou no parlamento. Lusa

       

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      Redacção do Ponto Final Macau