O Centro de Monitorização do Património Mundial de Macau vai analisar 22 imóveis, oito praças e 72 ruas e becos localizados no Centro Histórico de Macau a partir do final deste ano. O organismo frisou que vai usar aparelhos de tecnologia digital para garantir a segurança dos imóveis e monitorizar as praças e ruas através da comparação de imagens. Sem preocupações quanto à privacidade, os membros do Conselho do Património Cultural sugeriram ontem ao Instituto Cultural a utilização do sistema ‘Olhos no Céu’ na monitorização da situação da zona histórica.
Com a entrada em funcionamento marcada para o final deste ano, o Centro de Monitorização do Património Mundial de Macau vai fazer a monitorização de 22 imóveis, oito praças e 72 ruas e becos localizados no Centro Histórico de Macau e o seu ambiente. Segundo o Instituto Cultural (IC), a monitorização abrange basicamente todo o escopo do Centro Histórico de Macau.
O Centro de Monitorização do Património Mundial vai instalar-se na Rua de Sanches de Miranda, n.º5, onde se situa o Departamento do Património Cultural do IC. Vão ser instalados no local instrumentos e sistemas de processamento de tecnologia avançada, ligados a aparelhos de vigilância de assentamentos, inclinação e fissuras das construções.
A informação foi adiantada pela presidente do IC, Leong Wai Man, à margem da reunião de ontem do Conselho do Património Cultural. A responsável salientou ainda que o Centro não vai ser um departamento independente, dado que os trabalhos e fiscalização relevantes irão caber à responsabilidade do Departamento do Património Cultural.
Relativamente à forma de monitorização das zonas abrangentes e do seu equilíbrio com a protecção de dados pessoais e privacidade, Choi Kin Long, chefe do Departamento de Património Cultural, realçou que a vigilância do Centro dará prioridade aos 22 imóveis históricos, focando-se apenas na manutenção do estado arquitectónico, por meio da utilização de equipamentos de tecnologia digital de medição.
“Além disso vamos monitorizar o fluxo das praças e ruas em questão, vamos utilizar o meio de comparação de imagens para verificar as mudanças”, salientou. Neste caso, o IC frisou que vai instalar mais sistemas de videovigilância, mas no espaço interior dos imóveis.
O representante dos membros do Conselho, Eddie Wu, disse que os membros também questionaram sobre a privacidade. “Foi esclarecido que o trabalho principal do Centro é a monitorização das construções, nomeadamente através dos dados transferidos em tempo real, para os colegas saberem qual o estado dos imóveis históricos, nomeadamente durante as chuvas intensas e tufões”, destacou.
“Sugerimos que a monitorização se conecte com o sistema de videovigilância [Olhos no Céu], que já preencheu os requisitos do Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais, não devendo afectar a privacidade da população”, avançou o também deputado.
Já Choi Kin Long explicou que está confirmado que o Centro vai cooperar com os Serviços de Turismo para recolher dados do fluxo turístico, bem como com a Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos e os Serviços de Protecção Ambiental, na vertente de condições climáticas, como a chuva ácida. Quanto ao sistema ‘Olhos no Céu’, da tutela das autoridades policiais, Choi Kin Long referiu que ainda vai discutir com o organismo para “ver se há condições para juntar-se na partilha dos dados”.
Por outro lado, o IC vai lançar no quarto trimestre do ano as Orientações de Gestão do Património Cultural Intangível, para uma melhor definição das condições e critério de selecção de projectos da Lista do Património Cultural Intangível, bem como os requisitos de reconhecimento dos transmissores e entidades de salvaguarda do património cultural imaterial e seus direitos, deveres, e medidas de apoio.
Segundo Leong Wai Man, as orientações vão ser aplicadas aos serviços públicos, entidades privadas, comunidades, grupos ou indivíduos no território. A Lista do Património Cultural Intangível é actualmente composta por 12 manifestações, incluindo Teatro em Patuá, Procissão de Nossa Senhora de Fátima e Gastronomia Macaense. Setenta manifestações estão incluídas no Inventário do Património Cultural Intangível de Macau.
“Os transmissores e entidades de salvaguarda podem pedir a aprovação da qualificação do IC, podendo ser responsáveis pelos vários patrimónios culturais imateriais ao mesmo tempo. Vão receber apoio do Governo na transmissão e divulgação cultural. Não estipulamos penalidades no caso de não cumprimento de conservação, mas haverá um mecanismo de desqualificação”, afirmou.
Além disso, o Conselho aprovou na mesma ocasião a prestação de apoio ao restauro da Antiga Residência de Lou Lim Ioc (Edifício de Administração da Escola Pui Cheng), pelas considerações do valor histórico da construção nesse local.
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